A primeira viagem a gente nunca esquece

Ao contrário de muitos amigos meus, comecei a viajar para o exterior somente em 1996, quando tinha 32 anos. Andava com o Eraldo Gueiros e o Carlos Burle, para quem essas viagens já eram bastante rotineiras. Como não tinha grana para segui-los, contentava-me em ouvir as narrações de suas aventuras com a esperança de um dia conhecer as maravilhosas ondas por eles surfadas. Já conhecia quase todas as ondas do Brasil, mas faltava abrir novos horizontes.

Praia de Parlatuvier Tobago

Praia de Parlatuvier Tobago

Em 1996, quando era sócio do Eraldo numa Loja da Quiksilver, em Ipanema, esperei terminar o Natal para juntar dinheiro e comprar uma passagem para Trinidad e Tobago. Instigado por uma foto que vi numa matéria da revista Fluir, convenci meu grande amigo de viagens, Rocco Maranhão, filho do lendário Maraca, a seguir para o mesmo destino. Fizemos “uma barca” com cinco amigos e a namorada do Rocco.

Rocco, Carina e Marcelo Ebola viajaram na frente e me deram um telefonema que me deixou ainda mais animado, no qual eles falavam sobre a beleza do lugar e sobre as longas ondas que quebravam para a direita. Regular que sou, comecei a imaginar como seria…
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Dias depois, embarquei com o Paulinho, um amigo de Ipanema, com a certeza de que passaria 20 dias só pensando em surf… Relax total!… Assim, saímos do Rio em direção a Caracas (Venezuela) voando pela antiga VIASA, empresa aérea horrorosa, mas com o preço bem em conta. De lá fomos para Trinidad e dormimos numa espelunca, aguardando nosso embarque na manhã seguinte.

Quando faltavam 20 minutos para chegar ao meu destino, a ansiedade ainda era enorme. Logo após aterrissar em Tobago, avistei Rocco, Marcelo e Carina nos esperando em um bugre bem esquisito. O carrinho era apertado, mas funcional. Colocamos as malas no teto e fomos para a casa que alugamos num lugar estratégico, a 10 minutos do pico.

A caminho da nossa hospedagem passamos em frente à onda mais famosa da ilha, Mount Irvine. Posso garantir que a imagem permanece muito viva na minha memória até hoje: direitas intermináveis seguindo por cima de um reef todo coberto por algas em água extremamente transparente.

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O que mais eu poderia pedir a Deus?…

Que as minhas pranchas chegassem, porque a empresa aérea as tinha enviado para a Costa Rica…

Felizmente meus amigos tinham levado várias pranchas e, assim, consegui me divertir e acreditar que nada iria estragar aquela minha primeira viagem de surf ao exterior. Foram 28 dias de astral altíssimo, com expedições por toda a ilha, conhecimento da cultura local, novas amizades com surfistas mais velhos que já frequentavam a ilha por muitos anos e alguns churrascos promovidos por eles.

Tobago é de uma beleza sem igual, com uma das águas mais transparentes que já vi na vida. Seu povo é muito educado. Lá, todos são obrigados a estudar. Embora franceses e espanhóis tenham sido seus colonizadores por um tempo, a língua oficial do país é a inglesa.

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O sonho de ir ao exterior havia se concretizado e a visita a outros points seria uma meta. Mais tarde visitei outros países: Costa Rica, Nova Zelândia, Havaí, Nicarágua, Canadá, Maldivas e El Salvador. Mas isso eu conto numa outra ocasião…

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