Alguém pode me explicar ?

Que o julgamento do surf é subjetivo todos nós estamos cansados de saber. Acompanhei a etapa de Trestles, e confesso que fiquei meio perdido com algumas notas dadas pelos juízes. Dei uma olhada na redes sociais e constatei que não era só eu que me questionava. Assim, resolvi colocar no blog algumas dúvidas dos internautas para tentarmos chegar a alguma conclusão.

O primeiro grande questionamento foi a nota 9,83, recebida por Filipe Toledo no round 2. Ele  deu uma aéreo animal de backside, na manobra de saída, e depois finalizou com uma batida jogando a rebeta. A pergunta que todos fizeram foi o porque 9,83 e não 10.

No round 4, faltando pouquissimo tempo para terminar a bateria 4, entre Taj Burrow, Joel Parkinson e Owen Wright, Parko precisava de 7,17 para virar o resultado a seu favor e tirar Taj da liderança. Somente o primeiro passaria direto para as quartas, deixando os outros dois na repescagem. Parko pega uma onda da série e os juizes dão 8,27 para o australiano. Tudo pareceria normal, se o próprio Parko não achasse que tirou tal nota. Sinceramente, a minha opinião e a dos internautas é bem parecida com a dele. Vejam na marcação do vídeo, no minuto 28:05 e tirem suas conclusões.

Na bateria 2 do round 4, entre Gabriel Medina, Miguel Pupo e Jordy Smith, muitos não concordaram com a melhor nota da bateria, 9,63, recebida por Medina (ver minuto 9:11 do vídeo). Será que foi melhor que a nota recebida por Miguel Pupo, 9,10? (ver minuto 12:44 do vídeo). Muitos preferiram a radicalidade e a precisão das manobras de Miguel. O fato da onda de Medina ter sido maior que a de Miguel foi decisivo na avaliação dos juízes ? Na minha opinião, a escolha de onda é importante, mas prefiro a potência e precisão executada nas manobras.

Na bateria 8 do round 2, o confronto entre CJ hobgood e Aleho Muniz foi bem esquisito. Não gostei de nenhuma onda do CJ. Achei o surf dele muito burocrático. Não ví nenhuma manobra que realmente impressionasse. A nota 7,83 do CJ ( ver minuto 7:16 do vídeo) foi pior que o 7,83 do Alejo ( ver minuto 17:45). Acho que o brasileiro deveria ter levado essa, mas os juízes gostaram mais do surf do americano. Ano passado ele ganhou do Medina em situação bem parecida.

Na bateria 2 das quartas, Adrian Buchan venceu Gabriel Medina justamente. Medina escolheu as esquerdas e deixou o australiano bem confortável na escolha de ondas. Porém, não achei que o Adrian tenha merecido um 8 que recebeu no meio da disputa( ver minuto 7:42 do vídeo). A primeira manobra não foi tão potente e a finalização meio esquisita. Levando em conta que só a segunda manobra, num total de três, foi boa, achei o 8 um pouco exagerado.

Esquenta na Califa

O primeiro dia de competição no Hurley Pro, em Trestles, Califa, teve ondas mais bonitas do propriamente excelentes (óbvio que estou falando a nível de Circuito Mundial, pois aqui no Brasil por exemplo ia ter mais de 1000 no pico). As médias, apenas regulares, atestam isso. Com o mar melhorando a tarde, devido a baixa da maré e ao vento diminuindo, as performances se elevaram e Owen Wright, Adriano de Souza e Nat Young acabaram se destacando.

As direitas foram mais surfadas e também melhores pontuadas, mesmo rápidas e nem sempre abrindo. A leitura e escolha das ondas acabaram sendo fundamentais para os vencedores. Os dois maiores pretendentes, hoje, ao título mundial, Gabriel Medina e Kelly Slater não surfaram mal, mas também não fizeram nada explêndido, e talvez por isso acabaram em segundo lugar, indo para a repescagem. Slater teve um surf veloz, com algumas manobras realmente ótimas, mas caiu bastante da prancha, sinal de que não está no rip, talvez devido ao lançamento de sua marca, a Outer Known. Já Medina, escolheu mal suas ondas e também não conseguiu encaixar suas manobras progressivas, uma de suas principais virtudes. Ambos tem baterias, na teoria, fáceis no Round 2, mas com a provável subida das ondas para a próxima terça, quando devem chegar aos 8 pés, vão ter que mostrar serviço. Principalmente Gabriel, que encara Raoni Monteiro, que inda não venceu uma bateria no WCT este ano, mas surf muitíssimo bem em condições power. Jeremy Flores, adversário de Slater, também anda melhor em ondas pesadas e vira e mexe causa surpresas.

Medina vai encarar Raoni Monteiro no round 2. Foto: ASP/Rowland

Medina vai encarar Raoni Monteiro no round 2. Foto: ASP/Rowland

Com previsão de ondas excelentes para terça, quarta e quinta, o Hurley Pro promete ser um dos melhores eventos em solo americano nos últimos 10 anos. Sendo assim, diria que alguns surfistas largam na frente na hora de se escolher os favoritos. Jordy Smith e John John Florence são dois deles. Entre os goofies, realmente Owen e Nat Young são perigosos de backside. Adriano de Souza é outro que costuma ir bem em Trestles. Ele gosta de ondas de linha e com seus longos arcos vai dar trabalho. E claro Medina, que está num ano iluminado, e Kelly, que já venceu ali “somente” seis vezes e além do mais, desde 2005 ganha ao menos um evento do WCT, fato que em 2014 ainda não aconteceu.

Como vê, o primeiro dia de baterias no Hurley Pro foi apenas um leve esquenta do que virá, com condições bem diferentes dos dois últimos anos, onde as marolas imperaram. Quem quiser ser coroado em San Clemente vai ter que domar Trestles de “responsa”.

 

Chutômetro das ondas 13-09

Sabádo dia 13 – Ondas em torno de 1,5 m, na zona oeste, com vento fraco pela manhã e boas condições para as praias que recebem ondulação de sul/ sudoeste. Melhores opções devem ser : Grumari canto direito, Prainha e Macumba ( entre o Rico point e 2W).
Na zona sul as ondas devem ficar em torno de 1,0 m, series maiores. Melhor opção : Pontão do Leblon.

Domingo dia 14 – Ondas em torno de 1,0 m a 1,5 m, na zona oeste, com vento nordeste pela manhã e boas condições para as praias que recebem ondulação de sul/ sudoeste. Melhores opções devem ser : Grumari canto direito, Prainha e Macumba.
Na zona sul as ondas devem ficar em torno de 1,0 m, com series ocasionais maiores. Melhores opções : Pontão do Leblon, Leblon João Lira e posto 11 ( maré cheia).

Campanha #VaiMedina

A liderança do ranking WCT, e a possibilidade de trazer o primeiro título mundial de surf para o Brasil, criou uma campanha de incentivo para Gabriel Medina,na etapa de Trestles, que pode começar hoje para os homens. O intuito é criar uma corrente positiva pela conquista do título inédito.

Fui convidado por PH Costa Blanca e Thiago Correa para participar dessa campanha. #VAIMEDINA.


Direção e Roteiro: PH Costa Blanca e Thiago Correa
Imagens e Edição: PH Costa Blanca

Mais uma vitória brasileira

No último sábado tivemos mais uma vitória brasileira no circuito de qualificação para o WCT. O paulista Jessé Mendes ganhou a etapa prime de Azores, em Portugal, e deu um salto para a sexta colocação do ranking. Ele já havia vencido uma etapa 3 estrelas, no Chile, uma semana antes. Parece que engrenou de vez na reta final para a conquista de uma das 10 vagas para o circuito de elite 2015. Apontado como grande promessa, é extremamente profissional e focado. Tem todas as características para atingir seu objetivo de ser  top 32 do WCT. Torço pelo sucesso deste atleta, pois será mais uma comprovação, e exemplo, de trabalho e planejamento bem executado.

Jessé Mendes é um atleta completo, com grandes chances de participar do WCT em 2015. Foto: ASP/ Damien Poullenot

Jessé Mendes é um atleta completo, com grandes chances de participar do WCT em 2015. Foto: ASP/ Damien Poullenot

Por falar em WQS, reparem na relação dos 11 primeiros do ranking. Tem 7 brasileiros nesta lista. Felipe Toledo é o segundo, Adriano de Souza terceiro, Wiggoly Dantas quinto, Jessé Mendes sexto, Tomas Hermes sétimo, Jadson André oitavo e William Cardoso décimo primeiro, todos com boas chances de classificação. Não me lembro de uma situação semelhante a essa na história desse circuito. Isto era muito comum para os australianos, a alguns anos atrás. Parece que a liderança do ranking do WCT de Gabriel Medina está trazendo uma confiança maior para nossos atletas no tour.  A geração Brazilian Storm está confirmando a previsão dos gringos. Precisou que eles alertassem que seriam invadidos por uma tempestade, para que acreditassemos em nosso potencial.

Em 2014 temos 7 atletas na divisão principal do surf mundial, num total de 32 classificados. Isto representa quase 25% do total geral, um número muito expressivo. Se dominarmos a lista do WQS até o fim do ano, acho que podemos aumentar ainda mais nosso percentual na elite, em 2015. Ainda temos a grande possibilidade do primeiro título do WCT, a ser conquistado por Gabriel Medina. O surf competitivo brasileiro nunca esteve tão bem representado.

Festa brasileira em Portugal. Foto: ASP/ Damien Poullenot

Festa brasileira em Portugal. Foto: ASP/ Damien Poullenot

Chutômetro das Ondas

Segue o chutômetro das ondas para o fim de semana no Rio.
Sábado – Ondas de 1 metro e meio, series maiores, com ondulação de sudeste/leste e vento nordeste, virando para leste na parte da tarde. O vento vai ser muito forte, prejudicando as condições do mar. Melhores opções devem ser: Leme, Arpoador e Macumba.
Domindo – Ondas de 1 metro, series maiores, com ondulação de sudeste/leste e terral na parte da manhã, virando para leste na parte da tarde. Melhores opções devem ser: Leme, Arpoador, São Conrado e Macumba.

O MMA do surf

Uma grande expectativa rondava a realização de um campeonato de surfe inovador realizado no último dia de setembro pela marca de energético mais conhecida do mundo. Um evento onde 16 especialistas em ondas tubulares, grandes e perigosas iriam disputar baterias homem x homem em uma das ondas mais pesada do planeta, a bancada chamada de Ours, ou CapeFear, como o patrocinador preferiu comercializar.

No último dia do tão esperado evento, o pico bocejou. Digo bocejou, porque acordar mesmo seria caso tivéssemos visto ondas de 10 a 12 pés explodindo perto do cliff que cerca essa linda baia na cidade de Sydney. Baia, esta que serviu de primeiro porto para o famoso explorador Captain Cook quando descobriu a Australia há mais de 200 anos atrás. Porém o bocejo de Ours mesmo assim entregou ondas pesadas o suficiente para testemunharmos um dos mais inovadores formatos que o surfe já se viu até hoje em uma onda desse perfil. Essa onda quebra a 15 metros de um cliff, o fundo é de pedra, cheio de mariscos afiados,  extremamente tubular e pesada, que aguenta de 6 a 12 pés. No final da onda sempre tem um backwash monstro que derruba qualquer um, obrigando a sair dela rapidamente caso vc saia do tubo, ou sua chance de escapar sem um arranhão é nula. O lip é grosso e pesado e o natural ali é o tow in, porém após anos frequentada somente por bodyboarders, os surfistas dominaram o local e finalmente venderam ao mundo após esse evento.

Kobi Aberton é profundo conhecedor desta onda, e venceu sua bateria contra Bruce Irons. Foto: RED BULL

Kobi Aberton é profundo conhecedor desta onda, vencendo Bruce Irons no confronto direto. Foto: RED BULL

 

O mais interessante na minha opinião não foi a onda e sim o formato. Mesmo a ASP realizando campeonatos em ondas incríveis como as etapas de Jbay e Taiti, esse ano, o formato é chato e inconsistente para o público leigo. Alguns leitores mais atentos podem ter percebido por outros textos (leia aqui http://surf100comentarios.com.br/big-tuberide-wave-tour/)  que sou um pregador solitário por uma alteração de formatos e inovações em julgamento e premiações para evolução do esporte. Esse evento foi um colírio para meus olhos atentos a tela do computador, assistindo a transmissão online. Foram 8 baterias, todas homem a homem. Cada bateria, que o evento chamava de batalhas, consistia em 2 surfistas que foram escolhidos para se enfrentarem por suas capacidades técnicas parecidas e similaridades de estilo e currículo em ondas pesadas. Não foi um sorteio baseado em ranking ou nada que o valha. Os organizadores explicavam as similaridades dos atletas durante a bateria e a relação de amizade ou não, eram exaltadas pelos comentaristas como forma de animar as batalhas, assim como narradores da ESPN ou Canal Combate fazem durante uma luta de MMA. Após a bateria, cada vencedor recebia o veredito da vitória em pé perante seu adversário e o juiz (no caso apresentador Toby Martin) levantava a mão do vencedor na hora do anuncio (não havia transmissão de notas ao vivo). Após a consagração do vencedor e o anuncio do prêmio de US$10.000,00, uma entrevista a 3 acontecia naturalmente misturada a brincadeiras e provocações por parte dos atletas! Imaginem se fosse possível ouvir o que o Medina queria dizer ao Julian Wilson após a polemica final de Portugal? Ou Jeremy Flores ao Sebastien Zietz após a famosa bateria que o levou a ser suspenso da etapa do Taiti? Até mesmo uma entrevista de KS e JJF juntos após a melhor bateria do século nesse mesmo evento seria obrigatória nesse novo formato.

Ryan Hipwood usou seu conhecimento local para vencer o hawaiano Jamie O'Brien. Foto: RED BULL

Ryan Hipwood usou seu conhecimento local para vencer o hawaiano Jamie O’Brien. Foto: RED BULL

Basicamente as batalhas de 1 a 5 pareciam finais de campeonatos para mim e um entretenimento muito maior que 90% das baterias da ASP hoje. Inicialmente, cada bateria teria 20 minutos de remada e 20 minutos de tow in, mas devido ao tamanho pequeno das ondas o evento foi realizado somente com o modelo de entrada através de força manual na onda. Mas caso tivesse grande seria alucinante ver um atleta sendo testado nas duas categorias. Sabemos que vários “bigriders base de caranguejão”, não sabem nem dar um cutback direito. Assim eles teriam suas habilidades verdadeiramente testadas. Mas não foi dessa vez. Até porque todos os selecionados eram feras mais que comprovados em todas as categorias. Segue a relação de baterias e nome das feras.

Batalha 1 – Ryan Hipwood (Aus) venceu Jamie O’brien (Haw). Essa bateria foi alucinante. Além de ser a primeira, todos queriam ver o Jackass e estrela do surfe JOB atropelar o australiano local e um dos organizadores do evento. Porém não foi o aconteceu. O havaiano ficou esperando uma onda nos moldes de sua terra natal que nunca veio enquanto o local mostrou que conhecia a bancada pegando os melhores tubos. Mesmo assim o anti campeonato JOB estava todo alegrinho e elogiando o formato todo bobo mesmo após perder.

 

Batalha 2 – Mark Mathews (Aus) venceu Shane Dorian (Haw) – Essa foi o que poderíamos ter chamado de card principal do dia! O organizador e porta voz do evento e psicopata australiano Mark Matheus versus o Papa das bigwaves mundial. Nessa hora foi decepcionante ver o tamanho das ondas perante o potencial suicida dos atletas na agua. Aqui resumo a bateria como um fracasso pois durante essa bateria rolou um flat longo e a mãe natureza ficou devendo essa para gente. Chamo atenção para notarmos que mesmo em um evento super inovador como esse, a natureza ainda é suprema e até que se crie uma piscina com força que crie ondas realmente desafiadoras, será difícil acertamos todas as baterias de um evento.

 

Batalha 3 – Laurie Towner (Aus) venceu (David Rastovich) – o bigwave charger Laurie Towner, ex estrela da Billabong surfou com maestria e embolsou o cash que ele tanto deve estar precisando pois está sem patrocínio. Já David Rastovich surfou sem muita preocupação, até porque mês passado venceu o campeonato de luxo de másters lá Maldivas e devia esta já com bolso cheio.

Batalha 4 – Koby Aberton (Aus) venceu Bruce Irons (Hav) – essa também foi uma das mais esperadas batalhas do dia. Os dois grandes amigos, são ditos como filhos de pais diferentes, foram para água disputar uma bateria que poderia entrar para hall das mais incríveis baterias do século. Porém ao pular do cliff, o local australiano tomou a vaca do dia e entrou no mar literalmente rolando na água. Claro que isso foi piada para todos até o final do evento. Como de praxe, Bruce Irons, continuou apático e perdeu. Volta Bruce!

Batalha 5 – Dean Morrinson (Aus) venceu Ian Walsh (Haw) – Todos achavam que o havaiano não chegaria a tempo pois estava em missão com Taylor Steele atrás da maior onda já surfada na Africa do Sul, mas o cara chegou direto do aeroporto para a bateria. O que ele não sabia era que o Coolie Kid segregado tinha tomado muito energético e tirou altos tubos para embolsar a premiação sem que ele nem percebesse.

Batalha 6, 7 e 8 – Richie Vaculik (Aus) venceu Evan Faulks (Aus), Kirk Flintoff (Aus) venceu Jai Abberton (Aus) e Jesse Polock (Aus) venceu Sam Macintosh (Aus) – baterias que poderiam estar numa espécie de card preliminar antes dos astros. Todos estes locais do pico que só estavam ali porque são da patota do organizador Mark Matheus. Todos botaram para baixo mas aqui fica minha crítica ao evento que deveria ter aproveitado essas 3 baterias para chamar mais atletas internacionais, inclusive brasileiros, sul africanos e americanos que ficaram de fora.

Shane Dorian se sentiu a vontade nas pesadas condições do pico. Foto: RED BULL

Shane Dorian se sentiu a vontade nas pesadas condições do pico. Foto: RED BULL