Na Memória

O Eddie Aikau 2016 vai ficar na memória de muita gente. Não só pelo tamanho das ondas, mas pelas performances dos atletas. Acho difícil alguém esquecer dos drops insanos de Ross Clarke Jones, Shane Dorian, John John Florence, e Makua Rothman; do tubo do Kelly Slater; da vaca de Grant Baker;  dos jet skis fugindo da série que fechou a baia. Sinceramente, não tem como esquecer. O evento teve o glamour que merecia.  Eddie Aikau é reverenciado como herói no Havai, e um evento dessa magnitude reforça a importância de sua figura para a comunidade local e mundial.

Ross Clarke Jones e Jamie Mitchel dividindo um bomba em Waimea. Foto: WSL/Keoki

Ross Clarke Jones e Jamie Mitchel dividindo um bomba em Waimea. Foto: WSL/Keoki

O que mais chama a atenção nesse evento é a mistura de gerações. Nomes consagrados de décadas passadas ainda mostram muita disposição e técnica para enfrentar os garotos da nova geração.  Ross Clarke Jones, já está chegando aos 50, quase levou a disputa.  Ficou em segundo, mostrando muito gás para um competidor da sua idade. Cair duas vezes naquelas bombas de Waimea não é para qualquer um. O único que ficou a sua frente foi John John Florence, um dos melhores do mundo na atualidade. Sua facilidade é enorme para surfar qualquer tipo de onda. Arrisco a dizer que ele poderia ser o novo Kelly se tivesse o mínimo de vontade competitiva. Parece que nasceu para surfar as ondas sem compromisso ou regras. Um showman com certeza.

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

Outra coisa que me chamou muito a atenção foi a coragem de Clyde Aikau. Aos 66 anos, Clyde não precisava provar mais nada a ninguém. Foi campeão deste evento, em 1987, e participou de todos os eventos que levaram o nome do seu irmão. Claramente as condições estavam bem complicadas para alguém da sua idade. Ele sabia disso, mas deixou que o respeito que tem pelo nome de seu irmão e sua família falassem mais alto. Foi uma atitude digna de um membro do clã Aikau. Tiro meu chapéu para ele.

Fuga dos jets skis da série que fechou a baia. Foto: Clark Little

Fuga dos jets skis da série que fechou a baia. Foto: Clark Little

Também tiro meu chapéu para Danilo Couto. Nosso único representante mostrou muita determinação. Arriscou um drop quase impossível na primeira onda de sua participação.Quebrou a prancha, não foi bem sucedido, mas chamou a atenção da praia lotada. Depois dropou uma monstruosa que levou o público ao delírio. Os juízes deram 91 pontos de 100 possíveis e depois alteraram a nota para 69. Não sou juiz de ondas grandes, mas de 91 para 69 tem uma grande diferença.  De qualquer forma, fomos muito bem representados.

 

Campeões do Eddie Aikau
1986 Denton Miyamura
1987 Clyde Aikau|Mark Foo
1990 Keone Downing|Brock Little|Richard Schmidt
1995 Não finalizado
1999 Noah Johnson|Tony Ray|John Gomes
2001 Ross Clark-Jones|Shane Dorian|Paul Paterson
2002 Kelly Slater|Tony Ray|Paul Paterson
2004 Bruce Irons|Ross Clark-Jones|Shane Dorian
2009 Greg Long|Kelly Slater|Sunny Garcia
2016 Jonh John Florence/ Ross Clarke Jones/ Shane Dorian

2 Responses

  1. Ding Dong 28 de fevereiro de 2016 / 11:44

    Marcelo
    Olha o que o Alex escreveu mermão
    Logo sobre a abrasp guri onde vc sempre descola uma “sinecura” uma “boquinha” ou como se diz na terra do Eraldo uma “oia”.
    Diz Alex Guaraná:É verdade! 2015 foi o ano dos “profissionais amadores”. Foi um tal de promotor de evento dando cano em competidor e prestador de serviço… Em Saquarema, quem teve que pagar a premiacão dos surfistas foi a WSL, já que os organizadores do evento Prime do WQS não cumpriram com sua parte. Mesmo caso do 6 estrelas de Floripa, que também deu (ou tá dando) canseira em quem trabalhou. Culpa dos Governos dos Estados, principais patrocinadores dos eventos? Da WSL por permitir eventos sem saber se teriam condicões de pagar seus filiados? Dos promotores, por realizar os eventos sem terem a verba necessária? Sim, de todos! A moral da história é que Xandi Fontes é o novo representante da WSL no Brasil e que tem gente que não acredita mais em bla, bla, bla de promotor de evento. Sem contar que o SuperSurf, tão aclamado por voltar e dar peso ao Circuito Brasileiro, tá até hoje devendo neguinho pelo Brasil. Será que o exemplo dos safados dos nossos governantes pegou no surf? Tá parecendo que sim! Mais responsabilidade e menos malandragem é o que precisamos para levantar nosso esporte.”
    Gostaria urgente de um posicionamento seu ou essa situaçao também é “culpa dos surfistas” ?
    Estou fazendo uma monografia chamada “Surfistas são bons garotos” e vc será citado.

    • Marcelo Andrade 29 de fevereiro de 2016 / 14:09

      Bom dia, DING DONG

      O Guaraná falou de algo que está acontecendo e não posso misturar as estações. Trabalhei 10 anos para a ABRASP e tenho grande afeição pela entidade, como pelo surf brasileiro. Porém, divido com ele o blog e não sou de ficar interferindo no pensamento dele. Meus textos tem um tipo de conotação e os dele outra.
      Realmente os eventos no Brasil tiveram esses problemas em 2015 e as reclamações foram enormes nos bastidores. A questão do WQS de Saquarema veio a tona, assim como o de Florianópolis e o da Bahia. No Supersurf a mesma coisa.
      Quanto a “boquinha “, que você se refere, não estou preocupado se vão continuar me chamando ou não. Faço o meu trabalho da melhor forma, e deixo os organizadores a vontade para escolher quem quiser. Como disse não misturo as estações.
      Gostaria de ver sua monografia. Achei interessante o tema.
      Ding Dong é seu nome ?

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