Chutômetro das Ondas

Sábado dia 11 – Meio metro, com séries maiores, nas praias que recebem bem ondulação de sudeste/leste. Vento nordeste faco pela manhã, passando a leste forte a tarde. Melhores condições: Arpoador, Canto do Recreio e Prainha.

Domingo dia 12 – Aproximadamente meio metro, com ondulação de sudeste. Vento nordeste faco pela manhã, aumentando um pouco a tarde. Melhores condições: São Conrado canto esquerdo Canto do Recreio e Prainha.

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Fonte : www.surfguru.com.br

Tempestade Brasileira ainda não atingiu a costa de J Bay

A Tempestade Brasileira ainda não atingiu a costa de J Bay.  Nenhum dos 9 brasileiros inscritos na competição conseguiu passar direto para o round 3 e vão encarar a repescagem. Ainda bem que só teremos um confronto entre brasileiros nesta fase. Wigollly Dantas disputa uma vaga com Miguel Pupo. De resto é torcer para que o mar melhore e o surf brasuca desponte.

O lider do ranking, Adriano de Souza, está na primeira bateria do round 2. Foto: WSL/KC

O lider do ranking, Adriano de Souza, está na primeira bateria do round 2. Foto: WSL/KC

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Semana que vem tem Super Surf

Na próxima semana começa o Circuito Super Surf 2015, na praia de Maresias, São Paulo. Todas as vagas foram preenchidas, e o evento contará com 144 atletas inscritos, disputando uma premiação 60 mil reais, distribuida entre os melhores da competição. É o recomeço de um circuito brasileiro forte. Uma nova esperança de encontrarmos novos Medinas e Filipinhos, para mantermos o patamar que atingimos no circuito mundial com a geração Brazilian Storm. Mesmo com a crise econômica que o Brasil está atravessando, o surf parece entrar em uma nova rota de crescimento.

 

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Surfista de alma

Na sexta passada tive a triste notícia do falecimento de uma das maiores figuras que já conheci. Newton Alves da Fonseca, o Newtinho Butterfly, legend do Arpoador, deixou esse plano, seguindo para um lugar bem melhor. Não tenho como não homenagear o cara que me ensinou tantas coisas. Foi amigo, conselheiro, um irmão. Com ele aprendi a escolher a prancha certa, a previsão das ondas, a se colocar nos picos crowdeados do Rio de Janeiro, a ser uma pessoa melhor. Foi a maior referência que tive na minha volta de Recife para o Rio, em 1988.

Tenho 37 anos de surf e nunca conheci um cara tão apaixonado pelo surf como ele. Na sua casa tinham 42 pranchas espalhadas, algumas de uso próprio, outras de grandes nomes do esporte, compradas em suas viagens, ou em eventos mundiais no Brasil. Um verdadeiro colecionador de pranchas. Tinha muito orgulho de dizer que tinha adquirido pranchas de campeões mundiais. Considerava seu tesouro e sua aposentadoria. Tratava as pranchas com carinho, principalmente as de seu grande amigo China, que considerava como relíquias. Sua mudança de Ipanema para a Gávea, e um problema de saúde, o obrigaram a colocar suas pranchas num depósito. Além de ficar mais longe da praia e dos amigos, estava distante de uma de suas maiores paixões.

Entrevista com Newtinho para extinta revista Blackwater. Foto: Minduim

Entrevista com Newtinho para extinta revista Blackwater. Foto: Minduim

Newtinho era um cara puro, que gostava de contar suas histórias para os amigos. Tinha um público cativo no Arpoador, local que mais amava em vida. Não tinha um swell perfeito para o pico que ele não tivesse previsto um mês antes. Como não tinha o hábito de usar computador, todas as suas previsões eram de anos de experiência ligados a natureza. Tinha uma sensibilidade fora do comum para prever as mudanças do tempo e do mar. Sua alma era tão ligada ao surf que procurava entender  tudo que era ligado ao esporte. Era extremamente inteligente e isso ajudava muito.

O que mais me impressionava nele era a vontade de ajudar. Estava sempre de prontidão para dar uma mão aos amigos mais próximos. As vezes era visto em campeonatos orientando atletas que nem conhecia direito. Muitos nem entendiam direito o porque daquilo, mas para quem conhecia o Butter, entenderia que era pelo amor extremo que nutria pelo esporte. Podia até ser um pouco inconveniente, é verdade, mas fazia de boa intenção. Era uma pessoa tão boa, que no mundo cão em que vivemos, as vezes, era um pouco incompreendida.

Escrevo essa homenagem com lágrimas no olhos, pois sei que dificilmente conhecerei alguém tão bacana quanto ele. Agradeço por tudo que me ensinou e por toda alegria que me transmitiu. Pelo companheirismo nos tempos de dificuldade que passei. Pelas orientações corretas em momentos de dúvida.
Tenho certeza que a expressão surfista de alma foi criada para pessoas como ele. RIP meu grande amigo, DEUS te espera de braços abertos.

O Arpoador era o pico preferido dele. Foto: Minduim

O Arpoador era o pico preferido dele. Foto: Minduim

Chutômetro das Ondas 03-07

Sábado dia 4 – Aproximadamente um metro, com séries maiores na praias que recebem melhor a ondulação de sul/ sudoste. Vento oeste fraco pela manhã, passando a sudoeste forte a tarde. A maré vai ser 0,0 as 11 hs e isso tem que ser levado em consideração. Na Zona Oeste as ondas devem ter um metro com séries maiores. Prainha e Grumari devem ser as melhores opções. Na Zona Sul as ondas ficam em torno de um metro nas séries com a melhor opção o Pontão do Leblon.

Domingo dia 5 – Aproximadamente um metro e meio, com séries maiores na praias que recebem melhor a ondulação de sudoste. Vento sudoeste moderado pela manhã, diminuindo a tarde. A maré vai ser 0,0 as 11:53 hs e isso tem que ser levado em consideração. Na Zona Oeste as ondas devem ter um metro e meio com séries maiores. Prainha e Grumari devem ser as melhores opções. Na Zona Sul as ondas ficam em torno de um metro a um metro meio nas séries com a melhor opção o Pontão do Leblon e Diabo.

Fonte: Surfguru
Video: Ezalx

Foto: Minduim

SURF FEMININO SIM, MAS COM ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

O retorno do Super Surf gerou uma enorme esperança para o circuito brasileiro de surf profissional. Mesmo com a premiação longe dos patamares do antigo circuito, o evento promete criar raízes fortes para um crescimento ordenado. Porém, com o anúncio do circuito veio a notícia que o feminino ficaria de fora, o que gerou um manifesto pelo Surf Feminino Sim. Com o final do Brasil Surf Pro, em 2011, o surf profissional masculino se utilizou dos regionais para definir o campeão. O surf feminino não teve o mesmo caminho, realizando apenas uma etapa em 2014, para definir a cearense Silvana Lima como a campeã brasileira. A menos de um mês do recomeço do Super Surf, vejo um movimento na redes sociais em favor da volta de eventos fortes para as meninas. Foi através da campeã Jacqueline Silva que o movimento ganhou força.

Jacqueline Silva pede a volta de um circuito forte para as meninas. Foto: Cestari

Jacqueline Silva pede a volta de um circuito forte para as meninas. Foto: Cestari

Tenho a maior simpatia pela volta de algo representativo para as meninas, mas tenho que fazer algumas considerações dos meus tempos de ABRASP. Foi um erro determinar uma elite para o surf brasileiro, principalmente para elas, pois a maioria não tinha patrocínio, e algumas nem surf de primeira divisão . A consequência disso era a falta de condições para viajar para eventos que fossem distante de seus estados, deixando furo na chave de bateria. O nível técnico de algumas atletas era fraco, mostrando uma certa fragilidade da categoria para os organizadores e patrocinadores. Fora isso, não houve uma renovação significativa durante os anos de Super Surf e BSP. Claro que boas atletas apareceram, mas não foram tantas. Se pensarmos friamente, o trabalho interno para o feminino só gerou 3 atletas que tiveram destaque no CT. Tita Tavares, Jacqueline Silva e Silvana Lima, foram as atletas brasileiras que participaram de algumas temporadas na elite mundial. Diana Cristina, apontada como potencial atleta do tour, não conseguiu emplacar neste grupo. O que significa isso ? Na minha maneira de ver, faltou apoio dos patrocinadores, um planejamento melhor para a categoria (tanto na pro, quanto no amador), eventos regionais para as meninas, e mais visibilidade na mídia especializada. Somente na época do boom feminino das marcas de surf que tivemos bons patrocinadores para nossas garotas. Mas mesmo nesse momento faltou planejamento para um desenvolvimento técnico maior das nossas surfistas. Não se preocuparam em dar condições e estrutura para elas se aprimorarem. Por isso acho que a categoria deveria ser sempre aberta, com maior possibilidade de aparecer novos talentos. Acredito que o mesmo deveria ser para o masculino, pois as novas gerações precisam de eventos que possibilitem maior destaque, e bagagem , antes de seguirem para o QS.

Sempre conversei com as representantes das meninas que o produto surf feminino teria que ter mais valor para elas serem valorizadas. Que as premiações seriam diretamente proporcionais a valorização da categoria. Porém, nunca aceitaram que o mercado determina quanto o produto vale. Ficavam reclamando que a entidade só pensava nos homens. Não queriam admitir que a desigualdade era determinada por quem quer o produto e não pela falta de competência da Associação. Olhem o futebol feminino e digam se isto não é uma realidade. Quanto ganha o Neymar e quanto ganha a Marta. Existe uma enorme diferença, sem dúvida. Quem determina isso é o mercado. A imagem do Neymar tem um valor muito maior para as marcas que o contratam como garoto propaganda. Se o surf feminino não evoluir para alta performance, dificilmente terão o espaço e o destaque que tanto almejam.

Ficar a sombra do homens é um grave equívoco, e por isso concordo com a postura da ABRASP de ter dois circuitos separados.  O extinto Circuito Petrobras Feminino é a maior prova que esse é o caminho a ser seguido. As meninas precisam integrar o surf profissional e o amador, para ter mais destaque nas mídias. Nenhum patrocinador vai pagar para ter 15 a 20 meninas disputando uma competição no fim de semana. Normalmente as mesmas, sem nenhuma novidade. Precisa se espelhar no Petrobras Feminino, que aglutinava a maior quantidade de meninas na praia, divididas por categorias. Abraçar da categoria grommet até a profissional.

Alguns podem dizer que no circuito mundial o surf feminino melhorou, mesmo junto dos homens, mas as condições são totalmente outras.  As atletas são patrocinadas por marcas fortes do surfwear internacional, que investem em viagens, anúncios nas mídias, e no fortalecimento da imagem das atletas.  Quem faz isso no Brasil ? A consequência do investimento é o aumento do nível técnico das surfistas do tour.  Qual é a atleta da elite que não tem patrocínio ? A resposta todos sabem, a nossa Silvana Lima. Isso demonstra o grande abismo que existe entre as marcas brasileiras e as gringas, em relação ao investimento no surf feminino em geral.

O surf feminino brasileiro precisa passar por um planejamento profundo, para a médio prazo ter um produto valorizado, gerando possibilidades para as atletas viverem dignamente as suas carreiras. Não adianta ter um circuito forte se as marcas não apoiarem as atletas; se não houver cobertura da mídia especializada; se o espectáculo for fraco. No atual estágio da categoria, nem a melhor atleta do país consegue condições dignas para exercer sua profissão.

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