Sim, cavalo paraguaio

Matt Wilkinson venceu as duas primeiras etapas do Tour, feito que poucos surfistas tiveram o êxito e a sorte de conseguir. Lidera o WSL com uma folga e tanto, é verdade! Quebrou a bolsa de apostas de praticamente o planeta do surf todo (nem seu técnico Glenn Hall apostou nele, rs)! Mas daí a achar que será campeão do mundo já é outra história. Diz meu amigo e shaper Cláudio Valle que ninguém tem bola de cristal, mas não me permito achar que um cara mediano como “Wilkso” seja o virtual dono do caneco desta temporada.

Pra início de conversa, não foi nem de perto o melhor surfista em Snappers e Bell’s. Passou as baterias surfando o de sempre, encaixando alguns adversários mais fracos e contando ainda com alguns empurrões do destino como a contusão de Filipe Toledo na Gold Coast e a prancha partida de Mick Fanning, que parecia imbatível em Bell’s, no Round 5. Muitos falam em performances incríveis de Stu Kennedy e Jordy Smith na primeira e segunda etapas respectivamente mas tanto Toledo quanto Fanning, eram pra mim os bicho papões e com pedigree de campeões. Ambos seriam rivais bem mais complicados do que foram Kolohe Andino e Jordy nas finais. Ou seja, imprevistos (ou sorte) fazem parte do jogo.

matt wilkinsom snapper

Não acredito que Matt vá repetir o feito de Curren e Slater vencendo as três primeiras etapas do Tour. Margaret River é uma onda pesada, tubular e mais a feição para caras como JJF, Parko e Kelly. Com as opções de The Box e North Point, duas direitas quadradas, acho bem complicado qualquer goofy vencer este evento, ganho apenas por Occy e Tom Carroll, os dois backsides mais potentes da história do surf mundial.

Como Wilko não tem um histórico muito bom em ondas como Fiji, Teahupoo e Pipeline, diria que apenas J-Bay seria um pico onde ele poderia tornar a vencer. De qualquer forma, duas vitórias, algumas semifinais e um tanto de quartas podem lhe dar a consistência necessária para levar o caneco, assim como Adriano de Souza o fez em 2015. Ainda tem que contar com os tropeços dos reais favoritos como Medina, Toledo, Florence e Parkinson, que ao meu ver, são caras que certamente vão fazer finais neste ano.

Creio que será mais uma temporada equilibrada, onde a decisão deve acontecer no Hawaii, na última etapa. A favor de Matt, a comprovada capacidade de seu coach Glenn Hall, um surfista mediano, mas muito inteligente, que está sabendo conduzir seu pupilo a um nível de concentração elogiável, visto que o aussie soube exatamente o que fazer para virar baterias ou manter-se na frente usando com destreza a prioridade, o que poucos Top sabem fazer. A sorte acompanha quem trabalha e a dupla Wilkinson/Hall é quem mais está suando nestes 30 dias iniciais de Circuito.

Como penso que o talento, na maioria das vezes, supera o esforço, continuo apostando minhas fichas numa vitória de um cara menos surpreendente. Não fosse a contusão de Filipinho, o tirando de duas etapas, diria que o garoto era a bola da vez. Não fosse a falta de sintonia de Medina com seu equipamento na perna australiana, apostaria cegamente nele. Não fosse a idiotice de Florence de perder duas bateria ganhas nos minutos finais para Stuart Kennedy (na Gold Coast) e Caio Ibelli (em Bell’s), onde tinha a prioridade e a perdeu bobamente, cravaria seu nome no topo. Como o “se” não é o “foi”, Matt Wilksinson lidera a WSL com 100% de aproveitamento, numa mistura de aplicação, competência e porque não dizer, acaso. Cabem aos bambambãs mostrar serviço e fazer virar realidade o favoritismo. Enquanto isso, o” espantalho aussie” saboreia a camisa amarela, que tem muito mais cara de preta e branca listrada. Se ele será o cavalo que desponta na frente mas sucumbe no final, só o tempo dirá. Mas minha aposta é que este cavalo tá mais pra paraguaio do que para um puro sangue inglês.

Wilko teve estrela na escolha de onda em bells. Foto: WSL

Wilko teve estrela na escolha de onda em bells. Foto: WSL

3 Responses

  1. Rossi 5 de abril de 2016 / 15:29

    Depois do título de Adriano de Souza em 2015, provando que o que vale são os 30 minutos de bateria. Se um surfista da elite estiver com um bom equipamento, a parte física em mental forte, ele tem plenas chances de ser campeão. Uma boa estratégia na bateria consegue reverter deficiências técnicas dos atletas. Com certeza o Adriano de Souza conseguiu mostrar isso para o mundo.

  2. Ding Dong 5 de abril de 2016 / 22:06

    Abrasp esconde mudança de regra de wild card para WSLvisando atrair atletas mas alteração comandada por Ceceu torna se pública mas Sem comentários se omite
    Coragem ombres !!!

    • Guaraná 6 de abril de 2016 / 10:24

      Meu caro, a Abrasp não esconde nada de regras. Duas vagas são da WSL e duas regras são do promotor de eventos, no caso o Sr. Xandi Fontes. Por a Prefeitura do Rio ser a maior apoiadora, uma destas duas vagas é da FESERJ. A outra continua sendo do Xandi. A Abrasp não dá um pitaco sobre qualquer eveto internacional no Brasil.

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