Valeu ESPN

Desde sempre amo ver surf na TV. Apesar de ficar com sono uns 15 minutos depois de começar a ver um DVD (talvez por saber que posso dar um pause e assistir depois), sou louco por imagens de ação na telinha, ainda mais com as novas TVs grandes de HD. Um luxo!

Lembro bem a primeira vez que assisti surf do Circuito Mundial na TV aberta. Foi em março de 1986, no Jornal da Globo, que anunciava o bicampeonato mundial de Tom Curren ao vencer a semifinal do Rip Curl Pro Bell´s numa das melhores baterias da história do Tour contra Mark Occhilupo. Aqueles segundos me deixaram cheios de ansiedade. Foi difícil pegar no sono.

Poucos anos depois estava eu trabalhando como editor do programa Realce e Vibração Surf, tendo acesso a inúmeras imagens de todos os cantos do planeta captadas com muito esforço e dedicação pela galera da Unigraf (produtora dos programas na época). Meu amor pelo surf digital ficou ainda maior e o sonho de que algum dia uma emissora tivesse o peito de arriscar uma transmissão ao vivo de uma etapa inteira do Circuito Mundial parecia cada vez mais perto tamanho o crescimento da tecnologia e da própria ASP.

O ápice, e isso puxando lá do final de minha memória (se não estiver enganado), foi em 1997, quando depois de muita pressão por parte de Ricardo Bocão e Antonio Ricardo, o SporTV resolveu passar ao vivo o dia final do Kaiser Summer Pro Festival. Eu trabalhava como assessor de imprensa do evento pela Exclusive e vi bem de perto toda a infra montada para o sinal ficar aquelas 8 horas direto mostrando a etapa brasileiro do WCT para milhares de pessoas (naquela época a audiência da TV a cabo era bem pequena). Deu tudo certo, as ondas contribuíram e Kelly Slater levou numa final íncrivel contra Occy. Inesquecível! Depois disso, outros eventos em águas nacionais tiveram o privilégio de serem transmitidos ao vivo, a maioria deles campeonatos do Tour. A transmissão via internet bolada e concretizada por Mano Ziul, Celso Alves e Alexandre Cury estava em franca evolução tecnológica o que abria uma série de opções a curto prazo para facilitar a vida dos fãs de Kelly e Cia, inclusive como base para futuros links às redes de TV. Só faltava mesmo a transmissão via TV de uma etapa internacional.

E a ESPN Brasil viabilizou isso na última semana, antes da Páscoa. Pela primeira vez na telinha brasileira, uma etapa fora do país era transmitida ao vivo, em quase 100% de suas baterias. E não podia ser num momento melhor, com vários brasileiros em destaque e como palco o mais tradicional campeonato de surf do mundo. o Rip Curl Pro em Bell´s Beach. Não me interessa se você ou alguém gostou ou não do trio Thiago Brant, Renan Rocha e Edinho Leite. Isso, para mim, não tem a menor importância diante do fato que eu pude assistir, em HD, na minha TV, para a irritação de minha esposa, rounds e mais rounds do melhor surf que existe. Não teve aquele negócio de usar cabo HDMI e plugar no meu macbook pro. Não teve problema de link e pause. Foi apenas ligar minha TV no canal 572 e me deliciar com Fanning, Mineiro, Jordy, Filipinho e todos os outros quebrando as direitas de Bell´s. Fiquei com a alma lavada. Principalmente porque sei da enorme dificuldade de um canal tomar esta atitude. Foi uma aposta de gente que realmente se preocupa com o esporte. E preferências a parte, não dá para dizer que o grupo ESPN se esquece dos esportes em geral, principalmente os menos populares.

Com certeza o Efeito Medina contribuiu para esta transmissão. E também para que a Globosat (dona dos canais Multishow, SporTV, Off, Telecines, etc…) acertasse no dia 7 de abril a compra dos direitos de transmissão do WCT 2015 segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo. Se isso vai rolar e a ESPN vai perder o produto para sua rival não é sabido, ao menos não foi divulgado. Mas espera-se que, caso a programadora da Globopar resolva realmente se embrenhar no surf profissional, o faça com o mesmo sentimento que sua concorrente fez nos últimos anos, com respeito. O mínimo que o telespectador aficionado nos eventos da WSL quer é que as pessoas que por sua vez forem trabalhar no projeto entendam do assunto. Podemos criticar e elogiar ex-atletas e jornalistas por nos agradarem ou não, mas não podemos perdoar a falta de comprometimento com um esporte amado por tantos e que por isso merece gente do ramo para não disparar bobagens a La Galvão.

Enquanto não se confirma quem será a transmissora oficial do WCT na telinha, ou até ambas, eu gostaria de parabenizar a todos os profissionais e principalmente ao Renan, Edinho e os editores e diretores dos esportes radicais da ESPN no Brasil pela ousadia e respeito com que nos mostram, há bastante tempo, o máximo possível do Tour. Não é mole dobrar uma empresa grande de mídia eletrônica sem muito investimento e publicidade. Só com muita vontade, visão e amor! E para mim não faltou isso a esta galera. Parabéns e obrigado ESPN por concretizar meu sonho!

 

Edinho Leite, Tiago Brant e Renan Rocha, transmitiram quase todo o evento de Bell's no canal ESPN.

Edinho Leite, Tiago Brant e Renan Rocha, transmitiram quase todo o evento de Bell’s no canal ESPN.

 

5 Responses

  1. Vagner 15 de junho de 2016 / 19:48

    Vai Medina,aqui o pingueli de Laguna,praia da galhata SC.estamos ligados na ESPN+..!

  2. cre 10 de setembro de 2016 / 18:51

    medina gafado por outro roubo dos juizes ja bastou aquela de florence de uma nota que ele nao teve tudo roubo medina mereceu virar bateria

  3. Luciana 17 de março de 2017 / 02:33

    Parabéns Espn pelo espaço dado ao surf, mas soa muito preconceituso ver a interrupção da transmissão exatamente no momento do surf feminino.
    Fala-se tanto de apoiar o surf feminino, o que na verdade gerará ganho para toda indústria do surf e na prática vemos essa interrupção na transmissão do campeonato exatamente nas baterias femininas.
    Po que???

  4. Marcio 19 de março de 2017 / 02:19

    Precisamos da ajuda de vcs pra salvarmos um pico da extinçao querem faser um porto e matar um manguezal e na sequençia um pico alucinante !!! Socorro!!!

  5. Artur 16 de abril de 2017 / 22:11

    Surf brasileiro ditando o ritmo em bells, que venha saquarema kkkk

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