Momentum Generation X Geração Brazilian Storm

Assistindo a etapa de Trestles do WCT, ou WSL (World Slater League? rs), não me canso de pensar em como os brasileiros estão se destacando. A última vez que vi uma mudança tão nítida na forma como alguém pratica o surfe, foi quando assisti ao filme Momentum. Gravado em 1992, foi editado e produzido por um californiano de 20 anos de idade na época, chamado Taylor Steele.  Até então, todos os vídeos retratavam a plasticidade de deslizar sobre as ondas em câmera lenta, ondas perfeitas e trilhas sonoras clássicas do surf music da época. Momentum quebrou todos os paradigmas. Com 40 minutos de duração, o foco nas manobras e as ondas ruins traziam o telespectador mais próximo da realidade dos beachbreaks da sua cidade. A trilha sonora punkrock foi um grito de anarquia na época. O filme tinha como astros um grupo de adolescentes recém profissionais de nomes até então desconhecidos, que incluíam Kelly Slater, Shane Dorian, Ross Williams, Benji Weatherly e Rob Machado. Desde seu lançamento, todos que assistiram se tornaram fãs desse grupo de surfistas como crentes de uma igreja evangélica. Qualquer filme lançado após Momentum com intenção de quebra de formato ou inovação em termos de performance é até hoje comparado com pior ou igual a esse clássico. Conseguir uma sessão no Momentum era estar na crista da onda. E 98% dos surfistas que participaram do filme tiveram uma carreira financeiramente saudável. Tanto que o filme se desdobrou até sua 3ª edição. Desde a década de 90 até hoje esse grupo ditou as regras do surfe moderno, rompeu todas as barreiras do esporte e abriu novos rumos para o surfe explodir pelas praias do mundo.

A geração Momentum reunida depois de 20 anos do lançamento do primeiro filme. Fonte: Surfing

A geração Momentum reunida depois de 20 anos do lançamento do primeiro filme. Fonte: Surfing

Adianto quase 20 anos e vejo uma cena no mínimo curiosa em relação a esse grupo. Único remanescente da geração Momentum em atividade no circuito mundial é o Kelly Slater, um E.T fora da curva que dispensa comentários. O resto da geração inteira não está mais na cena competitiva ou liderando qualquer movimento de vanguarda do esporte. Felizmente e por outro lado, literalmente, vejo o mundo inteiro se impressionando e seguindo um novo grupo de recém profissionais. Os brasileiros que foram denominados pelos estrangeiros como a geração Brazilian Storm são hoje para o mundo o que a geração Momentum foi há duas décadas atrás. Ao contrário dos gringos, o grupo tupiniquim ainda não foi representado em filme (o que estão esperando para lançar esse filme?) mas tem as redes sociais como grande mural de exposição tão ou mais forte que uma fita de videocassete. Essa geração é formada por um pequeno grupo de talentosos surfistas que estão reescrevendo a maneira de surfar e ainda dando o troco no placar de derrotas deixado pelos primeiros surfistas brasileiros no circuito mundial. Por todos esses anos é a primeira vez na vida de um fã do esporte como eu que tenho a sensação real de que podemos dominar as próximas décadas. Os “gringuinhos” no colégio vão crescer vendo Medinas e Toledos vencendo e os Kolohes e Julian Wilsons perdendo, assim como víamos nossos Dornelles e Jojós serem massacrados por americanos e australianos.  A distância no nível de surfe dos nossos dinossauros e os deles eram imensas! Para um fã patriota, não era tão fácil perceber isso e continuavamos cegamente torcendo. Avançar uma bateria era uma glória. Me lembro quando amigo nosso, carioca, batalhador do WQS, venceu uma bateria de 1ª fase do Taylor Knox em uma etapa nas Ilhas Reunião, quase fizeram uma festa para o cara. Diz a lenda que renovou patrocínio por mais um ano só por esse feito. Merecido. Era uma luta vencer um membro da geração Momentum. Enquanto nossos adjetivos eram os cutbacks perfeitos de Fábio Gouveia, a deles eram os aéreos no grab e reverses na espuma do cutback de um adolescente havaiano chamado Kalani Robb. Enquanto nos gabavamos em vencer baterias pontuais, eles perdiam as contas dos títulos mundiais do Kelly Slater. A geração de brasileiros fãs de surfe sofreu durante todos esses anos vendo nossos atletas perderem e serem considerados os patinhos feios do circuito.

 

Gabriel Medina impressiona pelas suas manobras inovadoras e competitividade. Fonte: Surfing

Gabriel Medina impressiona pelas suas manobras inovadoras e competitividade. Fonte: Surfing

Hoje somos a galinha de ouro da história. Em termos de competitividade, Medina é o novo Kelly Slater. Jadson André lembraria um novo Kalani Robb no quesito velocidade e manobras aéreas. Adriano de Souza como novo power surfing de borda seria nosso Taylor Knox. Miguel Pupo com seu estilo leve e fluido traz um quê de Rob Machado. Felipe Toledo traz a ousadia e inovação que Shane Dorian representava na época que surgiu na cena mundial. Alejo Muniz e suas rasgadas fortes completaria o nosso time no lugar do Ross Williams. Usem a criatividade e achem o membro Momentum que mais se adeque a seu ídolo Braziliam Storm. Hoje a diferença do surfe do Felipe Toledo para os demais atletas do tour é gritante. É o novo versus o velho. Dia versus noite. Entretenimento versus emprego. Deephouse versus Sertanejo. Dólar versus peso argentino. A geração Momentum ainda é relevante? Com certeza seu legado sim. Kelly Slater sim. Agora, a geração Brazilian Storm é muito mais. É natural que os demais abram caminho para as melhores performances acontecerem. Foi assim antes e será a partir de hoje também. Apesar de nem sempre o ranking comprovar isso, a esquete canarinho irá trazer um título mundial para nosso lado isso é um fato aceito por todos. Quem viver verá.

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