Resultado pífio

Meus últimos textos tem exaltado os resultados do surf brasileiro, que passa pelo melhor momento de sua história. O título de Gabriel Medina foi a consolidação de anos de trabalho, aumentando muito a visibilidade do nosso esporte no Brasil, conquistando novos espaços junto ao mercado. Além disso isso, seguimos no caminho certo com dois atletas na liderança do ranking CT 2015, tendo boas possibilidades de trazer mais um caneco para o nosso país. Nossos atletas passaram a ser respeitados e temidos em todas as competições da primeira e segunda divisão do WSL.

O efeito Medina foi tão benéfico que o WCT do Rio foi algo fora do normal. A invasão das areias da Barra da Tijuca, por uma multidão de pessoas, deu uma nova dimensão do patamar que o esporte alcançou. A volta do Super Surf também veio no bonde do efeito Medina. As grandes empresas estão de volta, querendo investir, mesmo nesse momento de crise que o Brasil atravessa, mostrando que o surf está entrando numa nova fase ascendente.

Toda essa empolgação acaba quando vejo o resultado do Brasil no ISA Surfing Games 2015, na Nicaragua, onde nossa equipe ficou na vigésima primeira colocação, atrás de Escócia e Suíça. Nunca tinha visto um resultado tão fraco do surf brasileiro em competições internacionais. O que houve ? Pelo que tenho lido e apurado, os atletas tem ido competir por conta própria, já que a CBS não tem recursos, nem patrocinador, para levar a garotada. Com certeza não vão os melhores, mas aqueles que tem condições de se bancar. Acredito nas dificuldades que a CBS deve estar passando nesse momento de crise, mas a questão aqui não é falta de grana, mas de organização. Na minha opinião é melhor não participar das competições internacionais sem o mínimo de organização e estrutura para nossos atletas. É melhor não participar do que ter um resultado tão pífio como esse.

O surf de base do Brasil está passando por um momento delicado. O Circuito Brasileiro Amador está enfraquecido, sem participação de equipes fortes, como de SP e SC, que abandonaram as competições por questões políticas. As etapas do circuito estão concentradas no nordeste, causando um descontentamento para as federações do sul e do sudeste. O racha é visível, e se não houver uma mudança imediata, acredito que as coisas só piorem. Morei anos no nordeste e achava complicado os nordestinos competindo sempre no sul e sudeste. Não acho que a concentração das etapas no Nordeste seja o problema mais grave, pois por anos foi ao contrário. Mas acho que deve haver um equilíbrio, onde todos saiam de certa forma beneficiados. Independente dos problemas existentes, tem que haver um consenso para o circuito voltar ao seu rumo normal.

Ainda, uma série de reportagens, feitas pela Gazeta Esportiva, durante a etapa do Oi Rio Pro, abalaram mais ainda a credibilidade da CBS, tornando mais difícil para a entidade unir suas filiadas em torno do seu trabalho. Sem credibilidade nenhum trabalho digno segue em frente.

O resultado da Nicaragua, que está sendo chamado de vexame de Popoyo, tem que ser o começo de um novo rumo para o surf brasileiro amador. Algo tem que ser feito para a retomada dos resultados de nossas equipes amadoras em competições da ISA. Temos que criar novas gerações para o esporte continuar crescendo. Sem um circuito de base forte, e um mínimo de organização, vamos dar outros vexames, com certeza.

A equipe da Costa Rica foi a grande campeã do evento. Foto: Divulgação ISA

A equipe da Costa Rica foi a grande campeã do evento. Foto: Divulgação ISA

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