9 Pés

Sou fã do Canal Off  e nem preciso dizer porque. Gosto de quase todos os programas de surf, principalmente os feitos pelo Grupo Sal. Mas minha intenção não é enaltecer o canal, e sim os dois protagonistas do programa 9 Pés, Phil Rajzman e Chloé Calmon.  Os dois foram os melhores brasileiros na disputa do mundial de longboard, que terminou nesta semana, em Wanning, na Ilha de Hainan, na China.  Phil ficou com a segunda colocação no masculino e Chloé com a terceira no feminino. O que me veio a cabeça foi a importância que as viagens pelo mundo, feitas para a gravação do programa, tiveram nas performances do dois durante suas baterias do mundial. O programa tem sido uma aula de cultura de longboard e um show de surf, dos dois e de seus convidados ilustres, normalmente atletas de alto nível técnico.  Uma sessão em Olis Point, na Costa Rica, foi uma das melhores que já ví daquele pico. Na Califórnia, berço do longboard, não foi diferente. Freesurf em Malibu e outros picos tradicionais da costa oeste americana, misturado com visitas em grandes fabricas de pranchas, deram um destaque e valorização da modalidade.

Phil Razman comemorando o vice campeonato. Foto:ASP

Phil Razman comemorando o vice campeonato. Foto:ASP

Num momento difícil para o surf brasileiro, e nisso o longboard também está incluído, a falta de eventos da categoria já seria motivo para não termos bons resultados. Quem é, ou foi competidor, sabe que falta de ritmo de competição dificulta muito a conquista de uma boa colocação, principalmente em uma etapa única de mundial. Acho que tanto o Phil, quanto a Chloé, parecem estar num momento de vida muito bom, e o programa certamente colaborou para isso. Phil sempre foi um dos melhores do mundo, mas a falta de patrocínio, por um bom tempo, deu uma desanimada em seus objetivos competitivos. Acredito que agora ele se anime de novo, pois está com alguns patrocínios na prancha e com uma visibilidade que não tinha a algum tempo, o que pode gerar novos e bons contratos. Chloé, que tem menos tempo de carreira, nunca sofreu a falta de bons patrocínios. Apontada deste muito nova como a grande promessa do longboard feminino brasileiro, teve o suporte de seu pai e de seus patrocinadores para um caminho pavimentado até a conquista do terceiro lugar no mundial. Ainda é muito jovem, e tem grandes chances de se tornar campeã do mundo em muito pouco tempo. Dois craques da prancha que tem tudo para seguirem no topo do esporte.

Chloé Calmon em ação durante o mundial da China. Foto: ASP

Chloé Calmon em ação durante o mundial da China. Foto: ASP

Com foco total no possível título do WCT de Gabriel Medina, os brasileiros deixaram um pouco de lado outras conquistas recentes de nossos atletas. O vice campeonato mundial de Caio Vaz no SUP é um exemplo. O garoto é muito fera e deve ser campeão do mundo em breve. Nicole Pacelli foi campeã mundial de SUP ano passado e pouco destaque foi dado ao feito. Nossos Big Riders estão no nível dos estrangeiros e sempre estamos na disputa do XXL. Maya Gabeira tem sido a protagonista da categoria feminina desse prémio a alguns anos. Vamos enaltecer o feito de nossos dois longboarders, pois o Brasil nunca esteve tão bem representado em todas as modalidades do surf como agora. Podemos encerrar o ano com o título do WCT de Gabriel Medina, do WQS masculino de Filipe Toledo, do WQS feminino de Silvana Lima, o vice do Caio Vaz no SUP, o vice de Phil Rajzman e o terceiro de Chloé Calmon. Somos uma potência do surf mundial ou não somos ?

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