Devastador

Confesso que acompanhei a etapa prime de Maresias torcendo para os brasileiros, que estavam na ponta do ranking do WQS, conseguissem os resultados necessários para chegar na pontuação mínima de entrada no WCT.  Sabia que era uma oportunidade para alguns de nossos atletas carimbarem seu passaporte na elite de 2015. Jessé Mendes, Tomas Hermes, William Cardoso e Italo Ferreira tinham chances de chegar ao Havai já com a vaga garantida.  Todos sabem que as etapas havaianas são bem complicadas, principalmente pela presença de locais nas competições.  De todos que citei com chances, apenas Italo alcançou o objetivo, com a terceira colocação que conquistou no evento. O potiguar deu uma arrancada fenomenal no fim da temporada, e com um surf extremente progressivo, abocanhou uma vaga entre os 10 que vão entrar no WCT 2015. Com a mesma garra de seu conterrâneo Jadson André, Italo tem muito potencial e muita coisa para aprimorar, mas com a assessoria de seu manager Luiz Campos, o Pinga, acredito que terá um futuro sólido pela frente.  Tomas Hermes,em oitavo no ranking, tem duas chances para trocar 1300 pontos e tentar alcançar sua vaga. É o brasileiro com mais chances de ser outra novidade brasileira no tour. Jessé Mendes, em décimo segundo, tem que trocar 700 pontos e acredito muito no potencial dele. Tem apenas que conter a ansiedade, pois o peso de estar tão perto atrapalha. William Cardoso, em décimo oitavo, tem dois resultados ruins para trocar. A maturidade no tour pode ajudar o catarinense nesse momento.

Todos esperavam uma grande festa para Gabriel Medina, afinal ele é o líder do WCT e estava participando do evento em sua casa. A expectativa em torno dele não foi correspondida. Suas atuações foram bem abaixo de sua capacidade e sua derrota para Julian Wilson, no round 4, frustrou uma legião de fás que foram para Maresias convictos que ele venceria com facilidade. Parece que seu foco realmente está na disputa do título mundial, em Pipeline. Miguel Pupo, outro local do pico e companheiro de WCT, não conseguiu passar do segundo round. Os  candidatos a protagonistas ficaram olhando de camarote  o fenómeno de Ubatuba destruir a tudo e todos que passaram pela sua frente. Filipe Toledo foi o showman do evento e grande o motivo de orgulho da torcida brasileira.

Como posso descrever a performance de um dos melhores atletas do surf brasileiro no momento ? Devastadora foi o que me veio a cabeça, pois quem acompanhou o evento sabe o que estou dizendo. Filipinho teve na sua pior somatória do evento 15,67, nas quartas de final. De resto foi de 17,80 para cima. Tirou a única nota dez do evento e alcançou três somatórias acima de 19,00. Quebrou todos os recordes de um evento WQS e ninguém apontava outro vencedor que não fosse ele. Basta dizer que todos os seus oponentes ficaram em combinação de notas, inclusive o outro finalista, o australiano Matt Banning. Deu um show, com manobras aéreas, tanto de front quanto de backside. Se ele já é apontado por muitos como o melhor sub 20 do mundo, o que podemos esperar de um atleta tão novo e com tanto potencial ?

Filipe Toledo horrorizando na manobras aéreas.Foto:ASP/Daniel Smorigo

Filipe Toledo horrorizando na manobras aéreas.Foto:ASP/Daniel Smorigo

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