Hells Bells

Assisitir a uma etapa do WCT pela televisão não tem preço. Gostei bastante de ver meus amigos Renan Rocha, Edinho Leite e Tiago Brant, fazendo a transmissão do evento praticamente de cabo a rabo. Na minha opinião, achei o trabalho da ESPN muito bem feito, mas sei que os críticos de plantão estão ai para criticar, sempre. Não estou aqui para analisar se gostaram ou não da transmissão e sim falar do evento. Supersticioso que sou, acho que a mudança de nome da entidade para WSL não deu muita sorte, no quesito onda, para os eventos do tour. Snapper Rocks não quebrou clássico e Bell’s teve poucos momentos de ondas boas. Não queria ser o Kieren Perrow nestes momentos.

Na primeira fase já podemos entender porque Bell’s é uma onda meio ingrata para os Goofies. Para explicar melhor o que digo, o último campeão foi Mark Occhilupo, em 1998.  Apenas três atletas com esse posicionamento na prancha chegaram ao terceiro round sem a repescagem . Gabriel Medina surfou contra um Matt Bating sem pressão e com um convidado sem condições técnicas de participar de um evento desse porte, o local J. Van Dijk.  Nat Young foi outro que conseguiu passar direto para o terceiro round. Vice em 2013, o americano de Santa Cruz foi superior a Michel Bourez e Dusty Payne. Sua onda local, Steamer Lane, tem muitas semelhanças com Bell’s . O terceiro classificado foi um dos melhores surfistas de backside do tour, o australiano Owen Wright, que bateu os brazucas Jadson André e Filipe Toledo. Não foi coincidência os três serem os goofies mais bem colocados na competição. Da respescagem se salvaram Matt Wilkinson, Fred Patacchia e Jadson André, todos batendo adversários goofies como eles.

O terceiro round começou sem a presença de três brasileiros. Italo Ferreira, Wiggoly Dantas e Miguel Pupo, que tiveram bons resultados na primeira etapa, deram adeus a competição na segunda fase. Continuamos nossa campanha com boas possibilidades, pois Adriano de Souza e Filipe Toledo estavam impressionando os juízes com suas performances. Bateram Adam Melling e Sebastian Zietz, respectivamente. Gabriel Medina, o atual campeão mundial, seguia acreditando que sua reabilitação da etapa da Gold Coast viria nesta etapa. Depois de um começo desastroso em Snapper, Medina tinha que provar que foi apenas um descuido a derrota para Glen Hall. Venceu outro convidado, Mason Ho, mas sem repetir as exibições de 2014. Parece que a derrota na primeira etapa o deixaram um pouco inseguro. Ao contrário de Medina, Jadson mostrava muita confiança para derrotar um dos favoritos do evento Taj Burrow. Com muita raça e determinação, o potiguar fez uma escolha de ondas primorosa, e não deu chances ao azar.

Adriano de Souza foi nosso melhor representante na etapa, terminando com a segunda colocação. Foto: WSL

Adriano de Souza foi nosso melhor representante na etapa, terminando com a segunda colocação. Foto: WSL

No round 4, mas conhecido como no loser, Adriano de Souza e Filipinho Toledo continuaram arrepiando e seguiram direto para as quartas. Os dois estão acreditando muito no título em 2015, e com os bons resultados nos dois primeiros eventos do ano, certamente vão ficar na disputa até o final. A confiança de Filipe e a determinação de Adriano são suas maiores armas. Gabriel Medina, novamente surfando abaixo de sua capacidade,  ficou em terceiro na bateria vencida por Owen Wright. Jadson não repetiu a atuação contra Taj e foi para mais uma repescagem. Dos dois brasileiros no round 5, apenas Medina seguiu para as quartas. Venceu o americano Kelly Slater numa bateria bem disputada, mas de poucas emoções. Precisou apenas de uma onda com três manobras para vencer o pouco inspirado Slater. O mar não estava ajudando muito, com ondas irregulares e espectáculo sofrível.  Jadson parecia mais adaptado naquelas condições do que Mick Fanning, mas a maneira como o australiano usa a borda, mesmo nas ondas deformadas, mostra que ele é outro grande candidato a disputar mais um título. Impressionante a velocidade e pressão que coloca no bowl de Bells.

As quartas começaram com um confronto brasileiro entre Adriano de Souza e Gabriel Medina. Pelo que apresentaram durante a competição, deu a lógica, com vitória de Mineirinho. Gabriel parecia preocupado em resolver logo a disputa e escolheu mal suas ondas. O mar estava muito ruim, mas com calma e bom posicionamento, Adriano mostrou uma tranquilidade necessária para vencer a bateria em 10 minutos. Nosso outro representante nas quartas, Filipe Toledo, caiu diante do competitivo Nat Young. Filipinho precisa conter a ansiedade em momentos de pressão. Seu surf está acima da média e só falta um pouco de maturidade para não sair mais do topo. É um surfista com um potencial imenso, com todas as possibilidades de chegar ao título mundial. Nesta fase rolou uma das melhores baterias do evento, entre Mick Fanning e Jordy Smith. Confesso que torcia para Jordy, mas Mick Fanning tem o surf muito encaixado neste tipo de onda. Usa muito a borda e os espaços da onda, variando as manobras o tempo todo, com velocidade e pressão. Bateria de gigantes, vencida pelo Autraliano. O Quarto classificado foi Josh Kerr, que foi longe demais pelo o surf que apresentou.

As semis começaram com a expectativa de uma final entre Adriano de Souza e Mick Fanning. Adriano passou fácil por Josh Kerr e Mick Fanning encarou um adversário extremamente competitivo e seletivo na escolha das ondas. Mesmo dando uma durinha, Nat Young não barrou o favoritismo de Mick Fanning. Restava agora conhecermos o campeão, que sairia da disputa do campeão de Bells de 2014 Mick Fanning, contra o de 2013 Adriano de Souza. Prato cheio para quem estava assistindo ao vivo e a cores. Numa batalha extremamente disputada, os campeões das edições anteriores empataram. Dentro da subjetividade do julgamento de nosso esporte fica a dúvida entre o base e lip muito bem executado por Mineirinho e a pressão e versatilidade de Mick Fanning. Confesso que na hora não consegui definir bem se o julgamento foi justo ou não, mas depois de analisar várias vezes as imagens fiquei com uma leve sensação que Mick merecia a vitória. Independente do que acho, respeito muito quem tem a opinião contrária a minha. Muitos falaram nas redes sociais que Mick Fanning é australiano e patrocinado pelo patrocinador do evento. Sinceramente, não acredito nisso. Acho que ele foi o melhor surfista do evento, e chegou ao seu quarto título nessa praia com méritos.

Mick Fanning surfou com muita velocidade e pressão, conquistando o seu quarto título em Bell's. Foto: WSL

Mick Fanning surfou com muita velocidade e pressão para conquistar o seu quarto título em Bell’s. Foto: WSL

O feminino terminou ontem e pela terceira vez consecutiva Carissa Moore levou o sino para casa. Desta vez superou a australiana Stephanie Gilmore, atual campeã mundial, com seis títulos em sua carreira. Acredito que a disputa do tour 2015 ficará entre as duas,  mas Tyler Wright e Sally Fitzgibbons podem impedir que isso aconteça. Silvana Lima terminou na nona colocação. Está surfando muito, mas quando bate de frente com a melhores do circuito não consegue superá-las. Ainda acredito que possa chegar junto do grupo das quatro que citei anteriormente.

Margareth River começa semana que vem e a previsão é de ondas grandes e volumosas. Torço para que os brasileiros estejam preparados para essas condições. Sair da Austrália com bons resultados é fundamental para o resto do tour, ainda mais tendo o Brasil como quarta etapa.

Carissa Moore conquistou seu terceiro título consecutivo em Bell's. Foto : WSL

Carissa Moore conquistou seu terceiro título consecutivo em Bell’s. Foto : WSL

 

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