Vida longa ao Super Surf

 
Os últimos três anos foram de consolidação do surf brasileiro no
circuito mundial. Passamos a vencer mais campeonatos, tanto no CT
quanto no QS. Foi o chute na porta dos brasileiros, que passaram de
coadjuvantes a protagonistas. O título do Medina é a maior prova do
novo patamar alcançado por nossos atletas. Porém, dentro deste mesmo
período, o circuito nacional perdeu força e os atletas fora do
circuito mundial ficaram à deriva. Muitos perderam o patrocínio e a
situação chegou a um ponto em que todos ficaram preocupados com as
futuras gerações. Como produziríamos mais Medinas e Filipinhos sem
competições? Como formaríamos novos ídolos?
 
A verdade é que ficamos mal acostumados com o Super Surf e com o
Brasil Surf Pro. Tinham estruturas de circuito mundial, com premiações
que beiravam aos cem mil dólares por etapa. Voltar a participar
somente de regionais foi um retrocesso para os atletas depois de mais
de uma década de circuitos milionários. Para as meninas foi ainda
pior, porque nem regionais tiveram para alimentar suas carreiras. Três
anos de extrema dificuldade para os homens e de sofrimento para as
mulheres.
 
Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, as grandes empresas deixaram o
surf em busca de maiores oportunidades de retorno. A previsão era de
melhora somente depois de 2016, mas a conquista de um título mundial,
e a visibilidade que isto proporcionou, adiantou o processo de
retomada dos investimentos das grandes empresas no surf nacional. A
magnitude do evento do CT da Barra da Tijuca aumentou ainda mais o
espaço do esporte nas mídias não especializadas e o surf virou moda
novamente. Gabriel Medina se tornou o ídolo da vez. Depois de Ayrton
Senna, Gustavo Kuerten, e Neymar, Medina se tornou uma referência e o garoto
propaganda de várias marcas. O fracasso do Brasil na Copa e as poucas
possibilidades de sucesso nas Olimpíadas fizeram as empresas
repensarem suas ações estratégicas.

O título de campeão mundial de Gabriel Medina foi fundamental para a retomada do crescimento do surf nacional. Foto: WSL

O título de campeão mundial de Gabriel Medina foi fundamental para a retomada do crescimento do surf nacional. Foto: WSL

 
Neste embalo ressurgiu o Super Surf. Voltou mais modesto na premiação,
mas com a estrutura de antigamente. A Abrasp, Evandro Abreu e a
editora da revista Hardcore se juntaram para o renascimento do
projeto. Conseguiram trazer a empresa de telefonia Oi como
patrocinadora principal e também a Furnas e a Smolder para completar
as cotas. Trouxeram de volta o mais importante circuito nacional de
todos os tempos. Mesmo com uma das piores crises econômicas que
vivemos, o projeto seguiu em frente.
 
A empolgação dos atletas foi a maior possível. Seria uma nova
possibilidade de impulsionar a carreira, de conquistar novos
patrocínios para os seus bicos. As meninas não puderam comemorar como
os rapazes porque ficaram fora do projeto. De qualquer forma, foi um
grande recomeço.
 
Acompanhei de perto três das quatro etapas e posso afirmar que a
importância desta volta foi extrema. Os números comprovam mais que as
minhas palavras. Foram 160 inscritos nos três primeiros eventos e 156
no último. A quantidade de internautas acompanhando os eventos foi bem
significante. Mesmo com etapas do CT nas mesmas datas, o Super Surf
teve muita audiência. Amigos, parentes, fãs e amantes do esporte
acompanharam as disputas através de seus computadores, tablets e
smartphones. A revista Hardcore deu ampla cobertura e até as
concorrentes prestigiaram com algumas páginas de matéria sobre o
circuito. Vários veículos não especializados dividiram o espaço do CT
com o Super Surf. Até nisto demos sorte.
 
O circuito mostrou o confronto de gerações e os atletas mais novos
foram muitas vezes surpreendidos pelos mais experientes. Leo Neves,
perto dos 35 anos, ficou em segundo lugar em Floripa e venceu várias
baterias nas outras etapas. Até o final disputou o título de campeão
do Super Surf. Além dele, Victor Ribas, com seus 43 anos, mostrou surf
de garotão. Por outro lado, Samuel Pupo, Lucas Silveira, Wesley
Dantas, Marcos Côrrea, Wesley Santos, Deivid Silva e outros nomes que
não lembro agora nos deram esperanças de seguirmos no topo do surf
mundial por mais alguns anos. Estou muito confiante nessa garotada.
 
Depois de quatro etapas e trezentas e trinta e duas baterias, o
capixaba Kristian Kimerson se consagrou o grande campeão do circuito.
Foi a primeira vez que um atleta do estado venceu um circuito de nível
nacional profissional. Representou muito para o ES, mas o título de
campeão brasileiro de 2015 só sairá depois de uma etapa em Torres, que
não faz parte do Super Surf. Acredito que em 2016  isto não
acontecerá. Na minha opinião, foi uma tremenda confusão explicar este
fato para a imprensa.
Kristian Kimmerson é o primeiro capixaba com um título de circuito nacional pro.

Kristian Kimmerson é o primeiro capixaba com um título de circuito nacional pro.

 
Posso afirmar que o Super Surf estava fazendo muita falta para o surf
brasileiro. Sua volta levantou a autoestima dos atletas e abriu novos
horizontes para as novas gerações. Aumentou a visibilidade dos
atletas, possibilitando novas possibilidades de patrocínio para eles.
É um recomeço que precisa de tempo para atingir seu antigo patamar.
Quem gosta do esporte como eu, tem que torcer muito por isto.
 
Vida longa ao Super Surf !!

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1 Response

  1. Evandro 16 de outubro de 2015 / 02:21

    Obrigado Marcelão pelo reconhecimento

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