Novo filme de John John Florence: View from a Blue Moon

 

Capa do filme. Divulgação.

Capa do filme. Divulgação.

Você sabia que JJF aprendeu a pilotar avião antes de tirar sua primeira habilitação? E que tem um barco a vela? Apesar de ser um filme sobre a vida de um surfista que foi nascido e criado nas areias do North Shore, isso é o máximo da vida intima que o filme revela sobre JJF. Fora isso, você irá assistir um material cinematográfico de surfe de qualidade inédita inteiramente captado em 4k.

Começar um filme em pleno ano 2015 com uma música do Jack Johnson seria algo impensável. Incluir ondas brasileiras seria algo impensável. Ter um secret vídeo do Bruce Irons seria algo impensável. O filme VFABM para quem ainda não viu é algo impensável. Hoje, o filme de surfe mais criativo já produzido. Além da genialidade do ator principal, o diretor Blake Vincent Kueny se uniu com a produtora Brain Farm, famosa por super produções de snowboard, para com uma linguagem única, construir um projeto digno de atingir o mainstream.

O filme começa mostrando a infância de JJF no Hawaii com narração ala Endless Summer. Imagens subaquáticas ilustram a família Florence e sua turma em habitat natural. Surfe e lifestyle dão uma prévia do que estar por vir. Encantamento.

Foram usados 6 helicópteros em 6 locações diferentes durante a produção do filme. Foto: Specker

Foram usados 6 helicópteros em 6 locações diferentes durante a produção do filme. Foto: Specker

Depois uma seleção de ondas na Polinésia mostram a disposição e capacidade de leitura de tubo diferenciada de JJF e alguns amigos. Aqui Kueny faz o igual parecer diferente. As mesmas ondas clássicas de sempre mas com um olhar diferenciado. E claro não poderia deixar de fechar o segmento com o tubo do ano de Nathan Florence. Este, é claro, recebe um grande destaque em todo o filme.

Em seguida JJF manda um whats app para Mat Meolla e Albee Layer e vão todos para Oeste Australiano. Cangurus pulando cercas, ondas mexidas, fotografia diferenciada, tubos duplos. Surfe aéreo de alta performance.

África do Sul como nunca antes visto. Cinematografia nível Nat Geo. Ondas perfeitas e desertas. JJF e Jordy Smith detonando em ondas das mais variadas. Tomadas áreas de perder o fôlego. Ineditismo.

Brasil visto por um gringo. A “beleza” da pobreza e o contraste com a natureza exuberante. Cliché muito bem editado. Ao contrário das marolas que surfaram na Ilha Grande, o lado relax e despojado de JJF e Felipe Toledo, se sentindo em casa, são o grande diferencial dessa parte. Surfe aéreo em ondas ruins com um cenário lindo. Dá orgulho de ser brasileiro.

Próxima sessão é a releitura dos filmes The Search. Sem citar o local exato JJF e amigos surfam tubos insólitos em paisagens mágicas e água fria. A trilha sonora deixa a dica de onde pode ser. O que importa é que a linha cinematográfica segue um caminho transversal a mesmice do mercado atual e liga perfeitamente com gran finale nas palavras de JJF dizendo algo do gênero: “não importa onde eu vá, sempre sonho com Pipeline”. Corte para ultima e mais incrível parte.

O diretor Kueny e JJF em casa durante as filmagens no North Shore de Oahu. Foto: Barash

O diretor Kueny e JJF em casa durante as filmagens no North Shore de Oahu. Foto: Barash

O North Shore. Fast and Loose, como diz a musica da banda Motorhead. Novamente trilha sonora bem aplicada. JJF e sua galerinha chegando na praia filmado de drone é a dica para o show de surfe. Boas ondas dos melhores locais em dias clássicos filmados durante dois invernos. JJF abstrato. Em casa, na ciclovia, batidinha na raiz da árvore, skatepark, no barco a vela, no avião, cachoeira, baleias, JJF na maior da série. Surfe mais high performance já filmado no Havaí. Muito bem editado. Vale a pena ver. Recomendo. Ah, o secret video do Bruce? Estilo super herói.

JJF em ação. Foto:Divulgação

JJF em ação. Foto:Divulgação

 

O famoso tiro no pé

Texto por: Pedro Santa Rossa Schettino

O surf no Rio de Janeiro vai mal, muito mal !! Mas não só pela ausência de competições e representantes nos circuitos, e sim pelo mar de “lama” (para não falar outra palavra que começa com M) que tem se instaurado nas praias do Rio de Janeiro. Em um breve resumo, é despejado esgoto nos seguintes pontos: emissário de submarino de Niterói (sai na boca da Baia de Guanabara), emissário submarino de Ipanema, canal do Leblon, canto esquerdo de São Conrado, Quebra Mar, Rio Morto (na macumba) e canal de Guaratiba. Fora os outros pontos onde são jogados em dias de chuvas fortes.

Poluição no Quebra - Mar. Foto: Mario Moscatelli

Poluição no Quebra – Mar. Foto: Mario Moscatelli

Mas agora vamos ao ponto! Semana passada foi divulgado que a etapa do WSL sediada no Rio de Janeiro será transferida do postinho (posto 2 da praia da Barra da Tijuca) para a praia de Grumari. A principal “desculpa “é que as ondas de lá seriam melhores! A tá !! Famosa desculpinha para inglês ver!! Tudo isso não passa de “esconder o lixo debaixo do tapete”, ou no caso, na praia ao lado!! Ou seja, ao invés de resolver o grave problema do despejo de esgoto nas praias do Rio de Janeiro, eles estão querendo modificar o local do campeonato para dentro de um parque, que até o momento consegue ser minimamente preservado.

Ai resta a pergunta, qual o legado que o campeonato da WSL deixa pra cidade? Até esse ano nenhum, e a partir do ano que vem será o de degradar uma das últimas áreas preservadas. E ao escutar o Sr. Abílio Fernandes falando que é super interessante para “nós” mostrarmos ao mundo uma área linda e preservada e que sirva de exemplo!!  Faça me o favor Sr. presidente da FESRJ, o Sr. Ligou o foda-se para as outras praias?  Querem esconder as águas podres que deixam para o resto da população!Acredito sinceramente que seria muito mais interessante, para o mundo e para nós, provar que podemos consertar o que está sendo feito errado. Como? Que tal começar a despoluindo as praias? Em 2015 já tivemos um público estimado nas areias do postinho de 40.000 pessoas.  Se tivermos mais um campeão no final deste ano não duvido nada que o público aumente. Vocês juram que conseguem imaginar 50 mil pessoas entrando e saindo de Grumari, praia que só se chega através de 2 ruas de mão dupla, que tem 1 banheiro público?

Se a mudança é pela qualidade das ondas, arruma o esgoto e coloca o campeonato em São Conrado, que é a onda mais forte, tubular e constante na nossa degradada costa! Qualquer surfista, cidadão, cachorro, papagaio e etc. que apoiar essa decisão de transferir o campeonato pra Grumari estará cometendo o famoso tiro no pé !! Ou o campeonato vem para ajudar (lembrando que grande parte dele é financiado com dinheiro público) ou pode ir pra Santa Cantaria ou qualquer outro lugar. Acredito que falo por muitos que querem que o ultimo resquício de natureza continue preservado e a cidade volte a ser tratada de forma digna.

Poluição em São Conrado. Foto: Mario Moscatelli

Poluição em São Conrado. Foto: Mario Moscatelli

 

 

M + A + R = Vida

“A vida é passageira”. “A vida é agora”. Vários são os ditados populares que tem sido repetido, postado e compartilhado nas redes sociais ultimamente. Nos últimos meses, alguns grandes atletas morreram e outros se feriram gravemente praticando o esporte que mais amam. No surfe, Michel Bourez, John John Florence, Jordy Smith, Brett Simpson, Kai Otton e agora Jeremy Flores se contundiram. Jeremy se contundiu feio. No paraquedismo e alpinismo, Dean Potter, o equivalente a uma mistura de Gerry Lopez com Laird Hamilton, numa comparação com o surf, faleceu praticando wingsuit base jumping. Semana passada foi a vez do Claudio Knnipel. Não o conheci, mas pelo que amigos próximos me falaram era o equivalente ao Rico de Souza mais novo do paraquedismo. Outra fera brasileira desse esporte, Andre Penz também se foi fazendo o que mais amava. Praticante de ambos esportes, não pude deixar de refletir sobre o assunto.

Jeremy Flores sofreu uma grave contusão surfando na Indonésia

Jeremy Flores sofreu uma grave contusão surfando na Indonésia

Durante meus 36 anos, 30 deles passei na água aprendendo e praticando esportes aquáticos, na piscina, e no mar. Joguei polo aquático por muito tempo, porém foi no surfe que descobri minha terapia maior. A relação com a natureza que o mar proporciona, ao te dar o poder de flutuar na água, e se descolar do continente terrestre, traz uma energia revigorante incrível, acredito que venha daí a máxima dessa nossa tribo que diz: “não há nada que um bom dia de surfe não cure”. Após anos sentindo essa sensação única no mar, cheguei a um ponto que acreditava estar estagnado e que somente ondas maiores, mais perfeitas ou mais longas me proporcionariam a adrenalina necessária para continuar habitando esse país desprovido de ondas “world class”. Finalmente há um ano atrás, através do meu amigo Marcos Sifu, descobri outro fator da natureza gerador dessa mesma energia, o ar.

 Marcos Sifu, apresentador do programa Aprendiz de Basejumper no canal OFF, da Globosat.

Marcos Sifu, apresentador do programa Aprendiz de Basejumper no canal OFF, da Globosat.

A experiência de saltar de um avião em movimento com paraquedas nas costas para um leigo parece algo inconcebível. Com certeza seria se não houvesse treinamento e normas de segurança a serem seguidas pelo ser humano que almeja chegar ao poder natural único dos pássaros. Orientação profissional é primordial e após superado a fase inicial a experiência se torna algo que é difícil descrever em palavras.

O ar passa uma outra sensação. O resultado final para um esportista radical é o mesmo, mas o caminho até ele é muito diferente. O mar e o ar têm apenas uma letra de diferença, mas um alfabeto inteiro de distância física. Foram criados juntos e um não existe sem o outro. Muitas vezes ficam da mesma cor. O mar é parâmetro de altura para o ser humano, já o céu pode ser medido, mas até hoje não descobriram esse limite, é infinito. Ar muda de pressão, o mar muda de profundidade. No ar você voa com corpo ou dentro de alguma aeronave, no mar você flutua com embarcações, pranchas e com corpo. O homem desenvolveu esportes para usufruir destes dois ambientes de formas diferentes, mas em busca do mesmo. A elevação espiritual, adrenalina, felicidade, sentimento de cabeça feita, amarradão, paixão, amor, chame como quiser. Para cada um acontece diferente de acordo com fatores que só a natureza tem o poder de escolher e mostrar a cada indivíduo no momento certo. Um ciclo que na minha opinião passa pelo passado para devolver no presente uma dádiva a todos que merecem.

Marcos Sifu é surfista aerialista e paraquedista. Foto: aerofishbrasil.blogspot.com.br

Marcos Sifu é um surfista aerialista e paraquedista. Foto: aerofishbrasil.blogspot.com.br

O resumo dessa história é que surfando ou voando a busca da plenitude segue da mesma forma e para muitos o mar, o ar e a terra se completam e quanto mais fatores você for capaz de usufruir praticando esportes, contemplando e preservando, aumentará em muito sua qualidade de vida nesse tempo terreno enquanto estamos aqui em forma de figura física. Quando o momento da passagem para o próximo nível finalmente chegar, estaremos todos de cabeça feita brindando a vida do lado de lá. Esse texto vai em homenagem a todos os que passaram de fase surfando ou voando. Descansem em paz!

Dear Potter, uma referência do esporte, que saltava sempre com seu cachorro, morreu em salto de base jump no Vale de Yosemite

Dear Potter, uma referência do esporte, que saltava sempre com seu cachorro, morreu em salto de base jump no Vale de Yosemite.

Explicando o inexplicável

Enquanto o mundo inteiro está vidrado na tempestade brasileira, um surfista havaiano conseguiu um feito nunca antes realizado, nem mesmo por um integrante da saga tupiniquim. Matt Meola realizou a mais incrível manobra aérea da história do surfe mundial no dia 28 de abril de 2015 em um pico secreto na ilha de Maui, estado do Havaí, nos Estados Unidos da América. Só quem chegou perto do feito e detinha a menção honrosa foi o Maomé das ondas, Mr. Kelly Slater, com seu aéreo reverse 540 graus, dependendo da sua corrente de pensamento quanto a aéreos.

O feito foi batizado por Meola de “Spindle flip 540″ que como nome diz é uma rotação de 540 graus no eixo. Na prática é uma mistura de alley oop com rodeio, numa incrível rotação de 540 graus para 2 eixos diferentes, um com a prancha na vertical e outra na horizontal com as duas mãos na borda. Ou seja, revolucionário!

Como ele fez isso? Intencional ou instinto? Todos nós sabemos que surfe começou antes do skate e do snowboard, mas nossos primos do esporte estão a mil passos a nossa frente em termos de aéreos, não só pelo terreno imóvel que praticam seus truques como pela quantidade de praticantes tentando manobras em ambientes controláveis possibilitando a repetição em menos tempo. Porém é impossível ver um aéreo desse e não comparar a nossos parceiros de quatro rodinhas ou das montanhas de neve. Mas a grande comparação está sendo feito com o aéreo do Kelly Slater em Portugal, durante um freesurfe da etapa do WCT ano passado. Na ocasião KS executou um aéreo reverse com rotação de 540 graus. O do Matt Meolla a principio o aéreo parece um rodeo flip de snowboard mas colocando em contexto de um half pipe de skate, o qual considera-se o aéreo pelas rotações acima do coping, lip no caso, foi um 540 com uma inversão de eixo no final. Em entrevista a revista Surfing Matt Meola explica: “ Foi intencional porque pensei que era possível, mas esse particularmente foi instinto. Não tinha plano de mandar esse aéreo naquela seção. Eu estava querendo mandar um backflip mas quando eu decolei a rotação saiu de uma forma diferente eu tive de me adaptar e o vento me jogou alto suficiente para eu completar”. Uma inovação digna de gênio que ainda deixa todos nós especialistas confusos.

Mas o que interessa é que manobras como essa não só elevam o nível como dizem por aí, elas criam novas metas de alcance para os demais surfistas e até outros esportistas de boardsports. Desenvolver o esporte parte de ações como essa do Mat Meolla. É claro que não duvido que Filipe Toledo, Gabriel Medina, John John Florence, Noa Deane ou Dane Reynolds conseguirão igualar o feito em breve numa bateria do WSL ou em algum filme a ser lançado em um cinema próximo de você, mas a verdade que hoje, esse foi o aéreo mais inovador da historia do surfe.

Depois de detalhar como foi, contextualizar no mundo dos boardsports, ponto seguinte da minha avaliação foi a finalização da manobra. Ele completou? Na minha opinião sim. Uma aterrisagem dura no finalzinho da espuma, porém em cima da prancha com os 2 pés colados e todo equilíbrio (até porque estava segurando com as duas mãos na borda) desvirando a bico da prancha na direção da praia. Ele ainda fica uns 2 segundos sobre a prancha até ser derrubado pela espuma da onda. Comparo isso ao skatista que completa a manobra mas tem que sair do skate quando tem um obstáculo a frente, um gramado ou coisa que o valha. Ele ainda teve tempo de comemorar levantando os 2 braços para o alto enfatizando o término da manobra. Já o aéreo do Kelly Slater foi uma aterrisagem bem mais macia em cima espuma e que ele consegue controlar a prancha por mais tempo até chuta-la para finalizar a onda.

E por final para fecharmos o raio- x, comparemos a condição da pista, digo do mar. A onda que Matt Meola executa é uma bomba de pelo menos 1m de face, fundo de coral com muita força (vide a bomba atrás já estourada no 2nd reef) overhead para ele, a qual cria uma rampa que o faz voar mais de 1m de altura em comparação com o lip e mais de 3m se compararmos a base da onda. O vento ladal contrário a direção da onda é perfeito para execução do feito deixando a onda com lip esfarelando e criando a superfície perfeita para voo e aterrisagem sem grandes traumas. Já no caso do Kelly Slater, a onda de meio metro e o vento terral frontal forte só o arremessa a meio metro de altura em comparação com lip, até porque ele se projeta para frente e não tão para o alto como Meola. Duas técnicas diferentes para aéreos diferentes.

Tentar explicar o inexplicável para os amantes do surfe moderno é muito difícil e sei que ainda estou longe de decifrar a técnica de grandes talentos como esses dois surfistas e traduzir o dom que receberam. O que importa é ver a evolução do surfe e passar a informação para o máximo de pessoas possível para que assim o esporte cresça e se desenvolva gerando força para mais Meolas, Slaters e Toledos continuem quebrando todos os parâmetros desse esporte radical.

 

E o futuro deles está garantido ?

A renovação da força de trabalho sempre foi essencial ao desenvolvimento da economia ao longo da historia. Seja na indústria ou nos esportes, esta máxima é importante para que as organizações e a sociedade como um todo caminhem para frente. Sendo assim os países com maior grau de desenvolvimento econômico saem na frente quando olhamos para o mercado esportivo também. No surfe, os países desenvolvidos dominaram por muito tempo o mercado tecnológico, industrial e o de recursos humanos. Desde o Havaí, que sucumbiu a invasão dos australianos quando arrombaram as portas e tomaram a dianteira dessa corrida em busca de desenvolvimento, exploração de mercado, capacitação e consequentemente faturamento em cima de todos os conteúdos gerados pelo surfe, até o Brasil, que agora almeja se aproximar desse patamar dentro do esporte.

Essa reorganização se faz necessária e acontece ano após ano, nome após nome e isso consolida cada nação como uma força de destaque no cenário do surfe mundial. Os mais velhos podem lembrar dos nomes das feras do passado até chegarmos no Medina de hoje em dia. Dos países com contingente relevante que disputaram o título mundial dos últimos 10 anos, o Brasil foi o único que fez o dever de casa e hoje em dia tem um time renovado e com grandes esperanças de melhorar a performance dos atletas do passado. Austrália, Estados Unidos e Havaí, não tem uma nova geração preparada para substituir a altura os atuais atletas na 1ª divisão do circuito mundial.

Os Estados Unidos até ano passado era o caso mais grave. Após as décadas de Kelly Slater na vanguarda do surfe mundial, não surgiu um yankee com potencial de chegar aos pés do campeão. Ok, mas ele é um gênio fora da curva. OK, mas ele é o parâmetro para o surfista que deseja carregar a bandeira americana neste esporte. Ano passado, Kolohe Andino começou a se entender com o nível de surfe da 1ª divisão e quem sabe esse ano pode chegar junto das primeiras posições no ranking. Fora ele, Conner Coffin já é nome consagrado no freesurfe mas mesmo com muito talento dentro d’água, com a lycra de competição ainda tem que se entender com o julgamento que não pontua tão alto seu estilo impecável. Na próxima geração, surge o meio americano, meio japonês Kainoa Igarashi. Este ainda tem que surfar muito para que  a máquina capitalista possa faturar em cima dele e quem sabe daqui a alguns anos trazer alguma alegria para americanos e fãs do esporte em geral. Ah, está rolando a lenda de uma sequência de wildcards para Dane Reynolds voltar ao tour sem disputar as infames baterias da 2ª divisão. Será? Mas essa história eu conto no meu próximo texto. Enquanto isso só lhes resta torcer para Kelly Slater continuar competindo para verem a bandeira deles flamulando no alto do pódio.

Kolohe Andino é umas das esperanças do surf americano. Foto ; Hurley

Kolohe Andino é umas das esperanças do surf americano. Foto ; Hurley

O Havaí já comentei aqui, que a saudade das ondas de casa é a pedra no sapato dos havaianos. O freesurfe é a moda do momento da garotada havaiana e a não ser que John John Florence comece a vencer do Medina, vai ser difícil pavimentar a estrada como grandes nomes já fizeram. Andy Irons, Sunny Garcia e Derek Ho estão torcendo para que o novato Keanu Asing passe algumas baterias, mas cá entre nós, de bom o baixinho só tem o pedigree original das ilhas paradisíacas. E na 2ª divisão, os havaianos estão colocando suas fichas no grandalhão Ezequiel Lau. Disposição, força, treino e apoio financeiro não faltam para ele mas resultado que é bom ainda não vi fazer nada digno de nota. A qualificação passa por ondas ruins e pequenas, ponto fraco dos havaianos. Ou seja, os caras tem as melhores ondas do mundo mas acho que o troféu da WSL não irá tão cedo pisar em areias havaianas.

Ezekiel Lau luta por um espaço na elite mundial. Pode ser um novo nome havaiano no WSL.

Ezekiel Lau luta por um espaço na elite mundial. Pode ser um novo nome havaiano no WSL.

A Austrália também passa por uma crise grave no poço de talentos dessa grande ilha com altas ondas. Depois dos Coolie Kids, que tomaram o tour de assalto, nunca mais se ouviu outro nome australiano disputando o titulo mundial. A eterna esperança Taj Burrow já jogou a toalha. Bede Dubrigde parece estar feliz onde está. Julian Wilson tem espasmos de genialidade mas que não convencem. O resto é figurante. Com tantos recursos naturais e financeiros é quase um pecado se pensarmos que a Austrália hoje não tem um grande nome para disputar o título com Medina e cia nos próximos 10 anos. Matt Banting surfou muito bem a 1ª bateria, mas será que se garante nos grandes tubos de Teahupoo e Fiji? Depois de Banting, somente Jack Freestone tem mostrado talento para chegar junto de se classificar para 1ª divisão, mas enquanto isso não acontece o rapaz continuará sendo mais conhecido como o namorado da musa Alana Blanchard. E para os próximos 5 anos, eles têm 2 nomes que valem a pena citar. Jack Robinson e Mikey Wright. Robinson é um talento nato nos grande tubos e caso queria dar um tempo na sua carreira precoce de freesurfer e se dedicar as competições, pode levar a bandeira dos aussies lá pro topo do ranking da WSL. E Wright tem o pedigree de família de vencedores. Irmão caçula de Owen e Tyler, o novato tem um surfe muito bonito e já alguns títulos na conta em sua carreira juvenil. Fiquem de olho!

Matt Banting é a grande aposta australiana no tour.

Matt Banting é a grande aposta australiana no tour.

Já o Brasil está com melhor time de todos os tempos no tour e todos os brasileiros finalmente desfrutam de ter o sentimento de serem bem representados no tour. Wigolly Dantas e Italo Ferreira são dois nomes com grande potencial no tour e devem conseguir bons resultados a longo prazo. Este ano promete ser de fortes emoções e de muitas alegrias para nós. Vai Brasil!

A espera acabou

O início de ano começa com grandes expectativas para os brasileiros no circuito mundial de surfe profissional. Depois da ressaca de comemorações pelo título de Gabriel Medina, todo e qualquer cidadão tupiniquim chega com peito estufado nas discussões de bares, rodinhas de praia e imagina o blablabla nos picos de surfe pelo mundo a fora. Agora somos os melhores. Jean da Silva reforçou o discurso após passar sua bateria no Australian Open of Surfing. O brazuca citou a conquista de Medina e a consequente euforia de confiança gerada em todos atletas e não atletas pela façanha.

A expectativa é grande porque com as mudanças da ASP para WSL, vários pontos foram desenvolvidos para trazer a experiência do surfe competitivo para o cliente surfe com mais veracidade. O cliente surfe é você aí sentado atrás do computador lendo isso. Você consome surfe e faz a roda girar. Tudo bem que a roda aqui no Brasil anda meio furada, mas a roda que exportamos está rodando perfeitamente. Digo, só para os estrangeiros e mercado participante da elite mundial.  Na América do Sul o que se vê são bocas abertas para consumir todo o conteúdo / produtos da WSL. Uma população ávida para torcer por disputas mais acirradas, usando suas bandeiras coloridas a tremular por decisões que beneficiem o seu time, assim como fazem nos esportes coletivos, preferência da massa latina. Para os surfistas daqui, esses ganharam um novo ânimo em geral e arrisco dizer, uma “marra”, quando se identificam em picos fora do país onde tradicionalmente eram mal vistos ou prejulgados. Ainda são e serão por muito tempo, mas agora com mais respeito pois são do país do Medina, o campeão mundial.

Equipe brasileira pronta para a batalha. Foto: Facebook Gabriel Medina

Equipe brasileira pronta para a batalha. Foto: Facebook Gabriel Medina

Esse credito veio quando Medina passou o cartão nos gringos e adquiriu com puro talento o troféu da WSL. Um simbolismo mas que pode ser a mola propulsora de um rolo compressor em linha de produção de outros campeões. Estes dividirão seus méritos por este mercado sedento por vitórias, já abatidos por uma geração sem vitórias, por perdas de grandes nomes e com problemas ecológicos nas praias onde praticam o surfe.

Na espera de um grande ano já ouvi muitos comentários sobre que surfista vai se dar bem aonde e quem são os favoritos. No Brasil acho que o mais esperado é uma segunda vitória do Medina e um melhor desempenho na ocupação de vagas no top 10 da WSL. Talento e disposição não faltam, visto que este ano o Brasil tem o mais preparado time de surfistas para disputa de títulos de todos os tempos. O verdadeiro brazilian storm vai começar a passar agora no campo adversário. Temos desde o crédito do campeão do ano passado, assim como a liderança sabida e acordada sobre o melhor surfista de aéreos do mundo no nome de Felipe Toledo. Sendo assim o resto do grupo usará da experiência das vitórias do Mineiro, com a visão inovadora do novato Italo Ferreira, com a raça de Jadson Andre e as constância de de Wigolly Dantas. Esse mix formará uma camada sólida que acredito ser perfeita no top 10 do circuito mundial.

Especulações a parte, quando a sirene tocar tudo pode mudar de figura e o atleta favorito hoje pode sentir o nervosismo juvenil, e o novato pode ganhar o brilhantismo e sorte de um veterano. As datas já foram marcadas, a mãe natureza deve cooperar como sempre, e os dados serão lançados no tabuleiro marinho que sempre prega peças nos desavisados e premia os preparados. Hoje estamos na frente, mas 2015 teremos muito conteúdo parar digerir e dar a resposta ao mundo, com apoio e suporte maciço pelas rede sociais, onde somos muitos. Os nomes mudaram mas a espera finalmente acabou. Amanhã se  inicia o período de espera  do Quiksilver Pro.Vai Brasil!

Gabriel Medina luta pelo bicampeonato em Snnaper Rocks. Foto: WSL/ Divulgação

Gabriel Medina luta pelo bicampeonato em Snnaper Rocks. Foto: WSL/ Divulgação

O Antagonista vem de lá

Depois de 14 anos a ASP entregou um troféu oficial de campeão mundial ao havaiano Sunny Garcia ontem durante a transmissão da triagem do Billabong PipeMaster 2014 in memory of Andy Irons. Entre 1990 e 2012, Sunny Garcia venceu 32 eventos da ASP: 2 do antigo Circuito Mundial, 7 do World Championship Tour e 23 do World Qualifying Series. Das 32 vitórias, 15 foram no Havaí. Único surfista a ganhar 6x a Tríplice Coroa havaiana, Sunny é, depois de Andy Irons, o mais vitorioso atleta vivo das ilhas do pacifico e sua figura polemica o faz até hoje uma lenda, ídolo e celebridade do esporte mundial.

Nada disso foi suficiente para que a ASP lhe desse um troféu até ontem (9/12). Pensando nas energias que o Havaí propaga e recebe em formas de onda, seria a quebra do troféu e a entrega de um novo um reflexo do que vai acontecer com o surf havaiano em 2015? O surf havaiano no âmbito competitivo andava mal das pernas desde a morte do Andy Irons. Só este ano senti algum movimento em prol de voltarem a antiga forma dominadora que praticavam nos áureos anos de Sunny e cia.

Sunny Garcia continua competindo após aposentadoria em 2005. Foto: ASP / Kirstin Scholtz

Sunny Garcia continua competindo após aposentadoria em 2005. Foto: ASP / Kirstin Scholtz

Quem acompanha meu trabalho sabe que sou fã da arte de surfar e não da bandeira que o surfista carrega. Sendo assim, obviamente sou fã do surfe havaiano assim como as ilhas que frequento anualmente. Na minha última temporada lá aluguei umas das casas da família Patacchia, entre Sunset e Rocky point. A casa é administrada pelo pai do atleta, shaper aposentado (diz ele que seu filho ainda usa suas pranchas) e homônimo do surfista profissional. Ao ver uma prancha shapeada pelo Wagner Pupo, Fred Patacchia Senior reconheceu seu par brasileiro e comentou a força da nova geração brasileira no tour. Morador do Hawaii a 20 anos, Fred Pai viu muitas gerações se formarem nas sete milhas da costa norte da ilha de Oahu. Assim começamos um longo papo sobre as diferenças entre as duas culturas, renovação e seus novos atletas. Curiosamente, o veterano admitiu a ausência de novos nomes havaianos com destaque no QS e reafirmou a dominância dos atletas brasileiros. Orgulhoso enchi o peito para dizer que a próxima nação a dominar o esporte seriamos nós porém também lamentei a falta de novos nomes por parte deles. E foi aí que me espantei com a justificativa dele: “O problema da nova geração havaiana é que eles sofrem de homesick”. Homesick = saudades de casa. Os atletas havaianos não aguentam a pressão de tantas viagens e ondas de baixa qualidade enquanto sabem que em casa podem usufruir de ondas de maior qualidade. Quando você ouve uma coisa dessa, com a mentalidade de quem mora em local de ondas ruins, logo pensa: “Que besteira, todo ano eles podem surfar na melhor época as ondas do Havaí”. Com a credibilidade de ser pai de um dos atletas de ponta o mesmo afirma que Fred Patacchia Jr reclama muito quando está fora de casa mas o faz por profissionalismo. E ainda reforça: “Os novatos não tem maturidade para aguentar as dificuldades de viajar grande parte do ano e receber mensagens de ondas perfeitas em casa”. Resumindo, quando você nasce em uma ilha de ondas perfeitas, se ausentar de casa é ruim, segundo ele. Ainda notei que os novatos citados por ele admiram mais atletas como Jamie O’brien, Matt Meola e Ian Walsh do que os que competem o tour. Uma das razões pode ser porque mercado de freesurfing vem crescendo muito e os havaianos sabem e podem tirar vantagem disso por um custo muito mais barato e, mais uma vez, devido aos benefícios geográficos. Hoje a maioria dos surfistas do Havaí com destaque na mídia são freesurfers. Somente Dusty Payne e agora Keanu Asing (esse vai ser café com leite, convenhamos rs) serão novidades no time que representará os nativos das ilhas havaianas no tour 2015.

Fred Patacchia Jr continua levantando a bandeira havaiana no tour 2015. Foto:ASP / Kirstin

Fred Patacchia Jr continua levantando a bandeira havaiana no tour 2015. Foto:ASP / Kirstin

Dusty Payne também é um caso à parte. Surfei com ele em Salinas Cruz e ao vivo foi um dos melhores que já vi. No mesmo ano foi desclassificado do tour. Seria o homesick a causa disso? Além desta síndrome clássica, o atleta de Maui é proveniente de uma família muito rica. Um amigo que já trabalhou para empresa que o patrocina uma vez me contou que a meta dele era vencer uma etapa do WCT e depois viraria freesurfer de vez. O objetivo era somente se divertir perto de casa. Até porque o 1º cartão de credito Amex Black que esse meu amigo viu foi na mão dele. Do outro lado do ranking está a aposta deles, o menino prodígio John John Florence. Arrisco dizer ser o melhor havaiano a pôr uma lycra de competição depois do ídolo Andy Irons. Se conseguir desenvolver sua fome competitiva será uma pedra no sapato do Medina.

Medina e John John, os melhores em 2015? Foto:Photo: Grind TV/ASP

Medina e John John, os melhores em 2015? Foto:Photo: Grind TV/ASP

Sunny Garcia agora tem seu troféu, mas o formato competitivo da ASP ainda não atrai os atletas moradores de ilhas com ondas perfeitas. Os brasileiros sonham com as viagens para surfar e melhorar a técnica nessas ondas. Os havaianos deixam de treinar em ondas boas quando viajam em busca de pontos. O Brasil é o país que mais cresce em número de integrantes do tour, o Havaí não. O Havaí já teve alguns campeões mundiais da 1ª divisão, o Brasil ainda não tem. Brasil tem o melhor surfista da atualidade. O Havaí não tem. O Brasil não tem mais campeonato nacional mas tem uma multidão faminta por disputar o título. O Havaí tem cada vez menos jovens querendo viajar para competir fora de casa. O Brasil não tem um freesurfer que inspire a juventude, o Havaí tem vários. O Havaí tem ondas world class que atraem o mundo todo, o Brasil não. O Brasil tem o Medina. O Havaí tem o John John. Benvindo 2015.

 

 

Momentum Generation X Geração Brazilian Storm

Assistindo a etapa de Trestles do WCT, ou WSL (World Slater League? rs), não me canso de pensar em como os brasileiros estão se destacando. A última vez que vi uma mudança tão nítida na forma como alguém pratica o surfe, foi quando assisti ao filme Momentum. Gravado em 1992, foi editado e produzido por um californiano de 20 anos de idade na época, chamado Taylor Steele.  Até então, todos os vídeos retratavam a plasticidade de deslizar sobre as ondas em câmera lenta, ondas perfeitas e trilhas sonoras clássicas do surf music da época. Momentum quebrou todos os paradigmas. Com 40 minutos de duração, o foco nas manobras e as ondas ruins traziam o telespectador mais próximo da realidade dos beachbreaks da sua cidade. A trilha sonora punkrock foi um grito de anarquia na época. O filme tinha como astros um grupo de adolescentes recém profissionais de nomes até então desconhecidos, que incluíam Kelly Slater, Shane Dorian, Ross Williams, Benji Weatherly e Rob Machado. Desde seu lançamento, todos que assistiram se tornaram fãs desse grupo de surfistas como crentes de uma igreja evangélica. Qualquer filme lançado após Momentum com intenção de quebra de formato ou inovação em termos de performance é até hoje comparado com pior ou igual a esse clássico. Conseguir uma sessão no Momentum era estar na crista da onda. E 98% dos surfistas que participaram do filme tiveram uma carreira financeiramente saudável. Tanto que o filme se desdobrou até sua 3ª edição. Desde a década de 90 até hoje esse grupo ditou as regras do surfe moderno, rompeu todas as barreiras do esporte e abriu novos rumos para o surfe explodir pelas praias do mundo.

A geração Momentum reunida depois de 20 anos do lançamento do primeiro filme. Fonte: Surfing

A geração Momentum reunida depois de 20 anos do lançamento do primeiro filme. Fonte: Surfing

Adianto quase 20 anos e vejo uma cena no mínimo curiosa em relação a esse grupo. Único remanescente da geração Momentum em atividade no circuito mundial é o Kelly Slater, um E.T fora da curva que dispensa comentários. O resto da geração inteira não está mais na cena competitiva ou liderando qualquer movimento de vanguarda do esporte. Felizmente e por outro lado, literalmente, vejo o mundo inteiro se impressionando e seguindo um novo grupo de recém profissionais. Os brasileiros que foram denominados pelos estrangeiros como a geração Brazilian Storm são hoje para o mundo o que a geração Momentum foi há duas décadas atrás. Ao contrário dos gringos, o grupo tupiniquim ainda não foi representado em filme (o que estão esperando para lançar esse filme?) mas tem as redes sociais como grande mural de exposição tão ou mais forte que uma fita de videocassete. Essa geração é formada por um pequeno grupo de talentosos surfistas que estão reescrevendo a maneira de surfar e ainda dando o troco no placar de derrotas deixado pelos primeiros surfistas brasileiros no circuito mundial. Por todos esses anos é a primeira vez na vida de um fã do esporte como eu que tenho a sensação real de que podemos dominar as próximas décadas. Os “gringuinhos” no colégio vão crescer vendo Medinas e Toledos vencendo e os Kolohes e Julian Wilsons perdendo, assim como víamos nossos Dornelles e Jojós serem massacrados por americanos e australianos.  A distância no nível de surfe dos nossos dinossauros e os deles eram imensas! Para um fã patriota, não era tão fácil perceber isso e continuavamos cegamente torcendo. Avançar uma bateria era uma glória. Me lembro quando amigo nosso, carioca, batalhador do WQS, venceu uma bateria de 1ª fase do Taylor Knox em uma etapa nas Ilhas Reunião, quase fizeram uma festa para o cara. Diz a lenda que renovou patrocínio por mais um ano só por esse feito. Merecido. Era uma luta vencer um membro da geração Momentum. Enquanto nossos adjetivos eram os cutbacks perfeitos de Fábio Gouveia, a deles eram os aéreos no grab e reverses na espuma do cutback de um adolescente havaiano chamado Kalani Robb. Enquanto nos gabavamos em vencer baterias pontuais, eles perdiam as contas dos títulos mundiais do Kelly Slater. A geração de brasileiros fãs de surfe sofreu durante todos esses anos vendo nossos atletas perderem e serem considerados os patinhos feios do circuito.

 

Gabriel Medina impressiona pelas suas manobras inovadoras e competitividade. Fonte: Surfing

Gabriel Medina impressiona pelas suas manobras inovadoras e competitividade. Fonte: Surfing

Hoje somos a galinha de ouro da história. Em termos de competitividade, Medina é o novo Kelly Slater. Jadson André lembraria um novo Kalani Robb no quesito velocidade e manobras aéreas. Adriano de Souza como novo power surfing de borda seria nosso Taylor Knox. Miguel Pupo com seu estilo leve e fluido traz um quê de Rob Machado. Felipe Toledo traz a ousadia e inovação que Shane Dorian representava na época que surgiu na cena mundial. Alejo Muniz e suas rasgadas fortes completaria o nosso time no lugar do Ross Williams. Usem a criatividade e achem o membro Momentum que mais se adeque a seu ídolo Braziliam Storm. Hoje a diferença do surfe do Felipe Toledo para os demais atletas do tour é gritante. É o novo versus o velho. Dia versus noite. Entretenimento versus emprego. Deephouse versus Sertanejo. Dólar versus peso argentino. A geração Momentum ainda é relevante? Com certeza seu legado sim. Kelly Slater sim. Agora, a geração Brazilian Storm é muito mais. É natural que os demais abram caminho para as melhores performances acontecerem. Foi assim antes e será a partir de hoje também. Apesar de nem sempre o ranking comprovar isso, a esquete canarinho irá trazer um título mundial para nosso lado isso é um fato aceito por todos. Quem viver verá.

O MMA do surf

Uma grande expectativa rondava a realização de um campeonato de surfe inovador realizado no último dia de setembro pela marca de energético mais conhecida do mundo. Um evento onde 16 especialistas em ondas tubulares, grandes e perigosas iriam disputar baterias homem x homem em uma das ondas mais pesada do planeta, a bancada chamada de Ours, ou CapeFear, como o patrocinador preferiu comercializar.

No último dia do tão esperado evento, o pico bocejou. Digo bocejou, porque acordar mesmo seria caso tivéssemos visto ondas de 10 a 12 pés explodindo perto do cliff que cerca essa linda baia na cidade de Sydney. Baia, esta que serviu de primeiro porto para o famoso explorador Captain Cook quando descobriu a Australia há mais de 200 anos atrás. Porém o bocejo de Ours mesmo assim entregou ondas pesadas o suficiente para testemunharmos um dos mais inovadores formatos que o surfe já se viu até hoje em uma onda desse perfil. Essa onda quebra a 15 metros de um cliff, o fundo é de pedra, cheio de mariscos afiados,  extremamente tubular e pesada, que aguenta de 6 a 12 pés. No final da onda sempre tem um backwash monstro que derruba qualquer um, obrigando a sair dela rapidamente caso vc saia do tubo, ou sua chance de escapar sem um arranhão é nula. O lip é grosso e pesado e o natural ali é o tow in, porém após anos frequentada somente por bodyboarders, os surfistas dominaram o local e finalmente venderam ao mundo após esse evento.

Kobi Aberton é profundo conhecedor desta onda, e venceu sua bateria contra Bruce Irons. Foto: RED BULL

Kobi Aberton é profundo conhecedor desta onda, vencendo Bruce Irons no confronto direto. Foto: RED BULL

 

O mais interessante na minha opinião não foi a onda e sim o formato. Mesmo a ASP realizando campeonatos em ondas incríveis como as etapas de Jbay e Taiti, esse ano, o formato é chato e inconsistente para o público leigo. Alguns leitores mais atentos podem ter percebido por outros textos (leia aqui http://surf100comentarios.com.br/big-tuberide-wave-tour/)  que sou um pregador solitário por uma alteração de formatos e inovações em julgamento e premiações para evolução do esporte. Esse evento foi um colírio para meus olhos atentos a tela do computador, assistindo a transmissão online. Foram 8 baterias, todas homem a homem. Cada bateria, que o evento chamava de batalhas, consistia em 2 surfistas que foram escolhidos para se enfrentarem por suas capacidades técnicas parecidas e similaridades de estilo e currículo em ondas pesadas. Não foi um sorteio baseado em ranking ou nada que o valha. Os organizadores explicavam as similaridades dos atletas durante a bateria e a relação de amizade ou não, eram exaltadas pelos comentaristas como forma de animar as batalhas, assim como narradores da ESPN ou Canal Combate fazem durante uma luta de MMA. Após a bateria, cada vencedor recebia o veredito da vitória em pé perante seu adversário e o juiz (no caso apresentador Toby Martin) levantava a mão do vencedor na hora do anuncio (não havia transmissão de notas ao vivo). Após a consagração do vencedor e o anuncio do prêmio de US$10.000,00, uma entrevista a 3 acontecia naturalmente misturada a brincadeiras e provocações por parte dos atletas! Imaginem se fosse possível ouvir o que o Medina queria dizer ao Julian Wilson após a polemica final de Portugal? Ou Jeremy Flores ao Sebastien Zietz após a famosa bateria que o levou a ser suspenso da etapa do Taiti? Até mesmo uma entrevista de KS e JJF juntos após a melhor bateria do século nesse mesmo evento seria obrigatória nesse novo formato.

Ryan Hipwood usou seu conhecimento local para vencer o hawaiano Jamie O'Brien. Foto: RED BULL

Ryan Hipwood usou seu conhecimento local para vencer o hawaiano Jamie O’Brien. Foto: RED BULL

Basicamente as batalhas de 1 a 5 pareciam finais de campeonatos para mim e um entretenimento muito maior que 90% das baterias da ASP hoje. Inicialmente, cada bateria teria 20 minutos de remada e 20 minutos de tow in, mas devido ao tamanho pequeno das ondas o evento foi realizado somente com o modelo de entrada através de força manual na onda. Mas caso tivesse grande seria alucinante ver um atleta sendo testado nas duas categorias. Sabemos que vários “bigriders base de caranguejão”, não sabem nem dar um cutback direito. Assim eles teriam suas habilidades verdadeiramente testadas. Mas não foi dessa vez. Até porque todos os selecionados eram feras mais que comprovados em todas as categorias. Segue a relação de baterias e nome das feras.

Batalha 1 – Ryan Hipwood (Aus) venceu Jamie O’brien (Haw). Essa bateria foi alucinante. Além de ser a primeira, todos queriam ver o Jackass e estrela do surfe JOB atropelar o australiano local e um dos organizadores do evento. Porém não foi o aconteceu. O havaiano ficou esperando uma onda nos moldes de sua terra natal que nunca veio enquanto o local mostrou que conhecia a bancada pegando os melhores tubos. Mesmo assim o anti campeonato JOB estava todo alegrinho e elogiando o formato todo bobo mesmo após perder.

 

Batalha 2 – Mark Mathews (Aus) venceu Shane Dorian (Haw) – Essa foi o que poderíamos ter chamado de card principal do dia! O organizador e porta voz do evento e psicopata australiano Mark Matheus versus o Papa das bigwaves mundial. Nessa hora foi decepcionante ver o tamanho das ondas perante o potencial suicida dos atletas na agua. Aqui resumo a bateria como um fracasso pois durante essa bateria rolou um flat longo e a mãe natureza ficou devendo essa para gente. Chamo atenção para notarmos que mesmo em um evento super inovador como esse, a natureza ainda é suprema e até que se crie uma piscina com força que crie ondas realmente desafiadoras, será difícil acertamos todas as baterias de um evento.

 

Batalha 3 – Laurie Towner (Aus) venceu (David Rastovich) – o bigwave charger Laurie Towner, ex estrela da Billabong surfou com maestria e embolsou o cash que ele tanto deve estar precisando pois está sem patrocínio. Já David Rastovich surfou sem muita preocupação, até porque mês passado venceu o campeonato de luxo de másters lá Maldivas e devia esta já com bolso cheio.

Batalha 4 – Koby Aberton (Aus) venceu Bruce Irons (Hav) – essa também foi uma das mais esperadas batalhas do dia. Os dois grandes amigos, são ditos como filhos de pais diferentes, foram para água disputar uma bateria que poderia entrar para hall das mais incríveis baterias do século. Porém ao pular do cliff, o local australiano tomou a vaca do dia e entrou no mar literalmente rolando na água. Claro que isso foi piada para todos até o final do evento. Como de praxe, Bruce Irons, continuou apático e perdeu. Volta Bruce!

Batalha 5 – Dean Morrinson (Aus) venceu Ian Walsh (Haw) – Todos achavam que o havaiano não chegaria a tempo pois estava em missão com Taylor Steele atrás da maior onda já surfada na Africa do Sul, mas o cara chegou direto do aeroporto para a bateria. O que ele não sabia era que o Coolie Kid segregado tinha tomado muito energético e tirou altos tubos para embolsar a premiação sem que ele nem percebesse.

Batalha 6, 7 e 8 – Richie Vaculik (Aus) venceu Evan Faulks (Aus), Kirk Flintoff (Aus) venceu Jai Abberton (Aus) e Jesse Polock (Aus) venceu Sam Macintosh (Aus) – baterias que poderiam estar numa espécie de card preliminar antes dos astros. Todos estes locais do pico que só estavam ali porque são da patota do organizador Mark Matheus. Todos botaram para baixo mas aqui fica minha crítica ao evento que deveria ter aproveitado essas 3 baterias para chamar mais atletas internacionais, inclusive brasileiros, sul africanos e americanos que ficaram de fora.

Shane Dorian se sentiu a vontade nas pesadas condições do pico. Foto: RED BULL

Shane Dorian se sentiu a vontade nas pesadas condições do pico. Foto: RED BULL