Transmissão do WCT Brasil

Sempre tive vontade de fazer a transmissão do WCT Brasil, principalmente no Rio, onde moro.

Já tinha feito transmissões de grandes eventos nacionais e de alguns WQSs realizados em Saquarema, mas nada como fazer a transmissão da divisão de elite do surf mundial.

A estrutura montada nas areias do Postinho, este ano, deu uma dimensão grandiosa ao evento. Isso sem falar no nível técnico dos atletas, que estava bastante alto. Foi uma experiência de trabalho incomparável.

Vinha acompanhando todas as etapas do tour pela internet e sabia que tinha que estar preparado para não cometer gafes. Precisava saber as características dos atletas, seus históricos, suas performances em eventos anteriores e os equipamentos por eles usados.

Também sabia da grande preocupação da nova ASP com a transmissão e as mídias dos eventos do WCT. Mais um motivo para me esforçar ao máximo para fazer um bom trabalho.

Meus companheiros de transmissão, o ex-surfista do WCT Renan Rocha e o jornalista Edinho Leite, já tinham uma bagagem de cobertura das etapas do mundial pela ESPN. Isso facilitou tremendamente a minha participação porque seus comentários precisos levantavam a bola para que eu fizesse a minha análise.

Renan Rocha e Marina Werneck na transmissão do feminino

Renan Rocha e Marina Werneck na transmissão do WCT feminino

Por mais que critiquem as ondas do Postinho é inegável que alguns momentos proporcionados pelos atletas foram muito expressivos. O Tubo 10 do Kelly Slater foi pouco para o que ele fez. Dropou no limite uma placa e, sem mãos, saiu de um canudo cavernoso. Só ele é capaz de fazer essas monstruosidades que o levam a outro patamar de performance, mesmo aos 42 anos. Um verdadeiro ET.

Medina também surfou muito, mas foi surpreendido pelo sul africano Travis Loogie, que teve sorte e competência para aproveitar uma onda maravilhosa que veio em sua direção. Mesmo assim, Medina tem mostrado que vai disputar o título de 2014. Ele está, sem dúvida, no nível dos melhores do tour.

Guilherme Herdy e Marcelo Andrade no WCT RIO 2014

Guilherme Herdy e Marcelo Andrade no WCT RIO 2014

Quanto aos demais brazucas, acho que o Adriano também segue forte na luta.  Com sua raça, determinação e experiência, ele ainda pode fazer muitos estragos ao longo do ano. Felipe Toledo é outra grande promessa, mas mesmo dando show na primeira fase, caiu diante de Bede Durbidge, que está retornando ao grupo dos Tops após um período meio apagado. O talento de Felipinho é enorme, mas falta a ele um pouco mais de maturidade para chegar ao grupo dos 10 melhores do tour. Miguel, Aleho, Jadson e Raoni não conseguiram mostrar seus potenciais. Terão que correr atrás do prejuízo nas próximas etapas do circuito. A grande surpresa foi a participação do campeão brasileiro David do Carmo, que eliminou o atual tricampeão mundial Mick Fanning e fez uma disputa de igual para igual com Kelly Slater.

Não dá para relatar todo o evento, composto de 70 baterias, mas a minha satisfação em comentá-las ao vivo me deram a esperança de fazer novas transmissões.

Mestre Rickson Gracie comentando as baterias do WCT RIO 2014

Mestre Rickson Gracie comentando as baterias do WCT RIO 2014

Em 2011, quando trabalhava em um programa de um canal por assinatura, constatei que a derrota do Kelly Slater tinha esvaziado a praia. Três anos depois, noto que os brasileiros são as figuras mais importantes para a nossa torcida. A geração Brazilian Storm mudou o nosso pensamento e agora todos acreditam que o título mundial está próximo.

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