Mamãe Medina

No próximo domingo, 10 de maio, comemoramos o Dia das Mães. E para representá-las nesta homenagem, escolhi Simone Medina, mãe de Gabriel, principalmente depois de ler a ótima entrevista com ela no UOL (http://esporte.uol.com.br/surfe/ultimas-noticias/2015/05/05/medina-vendeu-premiacao-no-comeco-da-carreira-para-continuar-competindo.htm?cmpid=fb-surfe), através do link enviado pelo integrante do grupo Mesa Surfocrática no Facebook John Robert Crichton. Assim, pude conhecer um pouco mais da intimidade desta família unida em torno do campeão mundial. Pois bem, lendo suas respostas às perguntas do repórter do UOL Felipe Pereira, soube dos sacrifícios que ela e sua família fizeram para que o menino Gabriel pudesse seguir o seu sonho. Apenas uma pessoa muito generosa, sábia e altruísta poderia ter feito o que Simone fez em prol da felicidade do filho. Somente uma mãe!

O resultado de tamanha manifestação de amor não poderia ser diferente. Além de um surfista talentoso, Gabriel esbanja educação, respeito e humildade (apesar de as vezes cometer deslizes, normais para sua idade). E estes predicados são frutos da base familiar correta em que viveu, com a preocupação em terminar os estudos (2o grau) para aí sim, se enveredar mundo afora, além da idéia de que a família vem sempre em primeiro lugar, antes de qualquer desejo ou vontade unilateral.

Dizem que Gabriel está ganhando salários e bônus na casa dos 6 dígitos mensais, o que é mais do que merecido. Primeiro por ser ele o atual campeão da WSL, feito conquistado com muito esforço, abdicações e talento. Segundo, por poder agora devolver materialmente aos seus pais e irmãos, que se uniram no sonho e ajudaram a transformá-lo em realidade, por todo o esforço e privações passados. O Brasil sempre me pareceu não dar muito valor às pessoas que conseguem melhorar de vida com muito trabalho. O legal, para bastante gente, era fazer jogadas e ganhar dinheiro de forma imoral e desonesta. Creio que isso está mudando. Por isso, exemplos como o de Simone Medina e sua família, que passaram pelos percalços que milhões de brasileiros passam diariamente, é tão ilustre e belo, pois mostra que o objetivo pode ser conquistado com suor e dedicação.

Gabriel vem tendo um ano complicado e de mudanças. Isso com certeza está afetando seus resultados. Mas ele não esqueceu ou desaprendeu a surfar. É apenas uma fase onde as coisas não estão dando certo. Quem sabe, agora em sua terra, no colo de sua mãe, ele desabroche de vez em 2015 e entre pra valer nesta briga com Adriano e Filipe em busca do bi. Seria um presente e tanto para a Mamãe Simone, mesmo que atrasado. Acho que ela não se importaria!

Gostaria de parabenizar todas as mães do país, aquelas que dizem não quando queremos o sim e sim quando esperamos o não. São elas os alicerces de nossa sociedade e o motivo de querermos mudar nosso futuro para que nossa nação tenha, em sua imensa maioria, pessoas orgulhosas de olhar para trás e ver um caminho construído com muita luta e ética. E um beijo especial também para as mamães de Miguel Pupo, Filipe Toledo, Italo Ferreira, Adriano de Souza, Wiggolly Dantas e Jadson André por colocarem no mundo este time de craques que escolheu o surf como profissão honrando seus sobrenomes e o espírito guerreiro de um povo que nunca desiste. Esse legado é por causa de vocês!

Chutômetro das ondas 08-05

Segue o chutômetro das ondas para o Rio, diretamente de Saquarema,
Sábado dia 9 – Aproximadamente um metro e meio, ondulação de sul/ sudeste e vento nordeste fraco pela manhã, aumentando a tarde. Melhores condições: Arpoador e São Conrado canto esquerdo.
Domingo dia 10 -Um metro series maiores, ondulaçã o de sudeste e vento nordeste fraco a moderado.Melhores condições: Arpoador e SC.

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Foto: Cesinha Feliciano

Eu já sabia!!

Eu já sabia!! Essa é a frase que torcedores mostram nos estádios quando seu time leva a melhor sobre algum adversário. É um tipo de chacota, mas uma brincadeira sadia. Neste caso, o “eu já sabia” se refere à brilhante vitória de Filipe Toledo na etapa de Trestles. Não vi qualquer possibilidade de ele ser superado por qualquer outro atleta inscrito na competição. A forma como surfou estava um patamar acima de seus oponentes. Muita velocidade, variedade de manobras e aéreos espetaculares são as armas do brasileiro, que agora é local do pico, já que sua mudança para a Califórnia deram  a ele essa condição. Venceu em Huntington,em 2014, e agora em Trestles, provando que a mudança foi muito benéfica. Nas redes sociais todos brincavam que só um tubarão poderia impedir sua vitória.

Estou impressionado com o momento do surf brasileiro em 2015. A liderança do CT de Adriano de Souza, com performances cirúrgicas, e as vitórias esmagadoras de Filipinho são exemplos do efeito Medina, que nos deu confiança para encarar os gringos sem medo. E sinto que eles estão atônitos com os nossos resultados. Na Austrália ou nos EUA estamos mostrando que chegou o momento da bandeira verde e amarela chegar ao topo do pódio sem medo de ser feliz. A tempestade brasileira está fazendo estragos em vários países. Até acho que  já chegou ao status de furacão, que eu apelidaria de Medina. O título de Gabriel deu um impulso aos brasileiros, impulso que será difícil de ser parado. Acredito muito que ele virá com tudo este ano. Penso, ainda, que algum de nossos atletas terá  grandes chances de ganhar mais um título mundial em 2015.

Estamos a uma semana da etapa  brasileira do CT, e, provavelmente, teremos uma grande torcida para os brasileiros na areias da Barra da Tijuca. Sou do tempo em que, nos campeonatos mundiais, muitos torciam por seus ídolos estrangeiros. Claro que queríamos  ver nossos compatriotas arrebentando, mas a diferença técnica era bem nítida. Kelly Slater tinha muito mais torcida e fãs do que os brasileiros. Isso mudou  com a geração Brazilian Storm. Somos a bola da vez. Isso ninguém poderia saber ou imaginar dez anos atrás.

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