O mau jornalismo

Foi anunciada a punição a Gabriel Medina. Uma multa! De quanto? Ninguém sabe! Porque? Talvez por ter sido um valor irrisório, o que acarretaria uma gritaria enorme por parte da mídia especializada internacional. O que faz um grupo de jornalistas se meter num assunto de pouca utilidade pública envolvendo um atleta campeão do mundo jovem, de um país em desenvolvimento? Só penso em preocupação.

Sim, o lado conservador anglo-saxônico, meio racista, meio falso superior, não está aceitando bem a série de bons resultados dos brasileiros, principalmente em seus domínios (duas vitórias seguidas na capital do surf aussie, em plena Gold Coast) soa como um cataclisma sem proporções, tipo a seleção brasileira de futebol perder para a Argentina duas vezes seguida por 7 x 1, em pleno Maracanã.

Logicamente, existe o outro lado da moeda, onde gente sensata, por exemplo da Austrália, não só aceita esta nova força no surf, como enxerga isso como um desafio positivo na busca de retomar um amplo domínio atrapalhado por três americanos fora de série: Tom Curren, Andy Irons e Kelly Slater. Para os aussies, que já tiveram Mark Richards, Damien Hardman e ainda conta com Parko e Mick, o futuro não parece tão promissor, e talvez por isso tanto pavor do surf brasileiro como atestam alguns leitores exaltados por matérias mais incisivas sobre a possível troca de guarda no surf.

O interessante é que os americanos, até então o “Eixo do Mal”, não parecem se importar com tanto barulho, como estivessem saciados de tantos títulos mundiais. Nem os fãs do WSL nem a mídia ianque de peso, notadamente a mais influente e tradicional do esporte com a Surfer e Surfing se mostram aterrorizados com tantas promessas e até realidade como Gabriel Medina.

Atualmente dirigida por americanos, é inegável que a nova entidade que rege o surf profissional já mudou os rumos de seu negócio, com atitudes que atestam que a filosofia foi mudada. Pode se discutir tudo sobre o EUA, mas é inquestionável a capacidade deles de fazer eventos. E o Tour está bem melhor do que há dois anos, seja na parte de divulgação com a ótima cobertura pela internet ou pelas inovações tentando aumentar a audiência e angariar mais fãs (apesar de eu ter achado meio sem efeito colocar números aleatórios nas lycras do atletas, quando me parece mais razoável usar a numeração para mostrar a posicão no ranking, com seu nome).

Voltando ao assunto da multa imposta a Medina, acho que foi interferência (o padastro do campeão chegou a dizer que “teria sido como pênalti cavado”, que no final das contas é infração) e logicamente tenho certeza de que a entrevista infeliz logo após a bateria contra Hall foi a gota d’água para o Comitê Disciplinar, pois no atual momento da liga, não fica nada bem o seu surfista número um soltar um palavrão ou ser agressivo, em transmissão ao vivo para milhares de pessoas ao redor do mundo. Óbvio que merecia um punição. Que também foi aplacada devido ao pedido de desculpas, para mim extremamente sincero, feito ao próprio irlândes no dia seguinte ao episódio.

O meu amigo e excelente jornalista Steven Allain, acabou de divulgar que “o The Inertia abriu uma petição e está juntando assinaturas que pedem, acreditem, a suspensão de Gabriel Medina do Tour http://www.theinertia.com/surf/medina-samsung-the-axis-of-evil/. O BeachGrit, de Derek Rielly e Chas Smith, rebateu sensacionalmente, fazendo sua própria petição, pelo fim do ódio e preconceito promovido pelo The Inertia http://beachgrit.com/the-inertia-tries-to-get-gabs-suspended-fined/.” Pois bem, com tantas guerras e mortes, todos relativos a religião, cor da pela e opções sexuais, fico chocado que seres humanos usem do âmbito esportivo para propagar tamanho preconceito exagerando um fato isolado sem consequência alguma.

O surf é um esporte individual. Não existe país X país. Ninguém deveria estar preocupado com hegemonia disso ou daquilo. O importante, ao meu ver, é o desenvolvimento do esporte, dos equipamentos, a busca por novas manobras, a evolução dos praticantes, que por ironia, brigam por uma onda nos dias de hoje, quando antigamente deixavam a onda para o próximo. Utopia? Pode ser, mas não deixa de ser um belo desejo. Menos mal que enquanto alguns jornalistas disseminam o negativo, figuras como o aussie Mick Fanning (um exemplo de competidor e rival) dão belos exemplos de respeito com o próximo, esbanjando humildade e sabedoria, demonstrados no Hawaii, quando disputou o título com Medina e Slater. Infelizmente, neste caso, a arte (jornalismo) não imita a vida!

O momento da interferência que gerou toda a polêmica. Foto:WSL

O momento da interferência que gerou toda a polêmica. Foto:WSL

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *