Despedida?

Arpoador? São Conrado? Postinho? Meio da Barra? Macumba? Não, Grumari.

Tantas sedes, tantas dúvidas, mas enfim o evento considerado de maior apelo popular da WSL terá seu palco principal na ainda desbravada Grumari, um local de acesso limitado principalmente por ser uma Área de Preservação Ambiental.

O motivo não foi a falta de ondas boas, nem a tão temida água suja. Apenas uma série de ressacas que envergou a enorme estrutura que estava sendo montada no Postinho.

Relembrando o retorno da etapa do mundial para o Rio, noto que este ano termina o contrato que a Prefeitura carioca (maior patrocinadora do evento) fez com os responsáveis pelo Tour. E visto a enorme repercussão negativa do ano passado em relação a água lotada de coliformes fecais durante a disputa, creio que seria mais fácil, na cabeça dos políticos, não dar sequência a este evento, notando que resolver o problema do esgoto (que é atribuição do Estado) e principalmente o Sistema Lagunar da Barra da Tijuca, este sim responsabilidade do município, é bem mais complicado.

Seguindo este raciocínio, tenho o leve receio de que o Rio vai perder mais um evento internacional, pois com o fim das Olimpíadas e do mandato do Prefeito Eduardo Paes (que não está com cara que vai eleger algum sucessor) me parece razoável que a etapa vá para outro estado, que ao meu ver seria São Paulo.

Ano passado já tinha feito um texto com a sensação de que a etapa 6 estrelas de Maresias caminhava a passos largos para se tornar um evento da WSL. Esta minha compreensão está cada vez mais clara. O Governo do estado de SP, mesmo com problemas financeiros, tem muito mais recursos do que o do RJ por razões óbvias. As praias do litoral paulista tem ondas excelentes, na minha opinião de melhor qualidade do que as da cidade do Rio. E os dois campeões mundiais brasileiros, Medina e Mineirinho, são paulistas. Além é claro de Filipe Toledo, Wiggolly Dantas e Miguel Pupo todos serem do litoral norte de SP. Oras, com tantos fatores a favor, não me surpreenderia nada que em 2017 as cidades de São Sebastião ou Ubatuba recebessem a parada sul-americana da WSL.

Analisando friamente, diria que seria uma solução melhor. Ambas cidades tem estrutura para realizarem este evento. Tem ondas muito boas, principalmente no período do ano onde rola o campeonato, maio. A WSL fugiria do padrão “evento de massa” para uma coisa mais country, já que ambas cidades tem um astral mais natureza do que as grandes capitais. Mesmo com as complicações da distância dos aeroportos, diria que pra se chegar em Margaret River é pior ainda e não vejo a onda de Main Break melhor que Maresias.

Para quem gosta do surf bem surfado, mesmo sendo carioca, prefiro um evento nos moldes que vi no Sundek Classic em 1988, com os melhores surfistas do mundo em ondas épicas na praia de Itamambuca, felizes de vida, num local lindo, numa cidade acolhedora, com alguns problemas logicamente, mas sem esta insegurança e descaso que vemos atualmente no Rio de Janeiro. Uma ciclovia que mata, uma praia que contamina, ondas marrons, vírus de todos os tipos, balas perdidas… Agora, uma penca de atletas avisando que não virão, sem ao menos dar uma desculpa satisfatória, sendo eles dois campeões mundiais do porte de Slater e Parkinson, um fora da zona de classificação para o ano que vem e o outro disputando o título… Já vi este filme algumas vezes e isso me parece final de feira.

Pelo bem do surf, prefiro a mudança, pois sei que aqui nada vai se alterar.

O Rio recuperou o lugar de destaque que o surf tinha perdido na grande mídia.

Mas tá na hora de recuperarmos o espírito que nosso esporte sempre teve na ligação direta com a natureza, preservando-a, coisa que por aqui foi deixada de lado há tempos.

Prainha, Macumba, Grumari, todas são lindas e sensacionais. Mas mudar o evento pra lá só taparia o sol com a peneira.

Sejamos humildes e pensemos no coletivo.

Entre gastar milhões para se fazer um evento e gastar milhões para dar um jeito no que está fétido, prefiro que meu imposto seja gasto na segunda opção, embora saiba que provavelmente ele seja usado em alguma obra mal feita e de caráter duvidoso.

Posso estar até enganado, mas seguindo meu feeling, lá vai: Valeu Rio! Até a próxima!

Filipe Toledo carregado pela torcida brasileira. Foto: WSL

Filipe Toledo carregado pela torcida brasileira. Foto: WSL

 

6 Responses

  1. Paulo Foti 9 de maio de 2016 / 19:48

    Concordo com muitos itens relacionados no texto mas falar.que o litoral paulista possui ondas melhores que o Rio , com certeza não procede.

    • Guaraná 9 de maio de 2016 / 20:03

      Questão de opinião. A minha é embasada em mais de 20 anos surfando em ambos litorais. Lembrando que falo da cidade do Rio e não do estado, pois certamente Itaúna é a melhor onda do Brasil.

      • Sergio Gadelha 9 de maio de 2016 / 22:24

        Dito!

      • Cristiano M. Guimaraes 10 de maio de 2016 / 11:18

        Ubatuba é foda!!! Sempre tem onda. Sempre teve surfista de elite. Muita tradição e é tanto carioca quanto paulista.

  2. Leonardo Abreu 10 de maio de 2016 / 23:35

    Penso que a WSL é uma empresa com fins lucrativos. Desta forma, acho o Rio deve ter dado um bom retorno financeiro para a empresa. Não vejo muita diferença em termos de ondas entre o Rio e São Paulo, então, acho que se São Paulo fizer uma boa proposta vai levar com facilidade. Pensando pelo lado do esporte, acho que o melhor lugar para fazer o WSL no Brasil seria em Noronha. Mas, como um bom carioca, tb acho que um campeonato em Saquarema seria ótimo.

  3. Felipe B 20 de maio de 2016 / 10:50

    Excelente análise. A infraestrutura no litoral norte de São Paulo suportará com folga a movimentação necessária para a realização de uma etapa de grande qualidade.

    Quanto as ondas, sem comentários: Maresia de gala é um desafio para qualquer surfista de classe mundial. A cidade do Rio não merece sediar um evento da WSL até sanar seus problemas mais básicos.

    A cobertura irônica que a Stab fez do evento em 2016 é justa. Vacilamos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *