Panela de pressão

O tão esperado título do WCT 2014 não veio na etapa de Portugal. A ansiedade pela conquista do caneco inédito tomou conta da comunidade do surf brasileiro, mas Medina não conseguiu passar da terceira fase do evento, deixando a disputa para a última etapa, em dezembro, no Havai. Kelly Slater, seu concorrente direto até então, sucumbiu no mesmo round.  Mick Fanning, pouco comentado antes do início da prova, chegou no lugar mais alto pódio e chegou junto nesta reta final. Sinceramente, o que me preocupava era a possibilidade do John John chegar a final e entrar na briga pelo título. Imaginem Gabriel Medina com três oponentes que surfam muito bem em Pipe, última etapa do tour. Se a pressão já está grande, como seria com a possibilidade de um local e ídolo do pico, e dos havaianos, tendo alguma chance de deixar o trofeu lá mesmo ?  Medina escapou desse stress.

Não concordo com a histeria de muitos que acham que babou o título. Estou no grupo que acredita muito nesta conquista. Kelly Slater pode ser o maior vencedor do Pipe Master, mas precisa vencer e torcer contra um nono de Medina. Impossivel ? Sei que não, mas acredito no surf e na determinação que levaram o brasileiro ao topo do ranking. Me preocupo mais com Mick Fanning do que com o careca, que não está no seu melhor momento. A pressão está forte na cabeça do americano, que quebrou a prancha em três pedaços, após sua eliminação em Portugal. Ele sabe que perdeu a melhor oportunidade de diminuir a diferença de pontos entre os dois e de colocar mais pressão em Medina. Agora só resta a ele torcer por tropeços do líder e de Mick Fannning, e fazer seu papel da melhor forma possível. Mick Fanning tem várias possibilidades de chegar na frente dessa disputa, mas terá que aguardar pela performance do brasileiro para descobrir suas reais chances. Ele nunca ganhou o evento, e sua melhor colocação foi um terceiro em 2013. Suas chances podem crescer se as ondas vencedoras forem as do Backdoor. Medina só depende dele. Cada bateria que passar vai dificultar mais a situação de Mick Fanning. Acredito no título pelas atuações de Medina em Teahupoo e Fiji em 2014 e na participação dele no Pipemaster de 2013, onde fez uma apresentação digna de comentários. Vejo ele mais preparado e determinado que seus concorrentes. O único senão é a experiência de Kelly e Mick em retas finais de circuito. A pressão será fortíssima e nessas horas tem que ter cabeça no lugar, principalmente para quem vai encarar um dos vencedores da triagem que será organizada antes do evento. Serão 32 atletas, especialistas em Pipe, sedentos para chegar no evento principal. A ASP resolveu distribuir 100 mil dólares para os havaianos da triagem e acalmou os ânimos dos locais, que estavam exaltados. Os dois primeiros desta classificatória vão enfrentar os melhores do ranking no round 1, no caso Gabriel Medina e Mick Fanning. Pode ser um começo de evento bem tenso para os dois. Kelly Slater, por outro lado, começa com a vantagem de não encarar ninguém vindo da triagem. Além disso, conta com uma bagagem neste evento que o aponta como um dos favoritos.

Kelly Slater está sentindo a pressão. Quebrou sua prancha em três, após a derrota em Portugal. Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado

Kelly Slater está sentindo a pressão. Quebrou sua prancha em três pedaços, após a derrota em Portugal. Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado

O Pipe Master vai ser para cardíaco, mas tenho fé em tudo que foi conquistado por Medina. Poucos acreditavam nele na perna Austráliana e ele venceu na Gold Cost. Saiu de lá com a liderança após três etapas . Depois de perder no Brasil, muitos falavam que ficaria difícil, pois o novo líder, Kelly Slater, era imbatível em Fiji. Venceu Fiji e reconquistou a liderança. Na sequência foi para JBay sem nunca ter surfado aquela onda e manteve a liderança com uma quinta colocação. Foi para o Taiti sem muita expectativa da torcida brasileira e levou um dos melhores eventos que já ví, derrotando Kelly Slater na final, abrindo ainda mais a distância na liderança do tour. Fez quartas em Trestles e na França, chegando a Portugal com chances de fechar a fatura antecipadamente. Infelizmente não deu. Acredito muito na força dele nas adversidades. Posso estar enganado, mas acho que ele leva, mesmo nessa panela de pressão.

Gabriel Medina está focado, mesmo com toda pressnao em cima dele. Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado

Gabriel Medina está focado, mesmo com toda pressão em cima dele. Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado

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