Owen Left

A atuação de Owen Wright, em Fiji, foi algo para ser lembrado pelos amantes do esporte por algumas décadas. Conseguir quatro notas dez no mesmo evento é algo que nunca tinha visto. Alias, os juízes da etapa poderiam ter dado mais algumas notas dez, que ficaram no 9,93. Não acho muito legal deixar de dar um dez por detalhes mínimos. Até porque o dez as vezes é doze, como na onda surfada por Joel Parkinson na bateria do round 4. A subjetividade do julgamento permite essa diversidade de opiniões. Por isso muitos viram a vitória de Italo Ferreira sobre Julian Wilson, o que não ocorreu. Particularmente acho que o Julian venceu a bateria. Foi mais comprometido com a procura do tubo profundo e pegou a melhor onda da bateria, um 9,43, colocando para dentro de uma bomba de Cloudbreak. Italo foi o melhor brasileiro na competição. Ficou na mesma colocação de Wiggolly Dantas, mas mostrou muita inteligência, comprometimento e disposição nas suas apresentações. Para quem tem pouca bagagem nesse tipo de onda, superou muito a expectativa de todos. Tem tudo para ser o Rookie of The Year de 2015. Acredito nele como protagonista e não como coadjuvante no tour. Wiggoly é um cara cascudo nesse tipo de onda e seu resultado não me surpreendeu. Suas longas temporadas de Havai, com bons resultados em eventos do QS em Pipe, o credenciam a ter boas performances em ondas espetaculares.

Owen Wright se tornou um mito em Cloudbreak.Foto: WSL/Kirstin

Owen Wright se tornou um mito em Cloudbreak.Foto: WSL/Kirstin

Adriano de Souza continua na liderança do ranking, apesar de dois últimos resultados ruins. Em Fiji foi surpreendido por um Dane Reynolds empolgado com o convite para participar da etapa. Nem a competitividade de Mineiro foi suficiente para controlar as poderosas patadas de back, e os tubos do americano. Adriano e Filipe Toledo, que começaram a etapa com uma situação confortável no ranking, já estão vendo alguns atletas se aproximando.  Owen Wright,  Mick Fanning e Julian Wilson, estão chegando junto.  Acho que a briga pelo título vai ficar entre esses cinco, mas se o Taj Burrow, que está em sexto, for bem em J Bay, coloco ele na minha lista.
Julian Wilson entra forte na disputa pelo título de 2015. Foto: WSL/Kirstin

Julian Wilson entra forte na disputa pelo título de 2015. Foto: WSL/Kirstin

Filipe Toledo precisa ganhar experiência em ondas como Fiji e Teahupoo para seguir rumo ao seu titulo. Sua médias ficaram bem abaixo dos melhores da etapa. Faltou arriscar mais nos tubos. Tem boas chances de levar o caneco 2015, mas vai ter que compensar nas etapas que tem tudo para se dar bem, como Trestles e França. Acho que em alguns anos será um surfista completo, difícil de ser batido em qualquer onda.

Gabriel Medina, campeão do Fiji pro em 2014, não repetiu a sua atuação do ano anterior. Está faltando confiança ao nosso campeão para encarar atletas de nível mais baixo que o dele. Esse ano já perdeu para Glen Hall, Keanu Asing e Kai Otto, em condições favoráveis para ele. A equipe que cuida da sua carreira tem que analisar se rumo o trabalho está correto. Os resultados precisam voltar, pois ele se encontra na zona de degola do CT. Para quem foi campeão mundial ano passado é muito pouco.

Outro que tem que abrir os olhos é Miguel Pupo. Atleta de extremo talento, Miguel teve um ótimo inicio em Snapper Rock ,com uma terceira colocação. Depois não conseguiu mais nenhum resultado expressivo. Precisa pontuar na próximas etapas para não ficar dependendo de resultados no fim do ano, como foi em 2013.

Jadson André é um exemplo para todos os atletas do tour. Perdeu para Italo novamente, no round 3, mas vende caro suas derrotas. Sua raça impressiona demais. Pode não ter o mesmo talento de muitos atletas do CT, mas compensa com sua determinação. Acredito que não passe grandes dificuldades para se reclassificar.

Alejo Muniz não está focado na divisão de elite, pois seu retorno ao CT virá do QS, onde ocupa a terceira colocação do ranking. Está aproveitando os convites da WSL para ganhar mais experiência e gás para as competições da divisão de acesso. Poderia ter ido mais longe se não tivesse dado mole na prioridade,contra Mick Fanning, no round 3.

As duas próximas etapas serão cruciais para a definição do título. Analisando friamente as possibilidades dos cinco primeiros do ranking, Mick Fanning leva alguma vantagem em J Bay, onde é o atual campeão. Já em Teahupoo, pela performance de Owen em Fiji, acredito que possa repetir a dose no Tahiti.  Os atletas contundidos em Fiji devem voltar e a disputa será ainda mais acirrada com a volta de John john, Jordy Smith e Michel Bourez.  Vamos aguardar !!

Italo Ferreira foi o melhor brasileiro na competição, mostrando muita maturidade para um estreiante. Foto: WSL/Kirstin

Italo Ferreira foi o melhor brasileiro na competição, mostrando muita maturidade para um estreiante. Foto: WSL/Kirstin

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