Que tal?

Em Fiji, Medina deu aula de competicão, Slater de conhecimento e técnica para entubar, Taj de como se deve encarar a aposentadoria, mas o que ficou na minha cabeça nestas duas semanas foi como o episódio de estréia do “80 e Tal”, exibido no último dia 14 de junho e que irá passar às terças no canal Off, mexeram com os sentimentos dos quarentões, cinquentões e até sessentões que viveram dias de ouro nos anos 80. Éramos felizes e sabíamos!

Rafael Mellin nasceu naquela década mas com sua sensibilidade e ajuda de quem viveu intensamente aqueles anos, montou uma série de 13 episódios que contará muitas histórias divertidas e saudosas de gente que cimentou de vez a base do surf brasileiro. É óbvio que muita coisa boa e pessoas importantes ficaram de fora pois é impossível colocar todos. E que me desculpem os egocêntricos, o inportante aqui não é quem está na telinha, mas as lembranças representadas por uma grande turma que desfilou pelas praias país afora sonhando em viver do surf e para o surf.

As mensagens das meninas, agoras mães, dos gatões, alguns avôs, todos se referindo a uma época inesquecível, de muitas descobertas e aprendizado, me emocionou profundamente, me fazendo sonhar de novo com as viagens para a praia da Joaquina, palco principal do surf nacional naquela época. Também das esquerdas da Guarda e das direitas da Silveira com pouca gente (comparado a hoje) e muita estrada de barro. Das idas para Maracaípe e Stella Maris, com a galera sempre divertida e acolhedora do Nordeste. Das horas sem fim de surf no Meio da Barra recortado de valas, com minha CG e meus amigos farofados nas areias brancas ou batendo um rango no trailer Pureza.

Sinto saudade da rivalidade entre a Cristal Graffite, Hotstick e Hidrojets no Rio. Da idolatria pelo Cauli. De ver de perto o surgimento do fenômeno Dadá. Dos sábados com o Realce. Das gatinhas da Zona Sul. Da empatia com a turma de Nikiti (Dodô, Porquinho, Gilmar, Tatuí, Dico, Duca…). Dos foguetes do Beto, dos papos com Roberto (Valério), das risadas com Fedelho, Guto e Casquinha, da amizade pueril com Dudu e Guga. De Ubatuba. Guarujá. De descobrir o que eu queria fazer da vida ao conhecer Fafau e ele me fazer escrever meu primeiro texto pro jornal Staff.

Lembro de viajar de avião sem meus pais, da primeira trip de carro, de ter fã clube, de descobrir que em São Paulo tinha muita gente boa como a galera da Ripwave: Renan, Chulé, Pen, Zé Paulo. Das zoações no Joaquina Beach com Duca e Beto Cavalero. Das gaúchas, lindas de morrer. De passar o mês de julho em Garopaba num frio do cão. Do Mistura Fina na Barra, do Adrenalina do Xu. Dos tubos do Postinho. De ver o Brasa, Valdir e o Zulu destruindo no Quebra Mar. De apreciar meu camarada Xandinho desafiando as cracas no seu bodyboard. De ter conhecido Stephany, Mariana, Belinha, Tatiana e Glenda, as verdadeiras sereias dos sete mares.

Nunca vou esquecer do que assisti no Waimea 5000, com Fred X Cauli num Arpoador de gala. Nem de ver o Picuruta na Barra, com roupa de borracha verde e laranja surfando que nem gringo (nesses tempos isso era um baita elogio). De apreciar os estilos de Muga, Teté e Betinho Maluco na valinha do 3100 ou escutar o mestre Meco sobre a arte de esperar a onda certa. De ter meu walkman e escutar sem parar U2, Iron Maiden, INXS, The Cure e Fleetwood Mac. De ir morar no Barramares e conhecer as pessoas que fazem parte de cada pedaço de minha alma, com risos e lágrimas, típicas de uma grande família.

Os anos 80 foram coloridos, criativos, desbravadores. Foi quando vi Free Ride. Quando tive meu calcão Sundek original. Quando tive minha primeira prancha (uma Dick Brewer 5’7″). Quando encomendei minha primeira triquilha com o Roberto Bataglin, irmão do Pedro. Quando tive minha primeira CG a preço de custo. Quando ganhei do meu pai o primeiro colete de neoprene da O’Neill. Quando a menina que fazia a inscrição do Circuito Company/Cyclone ficou com preguiça de escrever meu nome e botou Alex Guaraná, o que acabou virando meu nome de guerra no surf e no jornalismo (eu odiava que me chamassem de Alex).

Recordo também de ficar boquiaberto ao ver Teco surfando e mais ainda ao descobrir que Neco, um pingo de gente, podia ser melhor. De ver Dedé e Jesus crescerem e se tornarem grandes caras. De ver Léo Trigo, Cadu e Marcelus arrepiarem com as pranchas do Pastor. De não acreditar nas ressacas que Rodrigo (Resende) se metia surfando morras impensáveis com apenas 17 anos. De usar os calções Flake dos Marcelos Burla e Magrão (este com papai do céu). De conhecer Wanderley Carbone, um gênio das artes e Marcelo Andrade, um dos meus maiores amigos. Tantas memórias…

O que é a vida sem olhar as páginas viradas? Somos o somatório delas e cada uma tem suma importância em quem você é. Lembrar de ontem é compreender o hoje.

Obrigado “Kid” Rafa pela busca do passado, importante na história de qualquer sociedade.

 

 

 

13 Responses

  1. Sergio Correa 24 de junho de 2016 / 02:40

    Foram anos maravilhosos que nos que vivemos e curtimos ! Nao esquece do Brazil x USA que foi de mais as amizades que apezar da distancia ficarao para sempre! Abracos a todos da nossa GERACAO dourada da qual o Rio nunca mais teve igual!!!) aloha!

    • Guaraná 24 de junho de 2016 / 02:43

      Como esquecer Serginho? E da galera da Wave Gun? Nos divertimos muito em Floripa. Lembra dos uniformes? KKKK Maior onda!!! abs

      • silvio 24 de junho de 2016 / 19:56

        Vlw pela lembrança. Vc e o Serginho Corrêa foram TOP na equipe. Espero que estejam todos bem. Não tem como esquecer e agradecer nossa capa na FLUIR . Um grande abraço e um beijo no coração. Silvio Wave Gun.

        • Guaraná 24 de junho de 2016 / 23:00

          Grande Silvio!! E nosso shaper Zé?

  2. Sergio Correa 24 de junho de 2016 / 02:48

    Foram anos maravilhosos que nunca vou esquecer , grades amigos companheiros de viajens e muita curticao! O time irado que formamos no Brasil x USA , os campeonatos da barra e de ipanema! Amigos que apezar da distancia vao ficar para sempre nas nossas memorias! O surf gigante de ondas assustadoras no pontao do Leblon os primeiros surfs na lage do sheronton !
    Um forte abraco a todos da GERACAO dourada do Rio! Aloha!!!

  3. Antonio Carvalho filho 24 de junho de 2016 / 03:46

    Esqueceu da galera do leblon, brincadeira!!!! sergio correa marrinha meu grande companheiro que escreve acima. Epoca muito boa feliz em ter participado com todos voces. viagens maravilhosas e expectativa sempre de um grande resultado. Os patrocinadores acreditavam muito na gente. parabens pelo seu texto muito inteligente e reportando um pouco como foi as nossas vidas nos 80´s. aprendemos muito com isso e com certeza esta epoca nos tornaram pessoas melhores na vida. grande abarço. antonio tuneca.

    • Guaraná 24 de junho de 2016 / 08:52

      Grande Tuneca!!! Turma da Invicta, do cascudo Marcelo Peninha. Vc, Giorgio (Virzi), Alexandre, Chocolate. Da equipe do Carl com Jorge (Bailey), Duda (Tedesco). De meu amigo e advogado Serginho Chermont. Dos eventos no Country, dos irmãos Amigo. Do pessoal do Arpoador: Smurf, Juninho, Black, Luis (Vasconcelos). Todos gente muito boa.

  4. Markinhos Fortes 24 de junho de 2016 / 04:19

    Guaraná
    Além da emoção e nostalgia do programa dos salgados, vc agora fechou a tampa com esse texto.
    Incrível mas consigo me ver em quase todas as situações que vc descreveu e conheci quase todos Tbm.
    Só faltou uma coisa: a geração abaixo da sua ( eu) ficava babando vendo vc e dico destroçando as valas do Barramares !!!
    Abs e Saudades bro !
    Markinhos Fortes

  5. arnaldo campello spyer 24 de junho de 2016 / 12:06

    Fala Guará ! vi o resumão , qualidade muito boa ! Me deu a impressão que os 80 começaram para a produção , no meio da década….Espero que os 12 capítulos tragam essa metade .na parte dos surfistas de hj , eu troco de canal , essa fixação por qualidade me incomoda , vejo vários documentários gringos com imagens históricas sem qualidade técnica , mas que emocionam , e essa é a ideia ( minha…)
    As drogas foram todas consumidas nos anos 70 …..pelo visto rsrsrsrs..Ainda bem que elas foram banidas do surf nos anos oitenta !!!!! deu a impressão dos caras terem licença para falar do assunto nos 70 por estarem bem longe dos seus parceiros . E o mundo se resumia a Barra da Tijuca kkkkk
    Segue um link , do ESPETACULAR trabalho do Gustavo Cabral DATA SURF , de um evento que espero não fique de fora nessa série .A nossa ideia foi que fosse um novo caminho para o surf competição no Brasil e foi !

    http://www.datasurfe.com.br/2006/11/1982-1-festival-olimpykus.html

    Fui entrevistado pelo Julio Adler no 70 e tal , anos aonde fui um espectador atento . Nos 80 devem ter entrevistado o Perdigão sobre esses nossos trabalhos .Eu como um cara formado nos 70 , tive uma mistura de sentimentos nos 80…..Adorava pensar no surf como negócio , para que vivêssemos daquilo , ver a garotada vislumbrando uma carreira a partir de um calendário sério e consistente era muito legal , mas ao mesmo tempo , ver aquele ritmo yuppie , frenético e consumista me dava uma sensação de que apesar de termos …..( Zé Rodrix e Garabira ) , seriamos por um lado piores ( mais consumistas ) que os nossos pais !
    Larguei o meu trabalho em 1990 . Minha alma 70 não aguentou o tranco .O saco ficou cheio de ver garotos egocêntricos , sem nenhuma formação cultural se achando du caralho e falando um monte de bobagem . Esses infelizmente eram tão chatos que , encobriam os tantos ( a maioria ) caras super gente boa que compunham a família do surf competição
    Pra terminar , o evento da Cristal ( final , julgando da calçada , segunda feira a final ) foi um honra para mim ! Marcos Conde parceiraço casca grossa !
    abraços e continue escrevendo , isso faz bem pra alma !

  6. Karina "Kika" Abras 24 de junho de 2016 / 16:51

    Nossaaaaa!!!!Lendo seu texto parece que entrei no Túnel do Tempo!!!Sensacional!!Me lembro de cada campeonato,das Trips e amizades que carrego por toda vida.
    Me lembro que pedíamos para incluir a categoria feminina mesmo que não tivesse premiação.De dormir nas capas de pranchas porque não tínhamos dinheiro para ficar nas pousadas.Foi uma geração muito feliz e se o surf brasileiro está assim hoje é porque a semente era muito boa.Valeu Guaraná !!!!!!E Aloha para minhas sistemas Joinedille do Vale,Roberta Borges,Tanira Damasceno,Briggite Mayer,Andrea Lopes,Michele Pessoa,Titã Tavares🔝🌊🌊👏👏👏

    • Guaraná 24 de junho de 2016 / 23:01

      Verdade Kika!! Esqueci das meninas: Roberta Borges, Joneidille, Brigite e depois Andréa, vc, Deborah…

  7. Edson Lopes 24 de junho de 2016 / 22:57

    Seu texto e síntese estão afiados, mas muito saudosismo kkkkk, as valas continuam,
    Parabéns e quando estiver na área, deixe para os mais idosos, olha a Lei.

    • Guaraná 24 de junho de 2016 / 22:59

      Pior Edinho é que as valas sumiram!!!! abs

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