Os convidados de Fiji

Os desfalques da etapa de Fiji foram sentidos, principalmente pelas condições do mar. Jordy Smith, John John Florence, Brett Simpson e Michel Bourez, não participaram por motivo de contusão. O que John John poderia fazer nas esquerdas longas e tubulares de Fiji ? Só nossas mentes podem imaginar. Michel Bourez, outro que poderia ter um bom resultado em Cloudbreak, deve ter ficado deseperado, assistindo o evento pela internet. Os substitutos dos contundidos não foram muito longe no evento. Jay Davis, que poderia ter ido mais longe, foi massacrado por um Kelly Slater inspirado. Aleho Muniz, que tem participado de grande parte do circuito, até o momento, deu um mole incrível para Mick Fanning e ficou na terceira fase. Aritz Aramburu, sempre competitivo, fez uma bateria dura com Owen Wright, mas perdeu no round 2. O único que vingou foi Dane Reynolds.

Gostaria de entender a WSL em algumas ocasiões. Eles pensam em melhorar o espetáculo do tour, com transmissões de alto nível, divulgações impecáveis nas redes sociais, e outras ações, mas não se importam com dois convites a locais que não tem a menor condição de participar de uma competição deste nível. O que devem fazer profissionalmente os locais Inia Nakalevu e Aca Ravulo? Pergunto isso porque gostaria de entender como dois convidados, que não são atletas profissionais, podem participar de uma etapa do circuito mundial de surf, de alto nível, sem ter algo que vá acrescentar ao espetáculo ou a imagem do produto. Imaginem convidar dois praticantes de basketball amadores,  das ruas de Nova York, para jogar um jogo da NBA. Os caras poderiam até não fazer muito feio, mas seriam engolidos pelos profissionais. A NBA jamais faria tal convite, porque tem muito dinheiro em jogo para dar esse mole. A verdade é que o surf tem coisas que nenhum outro esporte sério tem.

O convidado que realmente agregou ao evento foi Dane Reynolds. Lí muitas mensagens e textos dizendo que o americano tem sido alvo fácil para os prós do circuito. Alegam que falta condicionamento físico, ou falta vontade nas baterias. Até concordo com isso, mas acho que ele tem nível para participar de qualquer evento em ondas de alta performance. Na minha opinião, ele está entre os 10 melhores do mundo nas chamadas ondas dos sonhos. O que ele fez em Fiji é a maior prova disso. Em todas as baterias que disputou mostrou algo diferenciado. Contra Josh Kerr, no round 2, deu uma pauladas no crítico da onda que poucos conseguem fazer. Mineirinho, super competitivo, foi atropelado pela técnica e força do americano. Dane terminou a competição com na nona colocação, e gostinho de quero mais. Não se espantem se a WSL o convidar para participar de mais etapas.

A WSL afirma que não tem mais interesse em realizar triagens antes dos eventos. Porém, Teahuppo é maior prova que os dois convidados vindos da triagem são atletas com boas possibilidades de grandes performances. Não seria melhor ter uma triagem em Fiji para evitar a entrada de atletas que não são profissionais ? Sei que tem custos para isso, mas colocam 100 mil dólares para os locais havaianos numa triagem, porque não gastar um pouco em Fiji. O fato de o Brasil ter um ranking nacional facilita para a WSL, que já tem um nome definido no fim do ano anterior. Mas o circuito passa por lugares onde o único evento é a própria etapa do CT.  Para preservar a imagem do espectáculo, a WSL terá que definir melhor como será feita a escolha de seus convidados.

Dane Reynolds mostrando porque merceia uma das vagas de convidado. Foto; WSL/Kirstin

Dane Reynolds mostrando porque merecia uma das vagas de convidado. Foto; WSL/Kirstin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *