Pinga o Sr Competência

Conheci o Pinga nos primórdios do Circuito Brasileiro de Surf. Ele trabalhava na Quiksilver e eu era técnico do Eraldo Gueiros e do Carlos Burle. Eraldo tinha saído da Cyclone e logo agilizou um patrocínio na Quiksilver. Nossa amizade começou nesta época.
A equipe da Quik era uma das melhores do Brasil. Picuruta, Pedro Muller, Wagner Pupo, Renato Wanderley e Mariano Tucat eram membros do time. Pinga tinha o maior zelo pelos dois últimos, os mais novos, principalmente pelo Renato, que tinha um potencial enorme. Planejou a carreira do garoto,  que foi o primeiro de muitos que ele conseguiu colocar na elite do surf mundial. Começava naquele momento a surgir o melhor manager do surf brasileiro até hoje. Posso afirmar isso pelo seu histórico e pela quantidade de atletas bem sucedidos que tiveram sua ajuda. Além de manager, trabalhou na Reef como gerente de marketing, e montou uma equipe muito respeitada, com grandes nomes do surf nacional. Mineirinho, Jihad Khodr, Raoni Monteiro, Bruno Santos, Marcondes Rocha, Bernardo Pigmeu, Heitor Alves, Gilmar Silva, entre outros.  Todos meninos na época, com um grande futuro. Sua preocupação foi sempre produzir novos valores para o surf brasileiro. Com esse pensamento, criou as etapas Pro Jr da Abrasp, em parceria com a entidade.

Sempre teve um olho clínico para descobrir talentos. Como falei, Renato Wanderley foi o primeiro.  Depois de Dadá Figueiredo, foi o atleta mais criativo que surgiu. Fazia manobras com uma facilidade impressionante. Faltou a ele um pouco de cabeça para chegar mais longe na carreira. De qualquer forma, teve toda a pavimentação necessária para alcançar seus objetivos.  Mesmo com a parceria de Danilo Costa, outro atleta com carreira administrada por Pinga, Renatinho saiu do WCT para não mais voltar. Danilo também ficou pouco tempo, apenas um ano, tempo suficiente para tirar um terceiro lugar em Teahupoo e mostrar ao Brasil que poderíamos evoluir em ondas pesadas, disputando em igualdade com os gringos. Ainda compete em etapas no Brasil e serve de suporte para os garotos mais novos do staff do Pinga. Com certeza teve forte influência na carreira do Mineirinho, outro um achado do Sr competência. Danilo viajou com Mineiro a diversos picos de ondas perfeitas, dando dicas importantes para o amadurecimento dele dentro do Tour. Até nisso Pinga foi visionário.

Adriano de Souza é um vencedor nato. Com 14 anos já vencia uma etapa da divisão de acesso do brasileiro. Falar da carreira dele não é meu objetivo, porque todos já sabem no que ele se tornou. O trabalho feito para ele foi brilhante. Priorizou os estudos e aperfeiçoou seu inglês. Montou várias trips para lugares com ondas da qualidade igual a do circuito mundial. Fez uma parceria com o Instituto de medicina esportiva Mar Azul, com o Dr. Marcelo, onde foi organizado um projeto de desenvolvimento de saúde para atletas de surf, com médico, preparador físico, psicologa, fisioterapeuta e tudo que um atleta precisa. Projeto que o próprio Medina tem usado desde janeiro de 2013. Esquematizou para morar Austrália e depois na California, ficando perto de seu patrocinador até então, a Oakley, com toda estrutura de um campeão mundial. Foi o primeiro atleta brasileiro que teve um planejamento feito para o Dream Tour da ASP. Mineiro foi bem sucedido e hoje ele figura sempre entre os 10 melhores do mundo. O casamento se desfez, mas o trabalho deu grandes resultados.

Pinga e Mineirinho juntos na vitória da etapa do Rio em 2011. Foto:ASP Kirstin

Pinga e Mineirinho juntos na vitória da etapa do Rio em 2011. Foto:ASP Kirstin

Da mesma forma que colocou Danilo Costa como suporte para o Adriano, colocou Adriano como exemplo para Jadson André e Miguel Pupo, dois novos talentos que despontavam. Todos tinham o mesmo patrocinador, o que facilitava ainda mais o planejamento e montagem de uma estrutura sólida para seus atletas, que conta até com pré temporada antes de começar o tour, fora uma ambientação desde cedo em algumas etapas do WCT, para que já vejam como é, conheçam os atletas, as ondas, e como funciona o circuito mundial. Tudo muito bem planejado e executado.

E o que aconteceu? Todos emplacaram. Miguel mudou de patrocinador, seguiu seu caminho sozinho e agora voltou para o trabalho que sempre deu certo. A fórmula de sucesso continua, e neste último fim de semana Italo Ferreira, mais um atleta da nova geração brasileira, chegou ao seleto grupo do WCT.  Se analisarmos com calma, dos sete garantidos no WCT 2015, quatro foram crias do Pinga, provando a competência do seu trabalho. Pensando na frente, já está montando o planejamento de um novo ciclo de atletas jovens, na faixa de 11 a 16 anos, que estão entrando na fase de transição para seguir o tour. Alguém dúvida que ele vai ser bem sucedido?

Italo Ferreira carimbou seu passaporte para o WCT 2015. Foto : Surfguru

Italo Ferreira carimbou seu passaporte para o WCT 2015. Foto : Surfguru

3 Responses

    • admin 15 de fevereiro de 2017 / 20:03

      Obrigado

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