Surfar é Coisa de Rico

Depois de semanas envolvido em assuntos polêmicos, como a morte do brasileiro na Indonésia Marco Archer, e o triste assassinato do catarinense Ricardo dos Santos, resolvi prestigiar a pré-estreia do filme Surfar é Coisa de Rico. Confesso que não tinha nenhuma expectativa de ver um documentário que me empolgasse muito. Fui mais para encontrar amigos e falar de surf de uma maneira amena, sem pensamentos ruins. Um grande número de pessoas presentes lotaram uma sala de cinema do Down Town, para conhecer a história de um dos legends mais importantes do surf nacional, Rico de Souza. Para minha surpresa o documentário, dirigido por Guga Sander, foi um excelente programa de começo de semana. Imagens, edição, músicas e roteiro que me agradaram bastante. O filme mostra passagens importantes do surf brasileiro, usando como fio condutor a jornada de Rico de Souza dentro de um esporte em formação no Brasil. Mostra a importância do lado visionário e empreendedor dele, e a sua busca por uma evolução profissional. Destaco a qualidade dos depoimentos de grandes personalidades do surf e da cultura, como Randy Rarick, Fred Hemmings, Clyde Aikau, Fast Eddie, Ricardo Bocão, Julio Adler, Fred D’orey, Horácio, Tito Rosemberg, Otávio Pacheco, Daniel Sabbá, Daniel Friedmann, Evandro Mesquita e Kadu Moliterno, que relataram um pouco das experiências e os momentos que passaram junto com Rico. Além disso, conseguiram mostrar um pouco da personalidade e alguns destaques da vida deste ilustre personagem.

Rico de Souza fazia pranchas que eram o sonho de muitos nos anos 70. Foto: Arquivo

Rico de Souza fazia pranchas que eram o sonho de muitos nos anos 70. Foto: Arquivo

Conheci o Rico mais intimamente quando abri minha loja na mesma galeria em que ele tinha a sua. Ele era um dos ídolos da minha adolescência, dos tempos que comprava Brasil Surf para ver as fotos dos melhores surfistas dos anos 70. O contato com ele me fez aprender muita coisa. Via nele a luta do dia a dia para conseguir viver do que mais gosta e isso me inspirava. Na minha opinião, ele, Bocão, Daniel, e outros que não me recordo agora, são caras que sempre tirei o chapéu, pois nunca cogitaram viver de algo diferente que não fosse o surf.  Estou falando de ídolos que tomaram essa decisão numa época que os surfistas eram vistos como marginais. O que mais me fascina no caminho deles é a determinação na realização desse sonho. Alguns anos se passaram e voltei a trabalhar com o Rico, nos meus dez anos de ABRASP. Ele fazia os eventos de longboard para a Petrobras, chancelados pela entidade.  Nos encontrávamos para organizar alguns detalhes e via seu profissionalismo para a realização de suas etapas. A cada trabalho feito nossa relação de respeito aumentava. Tenho uma admiração muito grande pelo surfista, mas mais ainda pela pessoa, que sempre me tratou de forma profissional e respeitosa. Sem dúvida é um orgulho ter uma amizade com um dos nomes mais importantes do nosso esporte.

Rico de Souza em ação. Foto: Arquivo/ Divulgação

Rico de Souza em ação. Foto: Arquivo/ Divulgação

Contar a jornada dele em matéria no blog seria meio sem noção, tendo um documentário tão bem feito para ser assistido. Para entender como Gabriel Medina chegou ao topo do ranking mundial, todos tem que assistir como foi construído cada degrau da história, até a conquista do título . Aconselho que assistam Surfar é Coisa de Rico.

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