Crowd de Verão

Tenho acompanhado o novo programa do Canal Off, Crowd Zero, e confesso que me dá uma certa inveja dos três catarinenses que pegam ondas boas sozinhos. O verão é uma época de poucas ondulações e quando elas aparecem a concorrência é fortíssima. Não falo nem de ondas boas, mas de qualquer tamanho acima de meio metro. Aqui no Rio, uma das maiores surf cities do mundo, a quantidade de surfistas na água é algo desesperador. Para aumentar o stress, existe um pouco de falta educação da galera dentro d’água . Como encarar essa situação ? Uns afirmam que o negócio é acordar a noite e chegar no pico com a primeira luz do sol. Outros defendem a paciência e a escolha de picos mais abertos, com maior possibilidade de acolher melhor o crowd. O surf, um esporte que deveria ser prazeroso, se tornou uma batalha pelas ondas no verão carioca. Lembrando que em mar pequeno, as escolinhas, os sups, e os adoradores de marolas, aumentam o contingente significativamente.

Outra coisa que piora muito a situação, para os moradores da cidade maravilhosa ( ? ), é a procura por uma vaga para estacionar. No verão se você não chegar cedo vai ficar sem lugar para seu carro, tamanha é a busca da população para ir a praia. Depois das 8:30 a coisa fica bem preta. Na Prainha a cancela de entrada fecha e não entra mais ninguém. Além disso, se não for cedo vai ter que ficar desviando de banhistas que adoram ficar na frente das pranchas. Imagino que o sonho deles seja levar uma bicada na cabeça. De qualquer forma, a vontade de surfar é tão grande que encaramos isso tudo com normalidade.

Sou fã das colunas do Fred D’Orey, e entendo sua angustia com o crescimento de surfistas no mundo todo. A filosofia do esporte não combina com o crowd mal educado que encontramos nos picos. Nem se fosse bem educado combinaria, pois é uma questão puramente matemática. A conquista de Gabriel Medina, e a consequente exposição na mídia, é um fator multiplicador que assusta ainda mais os apavorados com crowds. Como vamos conseguir tanta onda para essa explosão demográfica de surfistas ? Será que existe solução ?

Muitos acreditam que um pouco de localismo coloca uma certa ordem no pico. Sou contra qualquer forma de agressividade e violência, mas em algumas ocasiões, (poucas) o localismo é uma forma de organizar a desordem, que chega a situações caóticas. Um  amigo meu afirma que o localismo é coisa de gente egoísta e babaca, que quer tomar posse de um lugar público pela força. Concordo com ele, mas comecei a pensar nos meus amigos mais próximos e constatei que quase todos são egoistas dentro d’água, o que mostra uma falta de educação quase generalizada. As vezes o local é mais educado que seu amigo mais próximo. Não estou defendendo o localismo, de forma nenhuma, mas é uma reflexão que estou tendo escrevendo esse texto, e gostaria de compartilhar. Cada caso é um caso, mas com localismo ou sem localismo, vejo muita gente reclamando das disputas nos picos.

A conclusão que chego é que como não há solução imediata, e o melhor é todos melhorarem um pouco na educação, diminuírem  um pouco o grau de egoísmo e curtirem o surf de forma prazerosa. Afinal, um pouco de camaradagem ajuda a melhorar o astral de todos.

No verão o número de pessoas que frequentas escolinhas aumentam muito o crowd.

No verão o número de pessoas que frequentam as escolinhas aumentam muito o crowd.

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