FILIPE TOLEDO FEZ O SURFE DECOLAR

Por Pedro Falcão

 

Nem o mais otimista poderia prever um público tão ávido pelo surfe e um surfista tão determinado e preparado. Filipe Toledo ditou o ritmo, levantou a galera que entupiu a praia da Barra da Tijuca e transformou o esporte. A partir desse evento uma nova história começa a ser contada. Alguém já imaginou como conter a multidão em 2016? Pelo jeito que os brasileiros saíram do Rio, com a liderança e a vice-liderança do ranking mundial, vem coisa boa por aí.

Mas o que está na cabeça é a etapa da WSL desse ano. Quem fez parte não pode reclamar. Os patrocinadores saíram da praia em êxtase. Oi, Jeep, Corona, Guaraná Antarctica, Copertone, Samsung, (se esqueci alguém desculpe!) tinha marca dos mais diferentes segmentos, para todos os gostos. Só não tinha marca de surfwear…

E o mercado realmente fica um pouco de lado nesse momento. Na batalha para agradar patrocinadores e o poder público, o espaço e a atenção para a comunidade do esporte ficam reduzidas. Não que assistir da areia seja desmerecimento. Mas tem gente que merece estar em um plano acima, para assistir uma festa em que têm alguma responsabilidade nessa história.

A estrutura estava equilibrada, confortável para os convidados, competidores, imprensa e comissão técnica. Fora, uma área de ativação dos patrocinadores, com muitas atividades, cumprindo o papel. Alguns pequenos problemas com o sinal de internet alardeada pela imprensa e o credenciamento… Mas isso faz parte do jogo. Os organizadores estão de parabéns. Não é nem um pouco fácil fazer um evento desse tamanho, com um público dessa dimensão, em um espaço aberto.

O local do evento é um dos mais propícios da Barra da Tijuca. Mas realmente tenho dúvida se a Barra é o lugar único para abrigar um evento com atletas desse talento. Uma Fórmula 1 andando em uma estrada esburacada. Filipe Toledo ignorou as condições com atuações perfeitas. Local de Ubatuba, Filipinho dominou os adversários com um arsenal de manobras incríveis, com destaque para os aéreos.

Em condições difíceis os brasileiros dominaram as ações. O potiguar Ítalo Ferreira, o também potiguar Jadson André, o paulista Adriano de Souza, o também paulista Gabriel Medina. Todos levantaram o público nas vitórias e derrotas. Ainda está faltando a estrela dos paulistas Miguel Pupo e Wiggoly Dantas brilhar. Ainda tiveram a experiência única de competir na elite mundial os paulistas Alex Ribeiro e David do Carmo, em sua segunda participação.

Não sei se repararam, mas no Rio de Janeiro, na principal etapa do Circuito Mundial em toda a América do Sul não há a participação de um competidor do Rio. Não seria surpresa, se a história não escrevesse o contrário até pouco tempo. Nos anos 70, quando começaram os Festivais o domínio do surfe era do Rio de Janeiro. E foi assim nos anos 80. Foi assim nos anos 90. Já nesse século o estado foi perdendo força na formação de novos talentos. Hoje a situação é complicada. Nenhum representante entre os 100 primeiros do mundo. Nenhum representante entre os 20 primeiros colocados no circuito nacional em 2014. Como a cidade que é sede do maior evento de surfe do país não tem um surfista capaz de representá-la? Alguma coisa está errada.

De volta à Barra da Tijuca ficou um gosto de quero mais. A mídia colocou o surfe em um patamar nunca antes visto. Filipinho saiu da praia para o programa da Ana Maria Braga, onde o Mineirinho esteve enquanto se preparava para o evento. O caminho para o esporte está realmente aberto para todo o Brasil em rede nacional. Jovens e velhos, donas de casa… Todo mundo fala de surfe. Resultado de uma geração sem medo, que não amarela diante de qualquer que seja o adversário. Todos agora esperam Fiji, a próxima parada do Tour WSL. Vamos assistir a cobertura no Jornal Nacional. Fala Bonner!

Filipe Toledo fazendo a torcida delirar nas areias da Barra. Foto: WSL

Filipe Toledo fazendo a torcida delirar nas areias da Barra. Foto: WSL

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *