Chutômetro das Ondas

Sábado dia 2/04 – No máximo meio metro nos locais que recebem melhor a ondulação de leste/ sudeste. O vento é oeste fraco pela manhã, passando a sudeste moderado a tarde. Condições fracas, mas pode ter algumas ondas melhores na Prainha, Grumari, Reserva e Joatinga.

Domingo dia 3/04 – No máximo meio metro nos locais que recebem melhor a ondulação de leste/ sudeste. O vento é nordeste moderado pela manhã, passando a leste forte a tarde. Condições fracas, mas pode ter algumas ondas melhores na Prainha, Grumari, Reserva e Joatinga.

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A âncora de Kelly

A etapa de Bells continua trazendo surpresas para os seguidores do circuito mundial. Ainda estamos no meio da competição, mas nomes consagrados já se despediram no round 3. Joel Parkinson, Taj Burrow, Kelly Slater, Adriano de Souza, John John Florence e Gabriel Medina não conseguiram superar adversários considerados mais fracos. Poderia ficar aqui analisando cada caso, mas meu intuito é entender o que faz um atleta 11 vezes campeão do mundo usar equipamentos tão piores que seus anteriores, no meio de um circuito com os melhores do mundo. Olhei vários posts nas redes sociais que concordavam com meu pensamento. As apresentações de Kelly Slater em Snapper Rocks e Bells foram bem abaixo do que estamos acostumados a ver. Tenho certeza que não é a questão da idade, como alguns tentaram justificar seu baixo rendimento.

Kelly Slater ajudou a desenvolver vários modelos de seu antigo patrocinador de pranchas. O modelo Semi Pro, um dos melhores de performances da Al Merrick, é considerado por muitos, ideal para ondas do circuito dos sonhos. O fato de ter comprado parte das ações da fábrica de pranchas Firewire o fez mudar seu equipamento para algo totalmente diferente do que usou a vida toda. Nos tempos de Al Merrick sempre testou modelos diferentes, sendo muitos deles referência para seus seguidores. As surpresas sempre foram positivas e por isso muitos o consideravam um ET. Porém, o que estamos vendo agora pode ser um marketing inverso. Quem vai querer comprar um modelo que piorou em demasia o surf do melhor do mundo por mais de uma década. Será que ele pensou nisso antes de se apresentar desta forma ? Não foi um pouco de soberba testar modelos no meio do tour ? Sinceramente, acho que isso pode ter sido um tiro no pé.

Kelly Slater não conseguiu fazer uma apresentação boa em Snapper Rocks. Foto: WSL/Kelly Cestari

Kelly Slater não conseguiu fazer uma apresentação boa em Snapper Rocks. Foto: WSL/Kelly Cestari

Não quero dizer que as Firewire são ruins, de forma nenhuma. Michel Bourez e Sally Fitzgibbons surfam com as pranchas e arrebentam. Taj Burrow já usou anos, e foi vice campeão mundial com esse equipamento. Filipe Toledo foi outro que já foi patrocinado. Stu Kennedy, um dos destaques da primeira etapa, estava quebrando com um modelo totalmente diferente da normalidade em Snapper, o que não ocorreu em Bells. Porém, Stu surfa de Firewire a muito tempo e está acostumado com os modelos alternativos do shaper Daniel Thomson.

O equipamento do Kelly em Snapper Rocks foi diferente do que usou em Bells. Parecia mais lento e fora do tempo das manobras na Gold Coast. Em Bells, o equipamento pareceu ser muito leve, um pouco lento nas cavadas, mas que funcionava melhor nas sessões mais em pé da onda. Não sei se é falta de adaptação, mas o resultado não foi bom. Ficou em vigésimo quinto na primeira etapa e décimo terceiro na segunda, um começo pífio para um atleta vitorioso nessas duas etapas. A cara que fez ao sair da bateria do primeiro round, e na sua eliminação, no round 3, demonstraram a frustação que estava sentindo.

Questiono a situação que Kelly criou para ele. É um dos donos de uma fábrica de prancha que não conseguiu criar, ainda, uma prancha que tenha o mesmo desenvolvimento que tinha com sua antiga marca, agora concorrente dele no mercado. Está demonstrando isso a nível mundial, para seus eternos fãs. Por isso analiso como um marketing negativo para o comércio do seu equipamento, neste começo da temporada. Se ele vai se adaptar, e quebrar tudo depois, só o tempo dirá.

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Chutômetro das Ondas

Sexta dia 25/03 – Até meio metro, ondulação de sul/sudoeste e vento nordeste fraco pela manhã, passando a sudeste moderado a tarde. Talvez tenha uma brincadeira em Grumari e na Reserva.

Sábado dia 26/03 – Meio metro com ondulação de sudeste e vento nordeste fraco pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores condições : Canto do Recreio cedo, Prainha canto esquerdo e talvez São Conrado canto esquerdo.

Domingo dia 27/03 – Um metro séries maiores, com ondulação de sul e vento nordeste fraco pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores condições : Macumba Rico Point, Macumba Curvão, Grumari canto direito, e Pontão do Leblon.

Têndencia da água – 20 a 21 graus

Video @Ezalx

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Chutômetro das Ondas

— Sábado dia 18/03 Zona Oeste – Meio metro séries maiores nas praias que recebem melhor a ondulação de leste/sudeste. Vento terral pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores opções : Prainha Canto esquerdo, Canto do Recreio e Grumari

— Sábado dia 18/03 Zona Sul – Meio metro séries maiores nas praias que recebem melhor a ondulação de leste/sudeste. Vento terral pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores opções : São Conrado canto esquerdo e Joatinga

Domingo dia 19/03 Zona Oeste – Aproximadamente meio metro, com ondulação de leste/sudeste. Vento Nordeste fraco pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores opções : Prainha e Grumari.

Domingo dia 19/03 Zona Sul – Aproximadamente meio metro, com ondulação de leste/sudeste. Vento Nordeste fraco pela manhã, passando a leste moderado a tarde. Melhores opções : São Conrado canto esquerdo e Joatinga.

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Chutometro das Ondas 11-03

Sábado dia 12 zona oeste- Meio metro, com séries maiores na parte da tarde. Ondulação de sudeste e vento oeste/nordeste fraco passando a sudoeste moderado a tarde. Melhores condições : Canto do Recreio, Prainha e Grumari.

Sábado dia 12 zona sul- Meio metro, com séries maiores na parte da tarde. Ondulação de sudeste e vento oeste/nordeste fraco passando a sudoeste moderado a tarde. Melhores condições : São Conrado canto esquerdo e Joatinga bem cedo e Praia do Diabo a tarde.

Obs : A ondulação de sexta antecipou e pode ser que sábado cedo já tenha meio metrão ou mais.

Tendência da água : Quente

Domingo dia 13 zona oeste – Um metro, com séries maiores na praias que recebem melhor a ondulação de sul. Vento oeste fraco pela manhã passando a sul moderado a tarde. Melhores condições : Grumari canto direito, Prainha canto direito, Recreio postos 10 e 11.

Domingo dia 13 zona sul – Um metro. Vento oeste fraco pela manhã passando a sul moderado a tarde. Melhores condições : Pontão do Leblon e Praia do Diabo

Têndencia sa água – Quente
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Vítima? Nem tanto.

Acabei de ler parte de uma entrevista concedida pela Silvana Lima à BBC no site Waves. Pela enésima vez, ela reclama da falta de apoio, agora para poder disputar o WQS e tentar retornar a elite mundial, a qual deixou ano passado. “Eu não sou modelinho, eu não sou bonitinha. Sou surfista profissional. As marcas de surfwear, na parte feminina, querem modelo e surfista ao mesmo tempo, então quem não é modelinho acaba não tendo um patrocínio, como no meu caso. Acaba ficando de fora, é descartada. Os homens não têm esse problema”, disse Silvana.

Acho que o buraco é bem mais embaixo do que este embate de beleza X competência. No caso, o maior problema de Silvana é o marasmo do mercado de surf feminino no Brasil. Se mal temos marcas, imagine eventos. Na realidade este mercado nunca existiu de verdade, ao menos num percentual digno. O que rolou foi um boom nos anos 2000 em que as marcas gringas aportaram de vez no Brasil e trouxeram a Roxy, Rip Curl Girls e Billabong Girls. Com uma pitada tupiniquim, as lojas se encheram de produtos bacanas e a mulherada, principalmente paulista e sulista, caiu dentro. Sei disso porque ajudei a fazer a FLUIR Girls, que foi o maior termômetro que tive em relação a este assunto.

Mesmo nessa época “dourada”, fechar a publicidade da revista, que tinha pouquíssimas páginas, era uma enorme dificuldade. E o número de exemplares vendidos raramente ultrapassavam a casa dos 2 mil. Muito pouco. Começamos tentando fazer da FLUIR Girls uma revista com padrão masculino, ou seja, matérias com as profisionais, capa de ação e algumas colunas… e o fracasso foi imediato. Depois de algumas reuniões, decidimos deixar a revista na mão de uma mulher, a editora Nilma Raquel, que deu uma repaginada mudando o visual e deixando o veículo com a cara mais feminina. Apesar do grito de um punhado de pros reclamando que isso não daria retorno, foi quando conseguimos melhorar as vendas e atrair marcas de biquíni, beleza e até alguns anúncios de agência.

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Só que este público nunca cresceu, pelo simples fato de que o surf feminino no Brasil sempre foi restrito. Sabendo que grande parte do consumidor não pratica surf, acho que um dos motivos para que a venda de surfwear para as mulheres tenha minguado seja a concorrência de uma enorme indústria de beach wear brasileira, com algumas das melhores marcas do planeta. Neste caso, o nosso ramo não dá nem pro cheiro. E esta, para mim, é a principal resposta as queixas de Silvana.

A questão me parece maior do que ela não se achar linda, mas sim não ter consumidoras para bancar o sonho da cearense de viajar o mundo competindo e curtindo. As marcas de surf vivem basicamente da moda masculina (bermudas, t-shirts, tênis) e os empresários não querem dividir suas verbas para outro segmento. E ninguém tem obrigação, em qualquer negócio, de dar mais e receber menos. Se preferem uma modelinho que mal sabe surfar, talvez seja porque o retorno seja melhor comercialmente, que é o que importa no fim das contas. Ou até porque é bem mais barato. E as marcas femininas, sejam de roupas ou estética, já tem um modelo de sucesso ligado a beleza. E não será uma talentosa surfista que irá mudar esta cultura, tão incrustada na sociedade, seja boa ou ruim.

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Não adianta comparar a Carissa Moore, que também não é nenhuma brastemp, pois o mercado americano é simplesmente gigantesco e lá a Roxy por exemplo é uma das grandes marcas de beach wear do continente. Num mundo consumista como o nosso, é natural que as pessoas quem possuem uma imagem mais impactante, seja por grande beleza, vitórias globais ou feitos inacreditáveis, sejam levadas mais a sério. E para a infelicidade da Silvana, ela não se enquadra em nenhum destes tópicos. Injusto? Sim! Mas C’est la Vie!

Silvana, teve um bom começo de ano em 2015, ao menos em suas atuações. Mas incrivelmente, depois de reclamar bastante e conseguir um patrocínio da Oi, teve maus resultados não conseguindo se reclassificar para o WSL. Curioso não? Será que o patrocínio da Oi fez mal? Lógico que não! A realidade é que o nível das meninas está muito melhor e Silvana ficou um pouco para trás. É uma grande surfista, precisa de apoio para ficar mais tranquila, mas não é só isso que atrapalha. Tá faltando alguma coisa e isso fica nítido quando se compara o surf dela com a das Top 8. O que não ajuda é culpar os outros pelos insucessos. Se a roda gira para este lado, vamos segui-la. Se tiver que dar um tapa na imagem, que o faça. Mas que isso seja um complemento, pois a verdade é que Silvana tem que se superar dentro d’água se quiser ser levada a sério pelos donos de marcas. E isso, em 2015, não aconteceu. E com patrocínio. Sei que é duro falar isso, mas ela sofre a consequência de um mercado pequeno, sem compromisso com a base do esporte e luta para que o mundo, cada vez mais ligado a perfeição, deixe de lado a obsessão pelos musos e foque em performance. Poucos atletas conseguiram ultrapassar os preconceitos da sociedade através de seus dotes esportivos, mas dos que ficaram para a história, 100% deles sempre cuidaram de sua imagem além dos campos, quadras e até praias.

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Ah, se quiserem saber qual foi a capa mais vendida da FLUIR Girls, eu digo: a estampa de Felipe Dylon, na época muso juvenil e recordista maior com quase 8 mil exemplares vendidos. Incrível não?!

Pitacos na colcha de retalhos

Caramba, faz tempo que não escrevo nada. Acho que tem uns 25 anos desde que fiquei mais de dois meses sem fazer nenhuma matéria. O motivo é realmente falta de tempo e de saco pra sentar e digitar. Até que ocorreram diversos fatos relevantes e merecedores de opinião, só que com a crise cravada no Brasil, tenho que priorizar onde sai meu sustento, que para quem não sabe não é este espaço aqui. Dada a devida explicação, resolvi dar meu pitaco nas coisas mais importantes que rolaram, para mim, no começo deste ano, sem nenhuma ordem específica.

Montanhas de água

Foi complicado sair da tela do smartphone e, depois do notebook ontem, dia 25 de fevereiro. O Eddie Aikau é um evento à parte, não só pela tradicão envolvida mas principalmente por ser realizado nas desafiadoras direitas de Waimea. Há muito a qualidade da transmissão pela internet vem evoluindo, em parte pela ASP e agora WSL. Pois este campeonato de ondas grandes certamente foi o mais assistido. A quantidade de posts e citações sobre os destemidos competidores que encararam um dos maiores mares em Oahu foi imensa. E a vitória do jovem John John, deixando pra trás lendas do big surf como Ross Clarke-Jones, Grant Baker e Greg Long, demonstra, ao menos pra mim, que obviamente a experiência conta bastante porém a genialidade de qualquer excepcional surfista com coragem faz a diferença. Entre os 5 primeiros, 3 são ou foram Top da elite (JJF, Shane Dorian e Kelly Slater). Destes, apenas Dorian é, de uns 10 anos pra cá, um caçador de emoções. Slater, que inclusive já venceu o Eddie e foi vice na última edicão, a cada dia que passa, mostra que se quiser pode se tornar um ET também nas big waves, enquanto Florence, um diamante bruto de talento, marca seu nome como o surfista mais completo da atualidade. Bonito de ver também o baiano Danilo Couto botando pra baixo, mesmo que aparecesse mais tomando uma das piores vacas do dia. Só cai quem tá lá fora! Foi um grande dia de surf!

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

Kelly rules

O Volcom Pro, realizado em Pipe no início de fevereiro foi o verdadeiro Pipe Masters (ao menos no que diz respeito as ondas). Talvez por não ter o azarado (alguns dizem incompetente) Kieren Perrow definindo os dias de competicão. O que importa é que os tubos plásticos de Pipe e Backdoor deram o ar da graça em todos os dias e Slater, há dois anos sem vencer nem purrinha, deu um show e levou o caneco com sobras. Não teve pra Jamie O’Brien nem JJF. O careca entubou de tudo que foi forma e parece que chegará zerado pra primeira etapa do Tour na Austrália. Nada como uma vitória convincente em Pipeline pra mudar o astral. Fiquei a procura de brasileiros de ponta na água. Não vi. Uma pena! Dado o devido desconto a Mineirinho, que até chegou a final deste evento em 2015 e merecia um descanso, acho que uma oportunidade dessas de surfar com outros 3 caras em ondas daquelas não pode ser desperdiçada!

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Descanso merecido

Mick Fanning anunciou que vai dar um tempo de boa parte do Circuito em 2016. Afirmou que irá correr as duas primeiras etapas da WSL e depois vai ficar um tempo de bobeira. Eu particularmente acho que ele merece, e muito, qualquer aliviada dos manda-chuvas da entidade, pois o que este cara passou ano passado só um masoquista. Quase foi engolido, perdeu o segundo irmão e de quebra não tem mais esposa, já que está se divorciando. Isso, sem abalar sua mente, já que por dois anos seguidos disputou palmo a palmo o título mundial com Medina e Mineiro. Vi muita gente falando que não concorda e tal, que ele tem que se reclassificar pelo WQS caso não consiga manter-se pelo Tour… Nego é muito murrinha! Deixa o cara! Ele é um ícone do esporte, e além de tudo o cara mais gente boa do Circuito. Um exemplo de profissional! Além de ser tricampeão do mundo! Aliás, meu parceiro Tulio Brandão escreveu um ótimo texto a respeito no site Waves, vale uma lida!

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Quem leva o caneco?

Se eu tivesse que botar meu dinheiro em alguém para apostar num título mundial em 2016 ele iria todo pra Gabriel Medina. E com a saída de Fanning de boa parte da temporada, acho que fica mais fácil. Gabriel terminou 2015 de forma contrária de como iniciou. Centrado, com a faca nos dentes e o surf no pé. Se tivesse mais uma etapa, ele tinha levado o bi. Tava complicado vencer o menino. Logicamente, muita coisa pode acontecer, mas não consigo enxergar alguém mais favorito do que ele. Filipe Toledo e John John são os caras que talvez mais ameacem o reinado de Gabriel. Filipe, se conseguir resultados mais consistentes em Teahupoo e Fiji vai incomodar, desde que mantenha seu arsenal de manobras mágicas na cartola. Florence, precisa decidir se tá dando uma caidinha de fim de tarde ou disputando bateria… Sei que vem trabalhando bastante a parte física com o amigo Álvaro Romano e sua Ginástica Natural. Precisa melhorar o foco e tentar manter-se são, pois sua forte torção no tornozelo no Brasil ano passado comprometeu sua temporada. De qualquer forma, acho que em 2016 a nova geração enterra de vez a velha. A não ser que o ET se reinvente e faça mais uma vez o impossível. Bem, depois do tubo que tirou em sua última onda no Eddie Aikau, creio que a palavra impossível não consta em seu vocabulário, por isso, de olho nele!

Medina terminou o ano com surf de campeão Foto : WSL / Stephen Robertson

Medina terminou o ano com surf de campeão Foto : WSL / Stephen Robertson

Adeus ao papel

Se o surf dentro d’água vai bem, não se pode dizer o mesmo fora. Com uma crise sem tamanho no país, as marcas de surfwear estão se matando para viver enquanto as revistas especializadas parecem se tornar mortas-vivas. Tá dando pena de ver as últimas edicões da Fluir e Hardcore com poucos anúncios. Mídias que eram fundamentais se tornaram apenas sustento para seus donos. Não tem relevância, apesar de ainda mostrarem em suas páginas ótimas matérias. Culpa da internet? Talvez. Ou não! Quem sabe? O que importa é que pela primeira vez em minha vida não comprei nem uma nem a outra numa banca (ou na FNAC). E sou obrigado a dizer que não me fez falta. Uma pena!

Amadorismo nos palanques

É verdade! 2015 foi o ano dos “profissionais amadores”. Foi um tal de promotor de evento dando cano em competidor e prestador de serviço… Em Saquarema, quem teve que pagar a premiacão dos surfistas foi a WSL, já que os organizadores do evento Prime do WQS não cumpriram com sua parte. Mesmo caso do 6 estrelas de Floripa, que também deu (ou tá dando) canseira em quem trabalhou. Culpa dos Governos dos Estados, principais patrocinadores dos eventos? Da WSL por permitir eventos sem saber se teriam condicões de pagar seus filiados? Dos promotores, por realizar os eventos sem terem a verba necessária? Sim, de todos! A moral da história é que Xandi Fontes é o novo representante da WSL no Brasil e que tem gente que não acredita mais em bla, bla, bla de promotor de evento. Sem contar que o SuperSurf, tão aclamado por voltar e dar peso ao Circuito Brasileiro, tá até hoje devendo neguinho pelo Brasil. Será que o exemplo dos safados dos nossos governantes pegou no surf? Tá parecendo que sim! Mais responsabilidade e menos malandragem é o que precisamos para levantar nosso esporte.

A volta do Super Surf foi motivo de orgulho para toda a comunidade do surf brasileiro. Foto: Pedro Monteiro

A volta do Super Surf foi motivo de orgulho para toda a comunidade do surf brasileiro. Foto: Pedro Monteiro

Chutômetro das Ondas 26-02

Sábado dia 27 – No máximo meio metro nas praias que recebem melhor a ondulação de leste. Vento norte fraco passando a nordeste moderado na parte da tarde. Condições fracas para o surf.

Domingo dia 28 – Aproximadamente meio metro, ondulação de sudeste e vento norte fraco passando a sul moderado a tarde. Melhores condições : Prainha e Grumari

Tendência da água – 20 a 21 graus.

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Na Memória

O Eddie Aikau 2016 vai ficar na memória de muita gente. Não só pelo tamanho das ondas, mas pelas performances dos atletas. Acho difícil alguém esquecer dos drops insanos de Ross Clarke Jones, Shane Dorian, John John Florence, e Makua Rothman; do tubo do Kelly Slater; da vaca de Grant Baker;  dos jet skis fugindo da série que fechou a baia. Sinceramente, não tem como esquecer. O evento teve o glamour que merecia.  Eddie Aikau é reverenciado como herói no Havai, e um evento dessa magnitude reforça a importância de sua figura para a comunidade local e mundial.

Ross Clarke Jones e Jamie Mitchel dividindo um bomba em Waimea. Foto: WSL/Keoki

Ross Clarke Jones e Jamie Mitchel dividindo um bomba em Waimea. Foto: WSL/Keoki

O que mais chama a atenção nesse evento é a mistura de gerações. Nomes consagrados de décadas passadas ainda mostram muita disposição e técnica para enfrentar os garotos da nova geração.  Ross Clarke Jones, já está chegando aos 50, quase levou a disputa.  Ficou em segundo, mostrando muito gás para um competidor da sua idade. Cair duas vezes naquelas bombas de Waimea não é para qualquer um. O único que ficou a sua frente foi John John Florence, um dos melhores do mundo na atualidade. Sua facilidade é enorme para surfar qualquer tipo de onda. Arrisco a dizer que ele poderia ser o novo Kelly se tivesse o mínimo de vontade competitiva. Parece que nasceu para surfar as ondas sem compromisso ou regras. Um showman com certeza.

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

John John Florence e Mason Ho no limite. Foto: WSL/Keoki

Outra coisa que me chamou muito a atenção foi a coragem de Clyde Aikau. Aos 66 anos, Clyde não precisava provar mais nada a ninguém. Foi campeão deste evento, em 1987, e participou de todos os eventos que levaram o nome do seu irmão. Claramente as condições estavam bem complicadas para alguém da sua idade. Ele sabia disso, mas deixou que o respeito que tem pelo nome de seu irmão e sua família falassem mais alto. Foi uma atitude digna de um membro do clã Aikau. Tiro meu chapéu para ele.

Fuga dos jets skis da série que fechou a baia. Foto: Clark Little

Fuga dos jets skis da série que fechou a baia. Foto: Clark Little

Também tiro meu chapéu para Danilo Couto. Nosso único representante mostrou muita determinação. Arriscou um drop quase impossível na primeira onda de sua participação.Quebrou a prancha, não foi bem sucedido, mas chamou a atenção da praia lotada. Depois dropou uma monstruosa que levou o público ao delírio. Os juízes deram 91 pontos de 100 possíveis e depois alteraram a nota para 69. Não sou juiz de ondas grandes, mas de 91 para 69 tem uma grande diferença.  De qualquer forma, fomos muito bem representados.

 

Campeões do Eddie Aikau
1986 Denton Miyamura
1987 Clyde Aikau|Mark Foo
1990 Keone Downing|Brock Little|Richard Schmidt
1995 Não finalizado
1999 Noah Johnson|Tony Ray|John Gomes
2001 Ross Clark-Jones|Shane Dorian|Paul Paterson
2002 Kelly Slater|Tony Ray|Paul Paterson
2004 Bruce Irons|Ross Clark-Jones|Shane Dorian
2009 Greg Long|Kelly Slater|Sunny Garcia
2016 Jonh John Florence/ Ross Clarke Jones/ Shane Dorian