A Conquista do Guerreiro

O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Mick Fanning que o diga. Na mesma Pipeline, em uma disputa de título com um brasileiro, perdeu sua chance de ganhar mais um caneco, em uma derrota para outro brasileiro. Os algozes e os campeões foram diferentes, mas a sensação a mesma. Logo ele, que todos afirmavam que estava sendo ajudado pelo julgamento da WSL, tomou uma virada nos minutos finais, de uma manobra que não consta nos critérios de julgamento das ondas surfadas em Pipeline. Isso foi bom para acabar com a teoria da conspiração que todos falavam nas redes sociais. Adriano de Souza é o legitimo campeão mundial e nunca tivemos um ano tão bom como 2015. Caio Ibelli levou o QS, Adriano de Souza o CT, Gabriel Medina a Triple Crown, e Italo Ferreira a revelação do circuito. Fora os terceiros no mundial de longboard, de Chloé Calmon e Rodrigo Sphaier, e o título de Caio Vaz no mundial de SUP. Será que somos tão prejudicados pelo julgamento ?  Julgamento é subjetivo e em várias ocasiões discordamos das notas, mas não acredito em manipulação ou desonestidade por parte dos juízes. Como diz um amigo, chega de chorôro, vamos comemorar.
Na briga pelo título sabia que levávamos vantagem pelas leis da estatísticas. Tínhamos 75% de chances de levar.  Sabia que a briga estava entre Mick Fanning, Filipe Toledo, Gabriel Medina e Adriano de Souza. Owen Whight e Julian Wilson estavam com poucas chances de levar o caneco para austrália.Filipe Toledo foi um monstro em vários eventos durante o ano. Porém, nas etapas de esquerdas grandes e tubulares ficou a desejar. Poderia ter passado a bateria de Mason Ho, mas os juízes consideraram que faltava 0,27. Com certeza vai ser esta reflexão que vai levar para 2016. Ele é muito jovem e tem muito a aprender. Seu talento é enorme e com certeza estará em outras disputas pelo título mundial.

Gabriel Medina é o melhor surfista do mundo, na minha opinião. Ele e John John Florence são acima da média. Contudo, John John não tem a vocação para competidor. Gabriel, ao contrário, é um dos mais competitivos do tour. Talento e competitividade podem levá-lo ao patamar de Kelly Slater. Para isso não pode repetir o começo de ano de 2015, quando deu prioridade aos compromissos de seus patrocinadores. Tem que pensar que é uma corrida de longa distância, onde tem que manter o fôlego do começo ao fim. Poderia ter sido bi se não tivesse perdido para Glen Hall e Keanu Asing, dois atletas bem inferiores a ele. Vai levar essa lição para 2016.

Adriano nunca desitiu do seu sonho. Foto : WSL

Adriano nunca desitiu do seu sonho. Foto : WSL

Mick Fanning teve um grande ano. Venceu duas etapas e poderia ter vencido a terceira se não fosse o tubarão. Naquele momento pensei na sorte de campeão de Adriano. Imaginem se ele tivesse mais dois mil pontos na sua pontuação. Não estaríamos comemorando hoje. Em Trestles assumiu a liderança e parecia que não entregaria mais. Adriano ficou em segundo na etapa e mantinha uma proximidade da liderança. Filipe Toledo e Gabriel Medina ficaram em terceiro e vinham babando atrás dos lideres. Ainda tinha Owen e Julian Wilson com chances de título, mas que foram diminuindo na perna europeia. Mick chegou em Pipe como grande favorito, mas seu caminho rumo ao tetra era por demais ingrato. Pegar pelo caminho Jamie O’Brien, Kelly Slater, John John e Medina, em Pipeline, era uma missão muito difícil de superar. Com muita concentração e determinação foi vencendo um a um até chegar em Medina, na semi final. A morte de seu irmão, um dia antes de começar o evento, foi sua fonte de inspiração para superar as dificuldades. É um atleta idolatrado por seus companheiros de circuito, principalmente por seu caráter e profissionalismo. Lutou até o fim e merece aplausos dos amantes do esporte. Foi um digno adversário para o nosso campeão.

Ontem Adriano de Souza conseguiu o último título que faltava em sua brilhante carreira na ASP/ WSL . Foi campeão mundial Pro Jr, campeão do WQS, e agora do CT. Um vencedor nato desde sua infância, quando conquistou tudo que participou. Um fenômeno que despontou como a grande promessa do surf brasileiro.  Descoberto por Luiz Henrique, o pinga, sua carreira foi planejada com o objetivo de ser o primeiro brasileiro campeão do mundo. Entrou no CT sabendo se impor, mas faltava consistência para chegar ao título. Procurou evoluir nas ondas que tinha dificuldade, aprender com seus erros. Em 2011 venceu a etapa da Barra e sentiu o gostinho de ser o líder do ranking depois de 4 etapas. Não conseguiu acompanhar seus oponentes, mas sentiu que podia chegar. A entrada dos mais jovens no circuito, seguindo o mesmo planejamento do dele, mostrou que seu exemplo foi muito importante para o surf brasileiro. Miguel Pupo, Jadson André, Alejo Muniz e Gabriel Medina, junto com Adriano, mostravam ao mundo que esta seria a geração mais bem preparada e melhor até hoje, como digo na abertura do programa Brazilian Storm, do Canal Off.  O mundo do surf sentiu que a tempestade se aproximava para mudar de mãos o domínio do esporte.

Adriano veio de baixo e sabe dar valor as coisas que conquista. Trabalhou muito para chegar ao topo. Mostrou que muitas vezes não adianta só talento para alcançar as metas traçadas. Precisa ter garra e determinação para chegar ao lugar mais alto pódio. Um exemplo para nós brasileiros que temos a fama de nunca desistir. Acredito muito em trabalho, e por isso reverencio o novo campeão mundial de surf. Que o exemplo dele siga para as próximas gerações.

Parabéns Mineiro !! Campeão mundial 2015 !!

Parabéns Mineiro !! Campeão mundial 2015 !!

1 Response

  1. Rossi 21 de dezembro de 2015 / 16:50

    A consistência é fundamental para que um competidor seja campeão. O Mineirinho com apenas 1 vitoria na temporada já seria campeão. Enquanto Felipe Toledo com 3 vitórias terminou em quarto. Felipe tem um forte trabalho pela frenta!

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