Um dia triste

Um dia triste.

Este é um blog imerso no mundo do surf mas com uma preocupação com a situação do Brasil. Ficamos aqui falando das possibilidades dos brasileiros no tour, das dificuldades para se ter uma estrutura digna para a carreira dos atletas, de falta de investimento nos circuitos locais e por ai vai.
Hoje, com a notícia do falecimento do candidato do PSB a presidência da república Eduardo Campos, fiquei muito reflexivo. Como disse no meu último artigo, o surf brasileiro sempre tem crescimentos significativos quando o Brasil tem booms econômicos.  Todos estão cientes que nossa situação não é boa, com índices altos de inflação e baixo crescimento. Na minha opinião, isto se deve a uma administração desgastada e intervencionista que o PT tem nos enfiado goela abaixo. O que isso tem haver com surf ? Tem muito. Para ter novos investimentos e crescimento do Brasil, e em consequência do surf nacional, precisamos mudar o rumo da administração brasileira.

Não quero ficar dando aula de economia porque certamente a maioria dos leitores deste blog não estão interessados em discussões de outra ordem que não seja surf.  Acho até que muitos tem algum interesse, mas o que me faz escrever sobre isso é a decepção que tenho na morte de uma pessoa relativamente jovem, com o desejo de mudanças e acreditando em algo novo. Muitos vão dizer que os políticos são todos iguais e posso até concordar em parte, porém tenho que acreditar que alguém queira mudar e transformar esse país em algo maior. Se não acreditar nisso é melhor mudar para outro lugar que tenha uma condição de vida melhor. Mas sinceramente acho que nós podemos mudar isso votando certo, exigindo nossos direito, lutando por  melhorias.

Eduardo foi governador de Pernambuco e em sua gestão o surf brasileiro foi beneficiado com os eventos primes de Fernando de Noronha e de etapas do circuito brasileiro em Porto de Galinhas. Tinha alma jovem como nós surfistas. Presto essa homenagem a ele e aos meus amigos de Pernambuco, que acreditavam em tempos melhores com ele na presidência . Que a morte dele seja símbolo de algo maior. Como ele disse em sua última frase, dita ontem no jornal nacional, “Não vamos desistir do Brasil ”

RIP Eduardo Campos

O corporativismo

Foram muitos comentários sobre a minha opinião na matéria “Eles São Os Grandes Culpados”, alguns úteis, outros inúteis, de acordo com a capacidade intelectual de cada um. O fato é que achei interessante a defesa em bloco da turma, no caso os “pros”, que se sentiu ofendida. Coincidência também que todos os textos a favor das minhas palavras fossem de não surfistas profissionais e seus amigos. Alguns com, outros sem, ligação alguma com o segmento.

Veja bem, corporativismo não necessariamente é negativo. Se for pro bem de um todo, é aceitável. Só que não acho que esta seja a situação. Muitos destes que reclamaram, talvez todos, não tem ciência de como o Circuito Brasileiro de Surf Profissional apareceu. Eles não sabem, que o embrião de tudo foi a união de um grupo de profissionais cariocas, em 1985, que resolveu fazer um Circuito de algumas etapas e se mobilizaram com seus patrocinadores e conhecidos para que fizessem um pool de empresas dando a mínima condição de estrutura e premiação, dando surgimento a Organização dos Surfistas Profissionais do Rio de Janeiro, a OSP. Daí para a criação da ABRASP foi um pulo. Um bom exemplo de corporativismo.

O começo da OSP em 1985. Pedro Muller, Fred D'orey, Mario Cesar Pereira Carneiro, Valdir Vargas e Ricardo Bocão. Foto: Roberto Price

O começo da OSP em 1985. Pedro Muller, Fred D’orey, Mario Cesar Pereira Carneiro, Valdir Vargas e Ricardo Bocão. Foto: Roberto Price

O grande problema, é que quem surgiu no pedaço no século XXI recebeu toda a estrutura montada, com o trabalho de Roberto Perdigão e Marcelo Andrade, junto de uma penca de surfistas da velha geração que conseguiram pegar um sonho e transformá-lo em realidade. Óbvio que tiveram coisas contestáveis, mas olhando o resultado nestes 25 anos, desde 87, é impossível dizer que não deu certo, ao menos até agora.

Sempre bati na tecla de que os atletas quiserem chegar a algum lugar, independente do talento, devem ser regrados, estudarem, ficar longe das drogas e saber se comportar como um produto comercial. Já escutei diversas vezes tarimbados surfistas, alguns até do WCT, dizerem que o que importa é dentro dágua… Não existe maior burrice! Lógico que se o cara dá resultado será mais fácil de arrumar um bom apoio, mas no fundo, o que importa é se a pessoa cumpre com os acordos fechados num contrato, como se portar bem, comparecer as compromissos com a empresa e manter sua imagem positiva.

Tiger Woods, para quem não sabe o atleta mais rico do mundo em todos os tempos, com 1 bilhão e 300 milhões de dólares em faturamento, perdeu 90% dos seus patrocínios depois do escândalo do vício em sexo há quatro anos. Agora imagine um surfista que não sabe dar uma entrevista, falar na rádio, TV, que se enrola quando tem que responder uma pergunta em inglês, que faz gestos obscenos numa bateria, que é pego no antidoping, que agride alguém…

Muitos comentários foram sobre os atuais competidores, que eles não são mais assim… Concordo e discordo. O nível melhorou muito no que diz respeito a elite. É visível o preparo de Adriano, Medina, Miguel, Filipe, Alejo, Jessé o próprio Junior Faria, que além de ter uma coluna interessante da Hardcore, conseguiu debater em alto nível. Só que estes caras, não estão muito aí para o Circuito Brasileiro. O mundo deles é maior. Eles querem e podem alcançar feitos que a maioria não pode e nem vai.

O próprio Faria admitiu que “À época, mesmo reunindo algumas cabeças pensantes da elite do surfe profissional, naufragamos precocemente porque não houve repercussão no nosso próprio meio. Tampouco houve a união necessária para que nossos ideais fossem levados adiante.”

Este é o retrato. Tem gente que prefere se defender de acusações que não foram feitas – não disse que TODOS são drogados nem BURROS – ao invés de tirar o bumbum da cadeira e fazer algo. E este algo não é ligar para o Pedro Falcão, diretor-executivo da ABRASP, e pedir uma reunião para cobrar o que não está sendo feito. Faça-se uma pergunta: Você pagaria 100.000 reais para reunir 100 caras, que nem são os melhores surfistas do Brasil num evento de formato antiquado, nada atrativo para a mídia digital, reunindo nomes que apesar de serem extremamente talentosos são totalmente desconhecidos do público em geral?

Enquanto os corporativistas preferem se defender e atacar, o tempo passa e a probabilidade deles se tornarem pedreiros, caseiros, segurança (tudo trabalho honesto) ou qualquer ofício que não seja ligado ao que amam – surfar – é maior. Não se iluda, esta gente já existe. E continuará a existir. Só que as oportunidades de crescer poderiam ser melhores caso as decisões e objetivos sejam em prol de um bem maior. Assim como o BOM SENSO, grupo de jogadores de futebol que se uniu para melhorar as condições de trabalho do ramo, o surf precisa de algo similar. Mas se depender desta galera e da forma com que pensam, uma pequena parte da molecada vai sair aos 15 anos de casa de olho no WQS, mirando o WCT, esquecendo que o Brasil existe. E se falhar ou retornar mais tarde, verá que sua profissão nunca existiu, foi apenas uma nuvem que estagnou no céu até ser varrida pelos ventos do tempo.

Paulinho do Tombo foi o primeiro campeão brasileiro em 1987. Fonte: Blog Dragão

Paulinho do Tombo foi o primeiro campeão brasileiro em 1987. Fonte: Blog Dragão

Eles são os grandes culpados!

Surfando pelo facebook agora há pouco me deparei com um post do surfista local de Ubatuba Renato Galvão, contando sua indignação com o atual estado do surf no Brasil. Li a maioria do comentários, sempre enaltecendo o texto, que destaca o sofrimento dos pros no Brasil pela completa ausência de eventos e apoio. Qualquer leigo no assunto, vai pensar que as marcas, mídia especializada e dirigentes são um bando de gananciosos, inescrupulosos que pouco se importam com o esporte.

Pois bem, assim como Galvão tem todo o direito de opinar, também tenho. E digo minha opinião: Os maiores culpados por esta agonia nas competições de surf no país são seus próprios competidores, que nunca pensaram em prol do esporte, sempre viram apenas seus umbigos, muito mais preocupados em manter-se entre os Top do que abrir caminho para o desenvolvimento da atividade.

Não foram as marcas, nem os dirigentes e muito menos a mídia que simplesmente romperam com a Abril Eventos, que fez durante uma década o SuperSurf, melhor Circuito Nacional do planeta, e com a Brasil 1/MX, que substituiu a Abril Eventos mas foi afastada por querer diminuir os custos do Brasil Surf Pro. Foi o grandíssimo e “sábio” conselho da ABRASP, formado por surfistas eleitos por outros surfistas, que decidiu novos caminhos, achando que seu produto valia milhões quando na verdade valia tostões.

 O Circuito Super Surf  durou uma década fazendo grandes eventos para o surf nacional. Foto: Minduim

O Circuito Super Surf durou uma década fazendo grandes eventos para o surf nacional. Foto: Minduim

É difícil para a grande maioria dos surfistas profissionais, sem experiência de vida e até desenvoltura de pensamentos, enxergar um mercado, sua economia e o simples direito de um empresário, que paga cerca de 45% de impostos para manter sua marca, sair por aí dando dinheiro para neguinho que não tá nem aí se dará retorno, que fica fumando um baseado, tomando “bala” ou enchendo a cara com uma porrada de maria parafina. Meu amigo, ganhar o pão de cada dia é difícil no Brasil, e apenas os idiotas vão distribuir grana sem contrapartida.

Óbvio que existem dirigentes , jornalistas e empresários incompetentes ou mal intencionados, mas neste caso, creio que a infantilidade dos “atuais abandonados” foi o propulsor desta decadência.

A maioria não vai se lembrar, mas há quase 30 anos, o bodyboard foi abraçado pela Rede Globo e pelo ex-nadador Djan Madruga, que viabilizou um Circuito Brasileiro de ponta e pelos mesmos motivos foi expurgado do esporte. Tudo porque os homens se sentiram diminuídos pelas mulheres, que naturalmente chamavam mais a atenção da mídia. Moral da história, o bobyboard afundou e nunca mais conseguiu se reerguer para aqueles áureos tempos.

Penso que somente com uma peneira bem fina, vamos poder selecionar gente com capacidade para poder idealizar algo atrativo, pois como alguns poucos escreveram, o atual formato das competições de surf está ultrapassado e inviável.
Quem vê o Gabriel Medina no topo do ranking mundial e as performances de Adriano de Souza e Filipe Toledo pode até se gabar de estarmos bem na fita. Lembre-se que o tenista Gustavo Kuerten foi número 1 do mundo e o tênis brasileiro nunca esteve tão mal. A base de qualquer pirâmide é que sustenta o pico. Sem isso, a tendência é o desmoronamento. Se você é surfista profissional, leia mais jornal, assista programas úteis e vote bem, pois tudo isso é que vai lhe dar sustentação na hora de expor suas pensamentos. Estou cansado de ficar lendo e ouvindo idéia de girico. Quer melhorar, lute pelos seus ideais, sem culpar os outros. Só assim a maré vai mudar.

Os campeões do circuito ganhavam um carro de premiação final. Foto: Minduim

Os campeões do circuito ganhavam um carro de premiação final. Foto: Minduim

Cauli Rodrigues um nome a ser reverenciado

O surf profissional no Brasil tem seus primeiros passos na década de 70, mas foi nos anos 80 que a coisa engrenou de vez. As associações se multiplicaram entre 84 e 87, e o plano cruzado, criado em 86, impulsionou o surf  brasileiro de uma forma avassaladora. Foi uma época de grandes eventos, patrocinados pelas marcas emergentes do surf nacional. Tivemos a criação dos circuitos brasileiros profissional e amador, comandos pela ABRASP E ABRASA respectivamente. Um momento muito importante para a história do surf nacional.

Comecei a surfar em 78 e já admirava o esporte antes de praticar. Gostava de andar de skate e sonhava em ter uma prancha. Tentava aprender em prancha emprestada, mas isso era uma situação meio complicada. Esperava ansiosamente pelas edições da Brasil Surf, melhor revista de surf da época. Tudo parecia meio mágico e as fotos me fascinavam e inspiravam a tentar entrar para o exército do surf, afinal eu era jovem.  Conseguir o meu objectivo foi uma vitória, pois meu pai era militar e a imagem dos surfistas não combinavam com o gosto da sociedade em momento de ditadura. O exército, que não era o do meu pai, era taxado como um grupo de vagabundos, drogrados e rebeldes. Ainda bem que meu pai é um cara culto, que estudou no colégio Santo Inácio antes de entrar para a carreira militar. Tinha um pensamento mais aberto que a maioria de seus companheiros de profissão.

Quando ganhei minha primeira prancha, uma Giló amarela, já estava totalmente imerso neste novo mundo. As fotos da Brasil Surf mostravam os grandes nomes do surf mundial e nacional. Os caras eram verdadeiros ídolos para a garotada da minha geração iniciante. Pepê, Valdir Vargas, Daniel Friedman Cauli Rodrigues, Rico de Souza, Roberto Valério, Ianzinho, Felipe Castejá, André Pitzalis, Renan Pitangui, Maraca, Otávio e Fábio Pacheco, Ricardo Bocão,Betão, Fedoca e muitos outros, eram presença constante nas páginas da BS. Dos nomes internacionais Gerry Lopes, Reno Abelira, Shaun Thomson, Mark Richards, Wayne Rabbit Bartholomeu, Rory Russel e Dane Kealora também tinham seu lugar cativo. Eram meus grandes heróis. Não me preocupava em saber quem era o melhor. Todos que apareciam eram idolatrados por mim, um garoto de 13 anos. Com alguns anos de surf passei a admirar o cara que via ao vivo nas ondas do Arpoador e do Posto 5 de Copacabana, Cauli Rodrigues.

Cauli tinha espaço garantido nas capas das revistas. Foto : Nilton Barbosa

Cauli tinha espaço garantido nas capas das revistas. Foto : Nilton Barbosa

Posso dizer que foi o primeiro surfista que consegui identificar como profissional do esporte. Um vencedor nato, que se portava de maneira diferenciada. Seu surf ataque de backside impressionava não só a mim, como a todos da nossa comunidade. Tinha o patrocínio do Jornal do Brasil e dava bastante destaque ao seu patrocinador. Com o crescimento do mercado surfwear foi contratado pela loja Armação para representar sua marca.  Foi campeão do primeiro circuito carioca da OSP ( Organização dos Surfistas Profissionais) que tinha uma nova geração de surfistas com grande força no cenário nacional. Rodolfo Lima, Marcelo Boscoli,Marcus Brasa, Renato Phebo, Cesar Baltazar, Fred Dorey, Dadá Figueiredo, Rodrigo Osborne, Pedro Muller eram destaques nas competições . Com certeza Cauli foi inspiração e referência para muitos destes citados. Foi um dos primeiros a ter um quiver de prancha completo para as competições, coisa não muito normal naquele momento. Enquanto a maioria competia de biquilha e triquilha, ele ainda tinha monoquilha no seu quiver, o que nunca o impediu de explodir o lip da mesma forma, ou melhor que os outros  Fora isso, treinava muito sério, como poucos. Levava sua carreira com muito afinco, com muito foco.

A competitividade foi uma das armas de Cauli para levantar tantos troféus.

A competitividade foi uma das armas de Cauli para levantar tantos troféus.

Sua ida para Austrália, onde disputou os eventos da IPS junto com Daniel Friedman, serviu para ele ver que estava no mesmo nível dos melhores do planeta. Passou as triagens e só não foi mais longe porque o julgamento australiano tinha uma certa política de proteção aos seus atletas. Cauli foi um dos maiores críticos do julgamento que ainda engatinhava. Sua personalidade forte e o conhecimento total das regras o faziam questionar alguns critérios adotados pelos juízes. Tinha total compreensão do que se passava no desenvolvimento do esporte e questionava o que não estava correto.

O ataque de backside era sua marca registrada. Foto: Fedoca

O ataque de backside era sua marca registrada. Foto: Fedoca

Sua força competitiva seguiu até o fim dos anos 80, quando a idade começou a pesar e as mudanças de guarda estavam ocorrendo em velocidades constantes. A coluna foi atrapalhando sua performance e uma hérnia de disco o tirou por um tempo do que mais amava. Hoje ainda encontro com ele no line up do Arpoador e minha admiração continua forte. Na minha modesta  opinião, ele foi um dos melhores do Brasil de todos os tempos. Não falo só pela competitividade, mas pela forma como surfava. Se tivéssemos a cultura de exaltar nossos ídolos, como os americanos e australianos fazem, Cauli Rodrigues teria outra notoriedade para as novas gerações.  Seria visto como deveria, um mestre da arte de surfar.

TEM QUE TER CORAGEM

Um dos melhores surfista em ondas gigantes e o outro respeitado no circuito mundial – para uma das mais perigosas ondas do planeta, vale o check no video, tem coragem???

 


fonte:redbull.com

O Fim da geração ABOG

O fim da geração ABOG

No final dos anos 80 e durante os anos 90 o surfe brasileiro sentiu gosto amargo da ilusão que seriamos campeões do mundo. Os diversos problemas e dificuldades para tal fato eram iluminados pelos especialistas da época e alguns ficaram mais claros que outros. A falta de apoio em geral por parte da indústria e o desdém por parte dos gringos eram as que mais me chamavam a atenção. Jornalistas da época até criaram o lamentável termo A.B.O.G (associação de baba ovo de gringo) em alarde aos que ousavam ir contra a opinião deles de que os brasileiros eram piores surfistas que os estrangeiros. Todo e qualquer jornalista, critico ou especialista em sua área sabe ou deveria ter estudado para saber que o julgamento a um atleta se faz pelos resultados e não pela falta deles, diferença de recursos para pratica de tal esporte ou muito menos por patriotismo. Imaginem se os amantes do basquete nacional criassem um termo parecido com o mencionado acima para irem contra o domínio do basquete americano? Ou seja, quando conto aos mais novos que isso existiu e naquela época não aceitavam que os estrangeiros (basicamente toda a geração Momentum competia no WCT contra nós!) eram muito superiores que nosso time canarinho, eles acham que estou mentindo. Em 1999, Fabio Gouveia e Neco Padaratz fizeram uma final 100% verde e amarela em Huntington Beach, o que foi uma vitória imensa na época ainda mais tratando-se de uma etapa da 1ª divisão. A geração de 80 e 90 do surfe brasileiro era pior tecnicamente que os estrangeiros e por isso não conquistaram tanto quanto a geração atual está fazendo. Os que negavam isso eram cegos críticos e grandes patriotas. Alguns tinham poucos recursos para estudar de perto o surfe estrangeiro e bradavam gritos de Abog para qualquer que criticasse o abandono do tour de Fabio Silva, o estilo do Peterson, as poucas baterias vencidas por Renan Rocha ou a falta de criatividade do surfe de Teco. Porque se você falasse que eles tinham surf fraco literalmente com palavras diretas, você corria o risco de ser massacrado em areia publica de alguma praia do Brasil. Mas como provar o contrário se isso era o melhor que tínhamos? A esperança sempre existiu. Eu acreditava e acompanhava tudo de perto. Porém isso finalmente mudou.

Victor Ribas foi o brasileiro mais próximo do título mundial com a terceira colocação no tour.

Victor Ribas foi o brasileiro mais próximo do título mundial com a terceira colocação no tour. Foto: ASP

Hoje com a vitória de Felipe Toledo no US Open, a liderança do WCT nas mãos do Gabriel Medina e do QS feminino com a Silvana Lima, é a mais verdadeira prova que temos mais chances hoje do que ontem. Evoluímos no surfe de ondas boas e ainda dominamos em condições ruins. A indústria toda acredita e apoia os brasileiros, os “gringos” engoliram os brasileiros e ouso criar um termo aqui que quem sabe usarão em breve. ABOB, associação de baba ovo de brasileiro. Os brasileiros vão ganhar tanto que vai ter americano, australiano e havaiano querendo surfar igual ao Felipe Toledo, se é que já não tem. Os grommets que estavam na praia na final do US Open com certeza sim. Willian Cardoso foi um guerreiro e mostrou um powersurfing nas marolas que muito lembra as ondas de camboriu. Felipe Toledo foi um show à parte. O surfe você tem a categoria de ondas grandes e pequenas. Nas pequenas, Felipe Toledo mostrou o que há de mais moderno e possível de se fazer.

Filipe Toledo fazendo história ao vencer em huntington.Foto: ASP/ Divulgação

Filipe Toledo fazendo história ao vencer em huntington.Foto: ASP/ Divulgação

Hoje nossos surfistas empolgam muito mais a quem assiste, apoia e admira o surfe competição no mundo inteiro. As redes sociais são uma vantagem atual para divulgação dos feitos brazucas também. O auge será o título mundial. Todos os principais atletas têm competência, técnica e apoio financeiro para cumprirem seus objetivos, alcançarem seus sonhos e realizarem a vontade de todos nós de sermos oficialmente o país número 1 do surfe mundial. Internamente o cenário do surfe brasileiro é lastimável sem um circuito brasileiro próprio e atletas disputando um título que é a soma dos eventos regionais. Não acredito que o título mundial seja a solução para resolver o problema interno mas é a solução para todos nós virarmos ABOB com muito orgulho.