Arrombando a porta parte dois

Quem assistiu ao filme “Bustin Down the Door”, que mostra o domínio de
uma nova geração de surfistas em águas havaianas, está assistindo uma
nova versão da história contada por brasileiros. O título mundial de
Gabriel Medina foi o começo do domínio brasileiro no tour mundial,
tanto no CT quanto no QS. A confiança tomou conta de nossos atletas e
os resultados podem ser vistos nos rankings da WSL. No CT temos três
atletas com chances reais de trazer mais um título para o Brasil. No
QS temos quatro atletas na lista dos dez primeiros, com vagas
garantidas na elite de 2016. O décimo primeiro é o cearense Michael
Rodrigues, com grandes chances de entrar também. Resumindo, além do
segundo título, que podemos conquistar depois de Pipeline, poderemos
ter entre 9 e 11 atletas na primeira divisão em 2016. Praticamente um terço dos 34
atletas que vão disputar o circuito do próximo ano.

Miguel Pupo ganhou o QS 10 mil de Maresias e garantiu mais um ano na elite. Foto: Daniel Smorigo

Miguel Pupo ganhou o QS 10 mil de Maresias e garantiu mais um ano na elite. Foto: Daniel Smorigo

A vitória de Miguel Pupo na etapa do QS 10 mil de Maresias foi a
décima primeira conquista do Brasil em trinta e seis eventos do QS,
até o momento, em 2015. Tem ainda Haleiwa e Sunset, mas acredito que
vencer em águas havaianas é bem mais complicado. De qualquer forma, se
compararmos com anos anteriores, veremos que nunca vencemos tanto como
agora. Se contarmos ainda com as vitórias em etapas do CT, notaremos
uma grande supremacia do Brasil diante das outras nações, que por anos
dominaram o circuito mundial. Vencemos cinco das dez etapas do CT
deste ano. São 16 troféus que levantamos neste ano. Quando imaginamos
esta situação?

Filipe Toledo executa as manobras aéreas com muita precisão

Filipe Toledo foi o único que venceu três etapas em 2015, até o momento. Foto : WSL

Vencer da forma que estamos vencendo é o que dá mais orgulho. Quando
Filipe Toledo ou Gabriel Medina entram no modo automático ninguém
consegue parar esta dupla. Em 2015 os dois colecionaram algumas notas
dez em baterias do CT. Filipinho ainda precisa melhorar em ondas mais
fortes, mas com o talento que tem, tenho certeza que será completo em
breve. Com pouca idade, e ainda precisando melhorar algumas coisas no
seu surf, foi o único que ganhou três etapas neste ano no CT. Não acho
que está fora da disputa como muitos falam. O garoto tem estrela e
acho que vai ser o grande adversário do Medina no tour se o John John
continuar com seu modo goiaba nas competições. Gabriel é completo e
vem como um furacão atrás de seu segundo título. Começou mal o ano,
mas ligou o turbo e, sinceramente, alguma coisa me diz que posso ver a
mesma cena de 2014, quando levantou o caneco de campeão mundial no
final de Pipe. Palpite? Pode ser.

Gabriel voltou a mostrar surf de campeão mundial. Foto: WSL / Stephen Robertson

Gabriel voltou a mostrar surf de campeão mundial.
Foto: WSL / Stephen Robertson

Seria uma injustiça se não escrevesse nada a respeito de Adriano de
Souza. Foi o maior guerreiro que tivemos no CT de 2015. Na perna
australiana foi um gigante. Mostrou que queria ser o primeiro campeão
da recém-criada WSL. Falou isso abertamente. Seu foco e determinação
foram fundamentais para colocá-lo sempre na briga por seu grande
sonho. Foi campeão mundial Pro Jr., campeão mundial do WQS, faltando
apenas o título máximo na sua carreira vitoriosa. Torço muito para que
o título termine com ele. Principalmente porque acho que foi o grande
exemplo para a geração Brazilian Storm, da qual faz parte, apesar de
ser o mais antigo. A verdade é que não somos mais apenas uma
tempestade, mas uma realidade.

Adriano de Souza continua com a liderança do ranking do CT. Foto: WSL /KC

Adriano de Souza nosso grande guerreiro no CT. Foto: WSL /KC

1 Response

  1. Marcio Foschiani 11 de novembro de 2015 / 20:24

    Perfeito texto, torço muito pelo Adriano levar o título esse ano, como você disse, ele é o mais experiente dessa geração, está merecendo. Filipinho tem muitos anos pela frente e ainda vai crescer mais, Estou também com a sensação de que o Medina vai levantar essa taça de novo.

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